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Cesta básica mais cara: especialista dá dicas de como economizar


A mais recente Pesquisa Nacional da Cesta Básica do Dieese apontou que todos os produtos aumentaram de preço no Recife

Marcelo Felipe Alves Soares
Marcelo Felipe Alves Soares
Publicado em 12/05/2021 às 12:00
Nova loja do Arco-Mix vai inaugurar em Ipojuca  - Tião Siqueira / JC Imagem
FOTO: Nova loja do Arco-Mix vai inaugurar em Ipojuca - Tião Siqueira / JC Imagem
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A percepção de que tudo está mais caro é real. É o que revela a mais recente Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em 15 capitais. No Recife, todos os produtos que compõem a cesta apresentaram elevação nos preços no mês de abril, em relação ao mês de março, e o preço final chegou a R$ 471,52. Valor que compromete 46,34% do salário mínimo atual.

Para tentar diminuir esse impacto no orçamento, o economista André Morais, presidente do Conselho Regional de Economia de Pernambuco, aponta algumas saídas. A regra número um é fazer uma lista do que é preciso comprar. "O grande vilão é o supérfluo. Quando a gente foge do que estava programado o orçamento estoura", aponta André Morais.

De acordo com ele, outro ponto que é preciso ficar atento é o dia de fazer a feira do mês. O consumidor deve se organizar para fazer a compra mensal em datas alternativas, não necessariamente nos primeiros 10 dias do mês. "Os supermercados não vão fazer tantas promoções no início do mês quanto do meio para o fim. Se tem tanta gente comprando, eles vão abaixar o valor do produto por quê?" pontua André Morais.

A compra de frutas e verduras em feiras livres e de bairro é outro ponto que deve ser levado em consideração. Assim como a aquisição de produtos de limpeza e higiene pessoal nos chamados atacadão. "Produtos que não são perecíveis podem ser comprados em um volume maior. Quando se leva um produto em grande quantidade, a tendência é que o preço fique mais barato", finaliza o economista André Morais.

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Consumidor

Quem tenta seguir essas dicas é a cirurgiã dentista Rosa Maria. Os constantes aumentos fizeram com que ela adotasse estratégias para encaixar as compras no orçamento da família. "Eu tive que reduzir o consumo em casa. E também estou substituindo itens e marcas que costumava comprar", comenta Rosa Maria.

Quem também está sofrendo com os constantes reajustes é o aposentado Gutemberto Oliveira, que não sabe mais o que fazer para realizar a feira da casa. "É um absurdo. Chega a dar medo entrar no supermercado. O salário permanece o mesmo, mas tudo está mais caro", desabafa Gutemberto Oliveira.

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Todos os produtos que compõe a Cesta Básica apresentaram elevação nos preços médios no mês de abril, em relação a março, no Recife. O destaque ficou para a banana, que aumentou 9,75%, o açúcar, que subiu 3,54%, o óleo de soja, com reajuste de 3,24%, e a carne, que está 2,44% mais cara.

Banana é o produto que mais apresentou elevação no preço, de acordo com levantamento do Dieese
Banana é o produto que mais apresentou elevação no preço, de acordo com levantamento do Dieese
Tião Siqueira / JC Imagem

De acordo com a pesquisa do Dieese, para conseguir se alimentar e pagar todas as contas, o salário mínimo deveria ser equivalente a R$ 5.330,69. Valor 4,85 vezes maior que o piso atual, de R$ 1.100,00. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

No Recife, segundo o levantamento feito, é preciso uma jornada de trabalho de 94 horas e 18 minutos para comprar todos os itens básicos.

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