NOVO CORONAVÍRUS

Covid-19: Após quase 1 ano da doença no estado, secretário diz que próximos 90 dias ainda serão difíceis

"Observamos, ao longo da última semana, maior pressão sobre a rede de saúde, chegando, em alguns momento do dia, à marca de 90% de ocupação", disse André Longo

Covid-19: Após quase 1 ano da doença no estado, secretário diz que próximos 90 dias ainda serão difíceis

Secretário estadual de Saúde, André Longo - Foto: Hélia Scheppa/SEI

Com informações da Coluna JC Saúde e Bem-Estar do JC

Nesta quinta-feira (25), Pernambuco completa um ano da primeira notificação de caso suspeito da covid-19. Já as primeiras confirmações foram de um casal de idosos, anunciadas no dia 12 de março. Durante coletiva de imprensa hoje, o secretário Estadual de Saúde, André Longo, informou que "não é momento de fazer avaliação (deste período); estamos em pleno curso da pandemia, estamos em constante movimento do ponto de vista de adoção de medidas (restritivas)". Ao ressaltar que o mundo vive a maior crise sanitária do século, Longo destacou que Pernambuco buscou dar uma resposta à altura, "com a maior mobilização de equipamentos, insumos e recursos humanos". As informações são da repórter Cinthya Leite, da coluna JC Saúde e Bem-Estar. 

Apesar dessa mobilização, o secretário destacou que gostaria de "estar fazendo um balanço final da pandemia, mas ela ainda não acabou". A contar do início da pandemia, Pernambuco totaliza 295.681 casos confirmados da doença, sendo 32.315 graves e 263.366 leves, que estão distribuídos por todos os 184 municípios pernambucanos e pelo arquipélago de Fernando de Noronha. Além disso, o Estado acumula 10.926 mortes pela covid-19.

"Ainda temos muito trabalho, precisamos contar com o apoio decisivo da sociedade pernambucana para ultrapassar este momento novo de dificuldade e esperar a ação da vacina. É preciso que toda a população entenda que esses próximos 90 dias serão difíceis e que nós vamos precisar estarmos juntos novamente nesta adversidade. Acreditamos que a vacina vai fazer a diferença. Estaremos trabalhando para minimizar os impactos desse novo recrudescimento da pandemia", garantiu Longo.

Ocupação dos leitos

A ocupação das unidades de terapia intensiva dedicadas a infectados pelo novo coronavírus no país chegou ao pior nível desde o início da pandemia, alerta o Boletim Observatório Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado hoje (26). 

A proporção de leitos ocupados passou de 80% em 12 estados e no Distrito Federal, e 17 das 27 capitais do país também estão com percentual nesse patamar, chamado de "zona de alerta crítica" pelos pesquisadores. 

O percentual de leitos ocupados passa dos 90% no Amazonas (94,6%), Ceará (92,2%), Paraná (91,9%), Rondônia (97,1%) e Santa Catarina (93,4%). Entre 80% e 90%, estão Acre (88,7%), Distrito Federal (87%), Goiás (89,2%), Pernambuco (85%), Rio Grande do Norte (81,4%), Rio Grande do Sul (83,6%) e Roraima (82,2%)

As 17 capitais na zona de alerta de crítica para a ocupação das UTIS são: Porto Velho (100,0%), Rio Branco (88,7%), Manaus (94,6%), Boa Vista (82,2%), Palmas (80,2%), São Luís (88,1%), Teresina (93,0%), Fortaleza (94,4%), Natal (89,0%), Recife (80,0%), Salvador (82,5%), Rio de Janeiro (85,0%), Curitiba (90,0%), Florianópolis (96,2%), Porto Alegre (84,0%), Campo Grande (85,5%) e Goiânia (94,4%). 

O boletim destaca que o país está em um patamar de intensa transmissão da covid-19, sem que nenhum estado apresente tendência de queda nas incidências de casos e óbitos. Em relação a mortalidade, 26 unidades da federação apresentam manutenção de um patamar elevado, "decorrente de exposições ocorridas no final de 2020 e em janeiro de 2021, com a ocorrência de festas de fim de ano, festivais clandestinos e intensificação de viagens". Roraima é o único com uma alta maior que 5%, com 5,3%. 

"A gravidade deste cenário não pode ser naturalizada e nem tratada como um novo normal. Mais do que nunca urge combinar medidas amplas e envolvendo todos os setores da sociedade e integradas nos diferentes níveis de governo", afirma o Observatório Covid-19 da Fiocruz.

Os pesquisadores lembram que o país está desde 17 de janeiro com uma média móvel de mais de mil mortes por dia, o que sobrecarrega profissionais e sistemas de saúde, o que impacta a qualidade dos serviços e a saúde mental e física dos trabalhadores. Pelo segundo dia seguido, o Brasil bateu ontem o recorde de mortes diárias por covid-19, com uma média de 1.148 mortes por dia nos últimos sete dias.

"Dentre os novos desafios, destacamos a chegada das vacinas e o lento processo de vacinação que vem se desenhando, combinado com o surgimento das novas variantes que envolvem tanto o potencial de serem mais transmissíveis, como contextos que favorecem a transmissão por conta da ausência de medidas de mitigação amplas, articuladas entre todos os setores da sociedade e integradas nos diferentes níveis de governo".

Prevenção ao coronavírus

O boletim reforça a necessidade de medidas que promovam o isolamento e o distanciamento físico, o uso de máscara em larga escala, a redução dos deslocamentos entre as cidades, a garantia de transporte adequado e a oferta de locais para quarentena. "Essas medidas deveriam envolver, além de legislações e decretos, campanhas para adesão da população às mesmas", afirma a Fiocruz, que pede planejamento para a adoção de medidas mais restritivas, assim como fiscalização mais efetiva e coordenação regional entre municípios.

"Algumas iniciativas municipais, apesar de coerentes com o momento atual da epidemia, podem acarretar efeitos contrários ao desejado, como o estímulo à circulação entre cidades, e a aglomeração de pessoas em poucos lugares de encontro, como alguns bares e pontos comerciais que permanecem abertos ou funcionam clandestinamente".

A Fiocruz alerta que a chegada das vacinas, para muitos, parece "trazer a sensação de que a pandemia está sob controle", o que se soma de forma "bastante grave" com o desgaste das medidas de distanciamento social  "por seus efeitos na economia, nas atividades de ensino e lazer, na vida cotidiana e familiar como um todo".

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