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Brasil pode chegar a 88 mil mortes por coronavírus em agosto

Segundo a Opas, Américas são novo epicentro do coronavírus (covid-19). Na América do Sul, a principal preocupação é o Brasil

Brasil pode chegar a 88 mil mortes por coronavírus em agosto

Países das Américas já registram 2,4 milhões de casos e 143 mil mortes - Foto: Pixabay

Agência Brasil

As Américas são consideradas o novo epicentro da pandemia de covid-19, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Segundo a organização, nas Américas há 2,4 milhões de casos e mais de 143 mil mortes provocadas pela doença. Em entrevista coletiva semanal sobre o novo coronavírus, realizada de forma virtual, a Opas chamou a atenção para a associação da covid-19 com outras doenças não transmissíveis, como câncer, diabetes, hipertensão e obesidade.

A projeção é que o Brasil contabilize 88,3 mil óbitos em agosto deste ano, de acordo com a organização. A diretora da Opas, Carissa Etienne, disse que a entidade utiliza um modelo próprio de projeções diárias para respaldar a avaliação das necessidades dos países e que o modelo tem limitações, mas projeta cenários que variam de acordo com a resposta de cada país à pandemia.

"Na América do Sul, o Brasil, o Peru, o Chile, o Equador e a Venezuela seguem aumentando [os números de casos diários e mortes]. Bolívia e Paraguai mostram uma diminuição pequena. Mas, no Brasil, o modelo informa que as mortes diárias apresentam um aumento exponencial, chegando, no dia 4 de agosto, a 88,3 mil mortes. É o que se projeta", afirmou Carissa.

A América Latina ultrapassou a Europa e os Estados Unidos em número diário de infecções pelo novo coronavírus. São números menores do que a realidade, suspeitam os especialistas da Opas. A diretora ressaltou que dois dos três países no mundo com maior número de casos registrados se encontram atualmente nas Américas (Estados Unidos e Brasil).

"Na América do Sul, estamos especialmente preocupados com o número de casos novos registrados na semana passada no Brasil, que foi o mais alto durante um período de sete dias, desde que começou o surto. Peru e Chile registraram também uma alta incidência, sinal de que a transmissão ainda está acelerando nesses países", afirmou.

Segundo Carissa, para a maioria dos países das Américas, este não é o momento de flexibilizar as restrições e reduzir as estratégias de prevenção. "É o momento de seguir fortes, vigilantes e implementar agressivamente as medidas de saúde pública comprovadas. A vida e o bem-estar de milhões de pessoas em nossa região dependem disso."

Distanciamento

O vice-diretor da Opas, Jarbas Barbosa, ressaltou a importância das medidas de distanciamento para achatar a curva de contaminação do vírus e reduzir a velocidade de transmissão.

"Já temos experiências de países e cidades em que, quando a transmissão ocorre sem medidas para deter a velocidade [de propagação], os serviços de saúde podem e vão ter suas capacidades esgotadas. E é muito importante também revisar o que está acontecendo com a adoção das medidas, porque, para que se tenha sucesso, é importante a adesão da população. Ao mesmo tempo, tem que ampliar a capacidade de testar. Testar todos os pacientes suspeitos, os que tiveram contatos com esses pacientes e isolá-los de maneira adequada – essa é uma maneira muito efetiva de seguir detendo a transmissão do vírus. E o terceiro pilar é uma boa preparação dos serviços de saúde. Essa é a combinação que pode propiciar que o país tenha a redução que precisa", afirmou.

Barbosa destacou também a trajetória de propagação do novo coronavírus, começando na Ásia e se espalhando por Europa e América do Norte, chegando depois na América Latina.

"Os países da América Latina tiveram um período de preparação, e isso foi muito importante, pois muitos países implementaram seus planos e adotaram medidas de distanciamento social, que retardaram a transmissão. Mas, agora, temos uma transmissão muito forte e, por isso, é necessário chamar a atenção de todos os ministérios de saúde, para avaliar a efetividade das medidas que estão adotando. Vamos ter semanas duras por diante", disse o vice-diretor.

Informações corretas

O diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal, afirmou que a América Latina é uma região de grande iniquidade e destacou a importância de as pessoas receberem informações corretas. "Estamos em uma pandemia com um vírus muito difícil, mas também há muitas notícias falsas e é importante educar as pessoas sobre os fatos reais."

Espinal afirmou que a Opas está preocupada com Brasil e que o mais importante agora é aumentar o número de testes. "As previsões para o Brasil, não só no modelo da Opas, mas em vários modelos, mostra que a epidemia segue em aumento".

Associação a outras doenças

A diretora da Opas chamou a atenção para o impacto que o novo coronavírus tem em pessoas que sofrem de doenças não transmissíveis como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, asma e outras doenças respiratórias, além da obesidade.

"Nunca vimos uma relação tão nefasta entre uma doença infecciosa e as não transmissíveis. Alguns dados são verdadeiramente alarmantes, especialmente em nossa região, onde há muitíssimas doenças não transmissíveis. Estudos na China mostram que mais de 28% dos pacientes com câncer que contraíram a covid-19 morreram, comparado com somente 2% do total de pacientes. Há 1,2 milhão de pessoas que vivem com câncer na América Latina e no Caribe", relatou Carissa.

Outra fonte de preocupação é com os fumantes. "Fumar causa câncer, doenças pulmonares e está associado diretamente à redução da capacidade respiratória. Aliás, fumar aumenta a probabilidade de se desenvolver uma doença grave, resultado da covid-19. Cerca de 15% dos adultos nas Américas ainda fumam e podem enfrentar esse risco."

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O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

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A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização.
  • Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (mascára cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).
  • Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

Confira o passo a passo de como lavar as mãos de forma adequada: 

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