Notícia Violência

Mulher denuncia agressão por causa de opiniões políticas no Recife


Publicado em 11.10.2018 , às 12:38 / Atualizado em 11.10.2018 , às 13:01

Por TV Jornal

Reprodução/TV Jornal

O crescimento da violência gerada pelas divergências políticas no Brasil também atingiu Pernambuco. Na Zona Norte do Recife, uma funcionária pública denunciou que foi vítima de agressão enquanto acompanhava a apuração dos votos, no último domingo (7), em um bar, no bairro de Cajueiro.

De acordo com o laudo médico, a produtora sofreu uma fratura no punho direito, múltiplos traumatismos na cabeça, no rosto e no braço esquerdo. Lesões graves provocadas por uma série de agressões. Ainda segundo o relato, ela usava bótons e adesivos em apoio ao então candidato à presidência, Ciro Gomes, do PDT.

Segundo a vítima, ela foi agredida por uma mulher, que estava acompanhada de três homens. Os quatro se diziam eleitores o candidato Jair Bolsonaro, do PSL, e os homens impediram que a vítima fosse salva das agressões, enquanto faziam ameaças. Segundo ela, um deles teria dado a entender que estava armado.

Durante as agressões, Paula conseguiu fazer um vídeo identificando os suspeitos. Ela contou ainda que só não morreu, porque os garçons conseguiram escondê-la na cozinha do bar. A vítima vai prestar depoimento à polícia na tarde desta quinta-feira (11).



Veja o relato

Violência no país

Crimes de ódio, com motivação política, têm acontecido com cada vez mais frequência nos últimos dias, no Brasil. Também no último domingo, um capoeirista foi morto em Salvador. O agressor foi preso e contou à polícia que se irritou ao perceber que a vítima criticava o candidato Jair Bolsonaro, do PSL. Conhecido como Moa do Katende, o homem foi esfaqueado. Ele chegou a ser levado a um hospital, mas não resistiu. Em Maceió, também no domingo (7), outra mulher foi agredida ao declarar ser contra o candidato do PSL. As agressões foram praticadas por três pessoas, que fugiram em um carro.

Clima pesado

Para a cientista política, Priscila Lapa, esse clima de ódio não deve ser considerado normal e precisa ser contido o quanto antes pelas instituições públicas. Ela ressalta ainda que as vítimas devem denunciar as agressões e, principalmente, os agressores. 

"As pessoas estão saindo da esfera da política, de você combater as ideias um adversário. Elas elegeram um inimigo. Então, qualquer pessoa que se manifeste contra o que você acredita, que você defenda como verdade, se torna um inimigo. É uma responsabilidade muito grande de quem está na disputa agora de não aumentar esse tom, de trazer para um tom de normalidade. O que é normal em uma disputa acirrada? Que as pessoas combatam com ideias", afirma.