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Casas são demolidas e famílias ficam sem moradia no Jiquiá


Publicado em 08.11.2018 , às 12:22

Por TV Jornal

Reprodução/TV Jornal

No bairro do Jiquiá, Zona Oeste do Recife, 20 casas foram destruídas pela Prefeitura. Os moradores denunciaram que não havia mandado judicial e estão preocupados, porque os representantes do governo prometeram voltar para concluir as demolições.

Na comunidade Aliança com Cristo, o sentimento é de tristeza. A família do desempregado Valmir Félix da Silva foi uma das 20 que tiveram as casas demolidas na ação. O imóvel estava em fase final de construção, e eles já se preparavam para morar na casa, quando foram surpreendidos pelas máquinas.

"Gastamos de R$ 25 mil a R$ 30 mil nessa base, pelo tempo que eu venho gastando na minha casa. Não mostraram mandado nenhum, nem disseram nada, chegaram e danaram spray de pimenta, tiraram a força. Minha mulher desmaiou umas cinco vezes. Pedi ajuda. Quiseram me levar preso", relatou.

A ação

Segundo os moradores, guardas municipais, policiais militares e representantes da prefeitura chegaram ao local sem aviso Eles não teriam apresentado mandado judicial que autorizasse a ação de demolição, que deve ser retomada em 48h. A comunidade existe há 5 anos, e todos os imóveis demolidos ainda estavam em construção.



Segundo a coordenadora estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Elisângela de Jesus, a justificativa para a demolição é de que as casas estavam sendo construídas em área de mangue, mas essa informação estaria incorreta. "Aqui não tem mangue. O mangue fica para lá", afirmou.

Até materiais de construção foram levados pela prefeitura para um local não informado. Na comunidade ainda existem inúmeras outras casas, muitas já com moradores, que estão preocupados.

Resposta

Por meio de nota, a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano do Recife informou que retirou construções inacabadas e desocupadas de uma área de mangue, no Jiquiá. A instalação na área se configura como crime ambiental. Sobre o material de construção dos moradores, a secretaria não informou para onde tudo foi levado.