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Após caso em jogo da Champions League, relembre atos de racismo no futebol do Brasil


Jogadores do PSG e do Istambul pararam partida em protesto; casos de racismo tiveram grande repercussão nos últimos anos no futebol

Priscila Miranda
Priscila Miranda
Publicado em 09/12/2020 às 9:01
Franck Fife/AFP
FOTO: Franck Fife/AFP
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Na última terça-feira (9), repercutiu mundialmente a histórica decisão tomada pelos jogadores do PSG e do Istanbul pela última rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. Na ocasião, os atletas abandonaram a partida e deixaram o campo, acusando racismo do quarto árbitro, o romeno Sebastian Coltescu, contra um membro da comissão técnica do time turco, o camaronês Pierre Webo.

Entre os apoiadores da atitude, está o jogador do PSG Neymar, que postou em suas redes sociais uma foto com um punho fechado e a frase "Black Lives Matter", que em português quer dizer "Vidas Negras Importam".

Com o protesto dos jogadores, a partida foi encerrada e a Uefa confirmou que o jogo será retomado nesta quarta (9), com nova equipe de arbitragem. Além disso, a organização anunciou que abriu investigações para apurar os acontecimentos envolvendo o quarto árbitro.

No Brasil, vários casos envolvendo racismo durante partidas de futebol já repercutiram bastante ao longo dos anos. Relembre alguns deles abaixo:

Um dos mais famosos aconteceu com o ex-goleiro Aranha, em 2014, que na época defendia o Santos em uma partida contra o Grêmio. Torcedores do time gaúcho foram flagrados proferindo xingamentos racistas contra ele. Na época, o time chegou a ser excluído da Copa do Brasil.

Já o ex-jogador Grafite, que jogou no Santa Cruz, sofreu em campo com o racismo, no primeiro caso que ganhou mais repercussão no futebol sul-americano. Em 2005, quando defendia o São Paulo em partida da Copa Libertadores, o então atacante foi chamado de "negro de merda" pelo zagueiro argentino Desábato, do Quilmes. Grafite acabou expulso pela briga e o defensor recebeu voz de prisão ainda no Morumbi. Desábato passou duas noites na cadeia, pagou fiança de R$ 10 mil e pôde retornar à Argentina.

Na época, o atacante decidiu não prestar queixa-crime, mas hoje diz que conduziria o caso de forma diferente. Nesta entrevista ao Estadão, Grafite admite que é difícil para esportistas se posicionarem contra o preconceito e torce para que o engajamento atual se torne permanente.

Casos com times de Pernambuco

Em 2019, o jogador Rafael da Costa, então com 17 anos, foi vítima de injúria racial. O atleta do sub-20 do Sport estava atuando em partida do Estadual, contra o Barreiros Futebol Clube, quando foi chamado de "macaco". Após o caso, o ex-goleiro do Santa Cruz, Náutico Nilson, que atualmente é técnico, mandou mensagem de apoio ao jovem, pois também foi vítima do mesmo tipo de crime. Em muitas partidas do tricolor do Arruda contra o Náutico, a torcida alvirrubra entoava cânticos imitando um macaco para tentar intimidá-lo. Este ano, Nilson virou protagonista da campanha do Náutico contra o racismo, com o lançamento de uma camisa preta.

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