EUA

Cristão que perdeu a mãe no massacre em Buffalo desabafa: "esperam que façamos isso de novo, perdoar e esquecer"

Ruth Whitfield tinha 86 anos e foi uma das 10 vítimas do atirador que invadiu supermercado

Emília Prado
Emília Prado
Publicado em 17/05/2022 às 18:55
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Matt Rourke/AP
Coletiva de imprensa foi organizada pelos familiares de Ruth Whitfield - FOTO: Matt Rourke/AP
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Garnell Whitfield é filho de uma das dez pessoas que foram mortas por um supremacista branco no último sábado (13), em Buffalo, nos Estados Unidos. Ruth Whitfield tinha 86 anos e deixou marido, filhos e netos.

Visivelmente abalado com a perda, Garnell e a família, que costuma ser reservada, decidiram fazer uma coletiva de imprensa em memória de Ruth para exigir mudanças policiais.



O filho da vítima, que é bombeiro, refletiu sobre a fé cristã e a conduta moral da sua mãe e da família, considerada exemplar pela comunidade. Garnell enfatiza que eles não devem se desculpar pela raiva que estão sentindo neste momento de luto.

"O fato dela ter sido tirada de nós e tirada deste mundo por alguém cheio de ódio, por motivo nenhum, é muito difícil de lidar neste momento. Não nos desculpamos por nosso sofrimento e dor, não vamos nos desculpar por isso. Mas não estamos apenas machucados, estamos com raiva, irritados", disse aos jornalistas.

O bombeiro revelou como a sociedade espera que eles, como cristãos, perdoem o assassino e esqueçam do crime de ódio, que se repete frequentemente nos país norte-americano e em todo o mundo.

"Isso não deveria ter acontecido. Nós fazemos o nosso melhor para sermos bons cidadãos, boas pessoas, nós acreditamos em Deus, nós tratamos as pessoas com decência. Nós amamos até os nossos inimigos e vocês esperam que façamos isso de novo e de novo, perdoar e esquecer."

Massacre em supermercado deixou 10 mortos

No último sábado (13), um homem branco de 18 anos entrou armado em um supermercado de um bairro predominantemente negro da cidade de Buffalo. O atirador disparou dezenas de vezes, matando dez pessoas e deixando três feridas. Das 13 vítimas, 11 eram pessoas negras.

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