Maria Farinha

'Isso não se faz nem com bicho', diz mãe de adolescente morta em praia


A mãe da adolescente assassinada em Maria Farinha estava revoltada com o crime e a divulgação de vídeo nas redes sociais

Karina Costa Albuquerque Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Publicado em 26/06/2019 às 9:30
Reprodução/TV Jornal
FOTO: Reprodução/TV Jornal
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A família da adolescente de 14 anos assassinada na Praia de Maria Farinha, em Paulista, no Grande Recife, tenta agora liberar o corpo para o sepultamento. A mãe da menina chegou ao Instituto de Medicina Legal (IML) no início da noite dessa terça-feira (25), amparada pelo marido e pelo genro, que mantinha um relacionamento com a filha há quase um mês. Por causa do horário, não conseguiram liberar o corpo.

A adolescente estava morando com a mãe há um mês, no bairro dos Coelhos, área central do Recife. A mãe e o padrasto da jovem pedem justiça e acreditam que outras pessoas podem ter participado do crime.

Segundo o padrasto, a jovem não teria sido tirada de dentro da escola. "Pegaram ela na frente da escola", disse. Já a mãe, está revoltada com o crime. "O que ela fez foi uma maldade cruel e ainda botaram na rede social. Isso não existe. Isso a gente não faz nem com um bicho, imagine com um ser humano", desabafou.

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As suspeitas

Segundo a polícia, as responsáveis pela morte da menina, seriam duas adolescentes de 15 anos. Elas foram apreendidas na praia e encaminhadas para a Delegacia de Maria Farinha. De acordo com o delegado, durante um depoimento informal, as adolescentes relataram que elas tinham um envolvimento amoroso e a morte teria acontecido por causa de uma possível traição. O delegado do caso disse ainda que elas gravaram o vídeo com o propósito de divulgar o que tinham feito.

Ainda segundo o delegado, as adolescentes que já tem passagens pela Funase e estavam sob efeito de drogas. Em nota, a Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) informou que uma das adolescentes de 15 anos já havia passado pelo sistema socioeducativo, tendo cumprido medida de semiliberdade em 2018. Já a outra adolescente, também de 15 anos, chegou a dar entrada na instituição em 2017, mas, após um período de internação provisória, que dura até 45 dias, recebeu sentença da Justiça determinando o encaminhamento para a liberdade assistida, que é cumprida sem qualquer vínculo com a Funase.

A instituição reforçou que o índice de reincidência dos jovens atendidos no sistema socioeducativo em Pernambuco caiu mais de 20 pontos percentuais nos últimos dois anos, passando de 61,84%, em 2016, para 40%, em 2018. "Significa que seis de cada dez adolescentes não voltam a cometer atos infracionais após deixarem a fundação. A Funase trabalha para seguir melhorando esses indicadores, por meio do fortalecimento de eixos como a educação profissional. Só no ano passado, 2.207 socioeducandos foram incluídos em cursos profissionalizantes, o que se reverte em maiores oportunidades de reintegração social e inserção no mercado de trabalho", escreveu a Funase em nota.

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