Notícia Flor do Lixo

Espetáculo circense discute o uso no lixo no Recife e em Olinda


Publicado em 30.03.2018 , às 08:15

Por TV Jornal

Renata Pires

O projeto Circomunidade, da Caravana Tapioca, leva a encenação circense “Flor do Lixo” para parques e praças da Região Metropolitana do Recife. O espetáculo, que conta com o apoio do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura, busca provocar o público sobre os usos do lixo. Durante o mês de março, a caravana passou por Brasília Teimosa, pela Comunidade do Chié, Alto da Sé, Parque da Jaqueira, Santo Amaro, Mangabeira, Arruda, Peixinhos, Coque e Joana Bezerra.

Desde a sua estreia em 2015, que aconteceu no Recife também com incentivo do Funcultura, o espetáculo foi pensado para ser feito na rua e para um público de todas as idades. “Apresentar-se na rua é uma escolha e não falta de opção. É uma decisão baseada na democratização e descentralização da arte, ocupação de espaços públicos e permissão de acesso a todos”, explica Giulia Cooper que, como a palhaça Nina, integra a Caravana Tapioca ao lado de Anderson Machado, o palhaço Cavaco. Para atingir um público ainda mais amplo, esta temporada na capital pernambucana também contou com audiodescrição nas apresentações do Parque da Jaqueira, Arruda e Peixinhos.

“O roteiro não tem palavras e a gente já conseguiu levar para algumas escolas de surdos. Agora, a gente quis torná-lo possível para os cegos também acompanharem”, explicou Giulia, ao falar que o recurso de acessibilidade comunicacional será feito em tempo real para dar abertura aos improvisos. “O espetáculo está muito mais maduro porque a gente circulou bastante, então a gente está muito mais aberto ao que pode surgir da rua, que são coisas que tornam cada apresentação única”, comenta a atriz, destacando a evolução entre as temporadas. Como a quantidade de aparelhos para a audiodescrição é limitada, recomenda-se que os interessados em usá-los cheguem cedo aos locais de apresentações.



Renata Pires

Recursos de acessibilidade comunicacional

Além do malabarismo com garrafas de plástico e o uso de um cavaquinho feito de lata, materiais descartados também foram usados em outros aspectos do espetáculo, como o figurino, feito pela atriz pernambucana Fabiana Pirro. “A importância de falar disso é que, nesse momento que a gente está vivendo em que as questões ambientais e dos direitos humanos estão secundárias, a gente busca um outro olhar para se repensar o consumo desenfreado”, esclarece Giulia, ao demonstrar que o circo também pode ser usado para tratar de assuntos sérios.

“Flor do Lixo” conta a história de dois artistas que, ao se apresentarem na rua, têm sua performance interrompida e encontram alternativas para dar continuidade ao espetáculo com o auxílio de seres mágicos, que lhes indicam novas possibilidades cênicas com a utilização dos lixos da rua. Após a apresentação, a dupla da Caravana Tapioca promove um bate-papo com as comunidades onde serão discutidos o tema da apresentação e o fazer artístico. “Isso aproxima a gente da plateia, que estimula o desenvolvimento do pensamento crítico e é algo com o que a gente aprende muito também”, defende a atriz, sobre a troca.


Veja Também