Notícia Caso Aldeia

Funcionária da família diz que esposa de médico é 'fria e dissimulada'


Publicado em 12.07.2018 , às 10:13

Por TV Jornal

Reprodução/TV Jornal

A polícia continua as investigações do caso do médico encontrado morto em Aldeia, Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife. A esposa e o filho mais velho de Denirson Paes, 54 anos, são os principais suspeitos pela morte do cardiologista. A produção do Notícias da Manhã teve acesso aos depoimentos do filho mais novo do casal, que foi ouvido pela polícia e liberado, e também de uma das funcionárias que trabalhava para a vítima. 

Para a polícia, a empregada contou que conhecia bem a rotina da família e que o casal tinha brigas constantes, sempre por causa de dinheiro. Ela descreveu o Denirson como um bom marido e um pai excelente, e que ele teria planos de se mudar da casa. A empregada descreveu a esposa do médico, a farmacêutica Jussara Paes, como uma pessoa fria, dissimulada e mentirosa.

Em relação ao filho mais velho, ela disse que ele passou a tomar remédios para depressão depois do feriado de Corpus Christi, data do desaparecimento do pai. No depoimento, ela afirmou que, quando voltou da folga dada pela patroa, notou que havia obras para vedar o poço.

O filho mais novo do casal contou aos investigadores que estava trabalhando, quando recebeu a notícia da morte do pai, por mensagens de amigos. Ele disse também que, ao saber do que tinha acontecido, passou mal e precisou ser medicado. Informou que o relacionamento na família não era ruim, mas não era afetuoso e fraterno.

Ele acrescentou que, no dia anterior à data de desaparecimento do pai, os dois conversaram e Denirson falou sobre uma possível separação do casal. Sobre o irmão, o rapaz disse que ele tomava remédios para depressão, porque não estava tendo sucesso na profissão. Entre outras declarações, disse que não admite a possibilidade de envolvimento da mãe e do irmão no assassinato do pai. Para a polícia, tudo indica que o filho mais novo não teve participação no crime.

Habeas Corpus

Nessa quarta-feira (11), o advogado da esposa e do filho mais velho do médico, principais suspeitos pelo crime, entrou na justiça com pedido de habeas corpus para os dois. Eles estão presos desde o dia cinco de julho. No documento, o advogado dos suspeitos, Alexandre Oliveira, sugere que a mulher do médico, Jussara Rodrigues Silva Paes e o filho mais velho do casal, Danilo Rodrigues Paes, fiquem em prisão domiciliar em outra casa da família, no bairro de Aldeia, até que saia uma nova ordem judicial.



O advogado alega que “faltam elementos para a prisão temporária". O pedido será julgado por três desembargadores. Após um consenso, um desembargador relator dará a decisão.

DNA confirma

A Polícia Civil de Pernambuco confirmou, através de exame de DNA, que os restos mortais encontrados no condomínio residencial Torquato Castro, no km 12 de Aldeia, em Camaragibe, no Grande Recife, eram do médico e advogado Denirson Paes da Silva, de 54 anos. O resultado foi divulgado à imprensa na tarde desta terça-feira (10). O médico estava desaparecido há cerca de um mês. O cadáver de Denirson foi achado, na última quarta-feira (4), esquartejado, com sinais de carbonização e em estado avançado de decomposição. Os restos mortais estavam dentro de um poço com cerca de 25 metros de altura, localizado ao lado de sua residência.

Segundo a Polícia Civil, até esta terça-feira (10), foram feitas três retiradas de partes dos restos mortais da vítima que estavam no poço. As buscas são realizadas com o apoio do Corpo de Bombeiros e sob os cuidados do Instituto de Criminalística. As autoridades afirmaram ainda que nas duas últimas coletas feitas pelas equipes, o corpo estava coberto por camadas de areia, materiais de limpeza, como cloro, e tijolos. Os produtos teriam sido depositados no local na tentativa de ocultar o odor de decomposição do cadáver.

A Polícia Civil reafirmou, inclusive, que existem fortes indícios de que o crime tenha sido premeditado. A esposa da vítima, Jussara Rodrigues Silva Paes, 54, e o filho mais velho do casal Danilo Rodrigues Paes, 23, são os principais suspeitos do crime, mas as autoridades não descartam a participação de outras pessoas no assassinato do médico. Os dois estão presos temporariamente, acusados de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O filho mais novo do casal, de 20 anos, não é apontado nas investigações como participante do crime.

Vestígios de sangue

Perícias realizadas na casa da vítima identificaram sinais de sangue em dois banheiros e em um corredor. Foi no banheiro social que os peritos encontraram mais marcas de sangue. No corredor, que fica entre o banheiro e a cacimba onde foram identificados os restos mortais já em avançado estado de decomposição, existe sinal de arrastamento. Em outro banheiro, mais utilizado pelo filho mais velho do casal, também foram detectadas marcas de sangue.

Relembre o caso

O corpo de Denirson Paes da Silva foi encontrado no fundo de um poço que pertence à casa onde morava com a família no dia 4 de julho. Os investigadores chegaram à residência do médico depois que a própria esposa prestou queixa, no dia 20 de junho, do desaparecimento do marido. No boletim de ocorrência a mulher alegava que a última informação sobre o paradeiro do marido era de que ele havia embarcado numa viagem internacional no começo do mês e desde então não havia entrado em contato com a família. Entretanto, durante as investigações, a Polícia Civil identificou que o cardiologista estava desaparecido desde o dia 31 de maio e que a viagem citada havia sido desmarcada pela própria vítima. O enterro dos restos mortais do médico ainda está sem data marcada por causa da necessidade de haver mais detalhes da ocorrência. 


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