CASO MIGUEL

Caso Miguel: Polícia Civil deverá concluir investigações até a próxima quinta-feira (11)

O garoto de cinco anos morreu após cair do 9º andar de um prédio no Recife

Caso Miguel: Polícia Civil deverá concluir investigações até a próxima quinta-feira  (11)

Miguel tinha apenas 5 anos e, segundo a polícia, sua morte foi causada após negligência da patroa de sua mãe - Foto: Reprodução/ Redes Sociais

A Polícia Civil de Pernambuco deverá concluir, até a próxima quinta-feira (11), as investigações sobre a morte de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos. O garoto morreu na última terça-feira (2), após cair do 9º andar de de um edifício no bairro de São José, área central do Recife. A primeira dama do município de Tamandaré, Sarí Corte Real, patroa da mãe de Miguel, foi autuada por homicídio culposo - quando não há intenção de matar - por deixar a criança sozinha no elevador momentos antes do acidente.

No início da próxima semana, o delegado responsável pelo caso, Ramom Teixeira, também ouvirá mais testemunhas. Além disso, ele aguarda os laudos das perícias para conclusão do inquérito. Por lei, o prazo de conclusão das investigações é de dez dias após a prisão em flagrante.

OAB seleciona advogada para acompanhar inquérito

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) designou a advogada Maria José Amaral para acompanhar o inquérito da morte de Miguel. A dona do apartamento onde a mãe de Miguel trabalhava foi autuada por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), mas liberada ao pagar fiança de R$ 20 mil. 

Protesto

A morte de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, na última terça-feira (02), após cair do 9º andar do condomínio de luxo Píer Maurício de Nassau, conhecido como Torre Gêmeas, localizado no bairro de São José, área central do Recife, causou comoção nacional. Em busca de justiça, manifestantes se reuniram com os familiares da criança e fizeram um protesto, nessa sexta (5), em frente ao local da tragédia.

"Se fosse o filho dela? Minha irmã já estava na cadeia", diz tia de Miguel em protesto no Recife

Mesmo abalada, uma das tias do pequeno, Renata Sousa, foi até o local do protesto e pediu que a justiça seja feita depressa. Além disso, ela ainda relatou que o sonho do menino foi interrompido brutalmente. 

"Se fosse o filho dela? Se fosse o contrário? Minha irmã já estava na cadeia por causa dela. Por causa de um capriche de uma madame, meu sobrinho está morto hoje. Eu quero justiça pela minha irmã, justiça pelo meu sobrinho, de 5 anos. Ele era uma criança cheia de sonhos que foi interrompido por uma madame. Foi interrompida a vida do meu sobrinho. Ela destruiu uma família, ela despedaçou todos nós e a gente só quer a justiça", afirmou.

Marcas da sandália de Miguel ficam em equipamento escalado antes da queda 

Nessa sexta-feira (05), a reportagem da TV Jornal mostrou o local por onde passou o garoto Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, antes de cair do 9º andar, na última terça-feira (2). Após sair do elevador de serviço no 9º andar do prédio, procurando pela mãe, Miguel abriu a porta que dá acesso ao hall onde ficam os condensadores de ar condicionado. Em seguida, ele caminhou pelo corredor e subiu em uma janela. Nas imagens, é possível perceber as marcas da sandália que menino usava em um dos condensadores.

Ele teria passado pelos equipamentos, ido até a grade de proteção e pisado em uma das hastes, que não aguentou o peso, quebrando. Foi então que ele caiu de uma altura de 35 metros.

Faltou paciência, diz mãe de Miguel

"Infelizmente, faltou um pouco de paciência dela para tirar o meu filho de dentro do elevador. Se ela tivesse um pouquinho mais de paciência, se ela tivesse pego ele pela mão, ao invés de ficar só falando, pegasse ele pela mão e tirasse [ele do elevador], meu filho tava hoje comigo", desabafou a empregada doméstica Mirtes Renata Santana da Silva, mãe do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, sobre a patroa, que foi autuada por homicídio culposo.

 

Pai de Miguel faz questionamento

A tristeza que tomou conta da mãe do menino Miguel Otávio Santana da Silva não foi menor para o pai. Indignado com a perda do filho. Ele cobrou mais investigações sobre o caso e quer que a dona do apartamento onde a mãe do menino trabalhava explique tudo o que aconteceu.

‘’A gente vai correr atrás (de justiça). Hoje foi meu filho, estou com dor, mas vamos correr atrás e descobrir o que houve. Vamos querer saber tudo. A patroa dela tem que explicar. Tem que explicar por que deixou o menino só? Por que não deixou o (filho) dela só e deixou o meu?’’, questionou. 

Patroa pede perdão à mãe de Miguel

Autuada por homicídio culposo - liberada ao pagar fiança de R$ 20 mil - Sarí Corte Real  se pronunciou pela primeira vez sobre a morte do menino Miguel Otávio Santana da Silva e pediu perdão para  Mirtes Renata, mãe do menino de 5 anos, que morreu após cair do 9º andar do condomínio de luxo Píer Maurício de Nassau, conhecido como Torres Gêmeas, na área central do Recife, na última terça-feira (02). Leia a carta na íntegra abaixo:

Carta a Mirtes

Como mãe, sou absolutamente solidária ao seu sofrimento. Miguel é e sempre será um anjo na sua vida e na sua família. Não há palavras para descrever o sofrimento dessa perda irreparável. Nunca, mas nunca mesmo, pude imaginar que qualquer mal pudesse acontecer a Miguel, muito menos a tragédia que se sucedeu. Te peço perdão. Não tenho o direito de falar em dor, mas esse pesar, ainda que de forma incomparável, me acompanhará também pelo resto da vida. Estou sendo condenada pela opinião pública como historicamente outros foram. As redes sociais potencializam o ódio das pessoas. Tenho certeza que a Justiça esclarecerá a verdade. Na nossa casa sempre sobrou carinho e amor por você, Miguel e Martinha. E assim permanecerá eternamente. Rezo muito para que Deus possa amenizar o seu sofrimento e confortar seu coração.
Sarí Gaspar

"Profundamente abalado", diz prefeito de Tamandaré e marido de Sarí

Por meio de nota, a Prefeitura de Tamandaré informou, nesta sexta-feira (5), que o prefeito da cidade, Sérgio Hacker Corte Real, se encontra "profundamente abalado" pela morte do garoto Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, na última terça-feira (02). O garoto morreu após cair do 9º andar do prédio em que o prefeito mora com a esposa, Sari Corte Real, que foi autuada por homicídio culposo - quando não há intenção de matar - por deixar a criança sozinha no elevador momentos antes do acidente.

Mãe e avó de Miguel constavam como funcionárias da prefeitura de Tamandaré

O vice-prefeito do município de Tamandaré, Raimundo Nonato (PTB), confirmou, nesta sexta-feira (5), que a mãe de Miguel, Mirtes Renata Santana de Souza e a avó, Marta Maria Santana Alves, constavam como funcionárias da prefeitura da cidade.

Segundo Nonato, já foi protocolado um pedido de investigação contra Sérgio Hacker ao Ministério Público de Pernambuco, entre outras entidades, pela existência de três funcionárias da família que constavam como servidoras públicas da Prefeitura de Tamandaré, entre elas, a mãe e a avó de Miguel.

Paulo Câmara se pronuncia

O Governador de Pernambuco, Paulo Câmara, falou sobre a morte do menino. Em mensagem divulgada nas redes sociais, ele afirmou que a investigação e esclarecimento do caso “devem acontecer no prazo mais breve possível”.

"Não foi mera fatalidade"

Segundo o Gabinete de Assessoria Jurídica ás Organizações Populares (Gajop), a morte da criança não foi uma mera fatalidade e que o fato da mãe estar trabalhando durante a pandemia por si só já era uma irregularidade. O gabinete se colocou à disposição pra ajudar judicialmente a família.

Relembre o caso 

De acordo com o perito André Amaral, as imagens do circuito interno de segurança mostram que a criança saiu do quinto andar, entrou no elevador sozinho e subiu até o nono andar. Lá, ele teve acesso ao hall de serviço onde fica o condensador de ar condicionado. Ainda segundo o perito, o menino teria escalado o guarda peito de metal e caiu de uma altura de 35 metros. “Tinha marca de sandália e caracteriza de 1,20 m que é a altura da vítima”, disse. “Na área de acesso lá [no 9º andar], a janela estava aberta, não tinha nenhuma proteção, qualquer pessoa tem acesso, mas não era uma coisa comum ter um acesso a uma criança naquele trecho (...) Verificamos que se trata de uma natureza acidental”, completou. Testemunhas relataram que o menino estava procurando a mãe, ainda conforme o perito.

O corpo da vítima foi liberado do Instituto de Medicina Legal (IML) na manhã desta quarta-feira (3) e o sepultamento aconteceu nesta tarde no cemitério de Bonança, distrito de Moreno, cidade da Região Metropolitana do Recife.

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