Análise

Caso Patrícia Roberta: frieza do suspeito, possível planejamento do crime e morte por asfixia; veja o que diz a perícia


A perita que examinou o corpo diz que o suspeito tem características de frieza e descreve sua maneira de ocultar o cadáver. Corpo teria passado horas no apartamento

Karina Costa Albuquerque Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Publicado em 28/04/2021 às 11:12
Reprodução/Redes sociais
FOTO: Reprodução/Redes sociais
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O jovem tatuador suspeito de assassinar a jovem pernambucana Patrícia Roberta Gomes da Silva, de 22 anos, em João Pessoa, na Paraíba, foi preso na noite dessa terça-feira (27). A polícia investiga se a morte de Patrícia Roberta teria sido provocada por algum tipo de ritual.

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Frieza

A perita que examinou o corpo diz que o suspeito tem características de frieza, pela maneira como tentou ocultar o cadáver. Ele fez tudo de forma que levou tempo e até é possível que tenha havido planejamento.

"O saco usado foi um saco de colchão. E eu não vi colchão novo na residência, então ele foi buscar. Ele teve um tempo para esse preparo. Estava extremamente organizado. Isso é uma característica importantíssima da personalidade", afirmou.

"Esse corpo teria vindo a óbito há, pelo menos, 48 horas. Isso nos leva a pensar que o corpo foi morto e permaneceu um tempo naquela residência e, só depois, foi transportado", detalhou.

Causa da morte

A polícia trabalha com a hipótese de asfixia. Segundo a perita Amanda Melo, Patrícia não foi atingida por tiros, armas ou golpes na cabeça. "Lesões por projéteis de arma de fogo, lesão por arma branca, não tem. Afundamento de crânio também não. Estou trabalhando inicialmente com a hipótese de asfixia mecânica".

Prisão

O suspeito de assassinar a jovem pernambucana Patrícia Roberta Gomes da Silva, de 22 anos, em João Pessoa, na Paraíba, foi preso na noite dessa terça-feira (27). A informação foi confirmada pelo comandante da Polícia Militar da Paraíba, coronel Euller Chaves.

A prisão aconteceu em uma casa, no bairro Mangabeira 3, em João Pessoa, e foi conduzida pelo coronel do 5º BPM, Marcos Barros.

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O suspeito

O suspeito de matar Patrícia Roberta é um tatuador Jonatan Henrique dos Santos, de 23 anos. Ele foi encontrado por profissionais da Força Tática do 5ª Batalhão da Polícia Militar. Antes, a Polícia chegou a um amigo do suspeito, que teria "informações importantes" a respeito da morte da pernambucana. Ele foi conduzido para a Central de Polícia de Homicídios de João Pessoa. O capitão Rosemberg disse que o amigo negou contato com o tatuador, nos últimos dias.

De acordo com a imprensa paraibana, a motocicleta que transportou o corpo para a área de mata foi apreendida.

Confira a cobertura completa

Cobertura completa do caso pode ser conferida no Bronca 24h desta quarta-feira, a partir do minuto 4.

Apartamento

De acordo com informações repassadas pela perita Amanda Melo, no apartamento do suspeito foram encontrados dois livros de rituais, o caderno com vários nomes de mulheres, incluindo o de Patrícia, além de tênis e fronha sujos de sangue.

Ainda segundo a perita, também foram encontrados vários pertences da vítima, em um tambor de lixo, em frente ao condomínio, dentre eles um travesseiro de pescoço utilizado em viagens.

O desaparecimento de Patrícia Roberta

A jovem de 22 anos identificada como Patrícia Roberta Gomes da Silva foi encontrada morta nessa terça-feira (27). Segundo a família, Patrícia saiu de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, na sexta-feira (23), por volta das 17h, para encontrar um suposto amigo em João Pessoa, capital da Paraíba. O último contato da jovem com os pais foi às 12h do domingo.

Patrícia havia informado aos familiares que retornaria na segunda-feira (26), mas os pais acharam estranho a falta de contato da jovem, desde o domingo (25), já que eles se falavam sempre, desde que a jovem saiu de casa, na sexta-feira (23).

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Estudam juntos há mais de 10 anos

Segundo a mãe da garota, ela e o amigo que havia ido visitar estudam juntos há mais de dez anos, em um colégio de Caruaru. Desde que o garoto se mudou para João Pessoa, eles mantinham contato apenas pelas redes sociais.

Em entrevista ao NE10 Interior, a prima de Patrícia, Karen Melo, disse que, na última semana, a jovem havia falado com ela pedindo ajuda para comprar uma passagem de ônibus, e informou à família que ia viajar para João Pessoa.

Na última mensagem trocada com a mãe, Patrícia Roberta diz que o amigo comprou as passagens para voltar com ela a Caruaru.

Buscas

Os pais da pernambucana foram até João Pessoa para tentar encontrar a filha, seguindo fotos passadas por Patrícia da casa do garoto, onde supostamente estava hospedada.

Após prestar queixa do desaparecimento da filha, o pai da jovem, Paulo Roberto, foi procurá-la por conta própria.

“Eu saí junto com dois colegas que estavam apoiando a gente aqui [João Pessoa]. Chegando no endereço, a luz do apartamento estava acesa e pela foto que ela mandou eu identifiquei que era o apartamento que ela estava”, afirmou.

Paulo permaneceu no local até por volta das 23h30, mas ninguém no imóvel atendia ao chamado. Segundo ele, um vizinho confirmou que o jovem apresentado por Paulo em uma foto das redes sociais morava no local, e que havia uma menina com ele.

Suspeito é visto por vizinho

Na manhã desta terça, as equipes de investigações tiveram acesso a imagens que mostram uma moto passando rapidamente em uma rua. No vídeo, é possível notar que há algo semelhante a um saco plástico. Um vizinho do suspeito relatou à polícia que chegou a ver o momento em que o homem saiu com um corpo, dentro de um tambor, em um carro de mão. No entanto, esse carro de mão teria quebrado e ele colocou o corpo da jovem em uma motocicleta.

O corpo da jovem foi encontrado em avançado estado de decomposição, próximo ao condomínio onde o suposto amigo e principal suspeito mora, amarrado com fita adesiva e enrolado em um saco plástico.

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