JOGO

Grupo de jovens da cidade do Paulista está desenvolvendo jogo voltado para crianças e adolescentes do espectro autista


O jogo TEAgether está em fase de desenvolvimento pela equipe feminina Phoenix, e pretende divertir e estimular a mente e o corpo dos jovens diagnosticados com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Caroline Cardilane
Caroline Cardilane
Publicado em 15/05/2021 às 9:00
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Inovação, tecnologia e inclusão são palavras chaves do projeto da Phoenix, equipe feminina formada por oito alunas do 1º ano do Erem Escritor José de Alencar, na cidade do Paulista. A equipe foi formada em março deste ano (2021) para participar do Torneio Sesi de Robótica, também conhecido como First Lego League, competição que busca estimular e inserir os jovens nas áreas de programação, ciência e tecnologia. Neste ano, o tema do torneio foi ‘O corpo em movimento’, e a equipe da Phoenix, com ajuda das orientadoras e coordenadores Jéssica ngela, Júlia Laís e Ricardo Araújo, propôs a criação de um jogo voltado para jovens diagnosticados com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais conhecido como Autismo.

Assim, nasce o projeto TEAgether, o nome faz referência a palavra ‘together’ do inglês, que significa "juntos/ reunidos''. O Professor Ricardo Araújo, coordenador das equipes de robótica do EREM Escritor José de Alencar, diz que a equipe da Phoenix quer proporcionar a inserção dos jovens do espectro autista no mundo dos jogos e da tecnologia. “A gente abraçou a ideia por que adoramos a iniciativa. Agora elas estão trabalhando para tocar o projeto para frente, conversando com programadores e designers de jogos”. A Técnica da equipe, Jéssica ngela, falou sobre a animação das participantes no processo de criação do projeto e acrescentou: “É uma honra trabalhar com uma equipe totalmente feminina, porque levamos representatividade para as competições”.

A maior preocupação da equipe era pensar em um projeto que estimula o físico e a mente dos jovens do espectro autista. Devido à pandemia da Covid-19, esse grupo passou a ficar mais tempo em casa, ficando sujeito ao sedentarismo, deixando até mesmo de frequentar as sessões de terapia, segundo a pesquisa realizada pela Phoenix. De acordo com a Psicopedagoga, Elisangela Gomes, a atividade física é de extrema importância para as pessoas diagnosticadas com o TEA: “A dança de modo geral contribui para maior qualidade de vida de todos. Para os diagnosticados com TEA, ela contribui para o desenvolvimento gestual e de habilidades rítmicas”.

Sobre o Jogo em desenvolvimento (TEAgether)

Pensado como uma atividade divertida e proveitosa para o aprendizado do corpo e da mente, o TEAgether é um jogo de dança que apresenta auxílio nas atividades cerebrais e funções corporais. Karen Roberta (14), uma das integrantes da equipe da Phoenix, comenta que durante o processo de desenvolvimento do projeto, um dos principais objetivos era deixar o jogo acessível, além de utilizar recursos adaptados à realidade dos diagnosticados com o transtorno: “Pensamos na dança como estímulo do corpo e da mente, e vamos adaptar sons e cores do jogo”.

O jogo vai possibilitar a interação com mais de uma pessoa, sendo possível que parentes e amigos também entrem na brincadeira com a criança ou adolescente. Esse formato foi pensado pela equipe da Phoenix para aproximar os familiares do jovem, além de ter como objetivo a inserção desse grupo no “mundo gamer”, que apresenta pouca diversidade em jogos adaptados. No conteúdo do TEAgether, as músicas serão leves, sem muitas batidas e com um volume ideal. As coreografias serão simples e com movimentos suaves, o que não deixa de ser um exercício estimulante para o cérebro e corpo. As cores do jogo também foram pensadas para não agitar os jovens do espectro autista, elas serão leves e sem exageros, tornando a experiência divertida e confortável.

O aplicativo do TEAgether será gratuito, mas para quem não puder ou quiser baixá-lo, o acesso poderá ser feito através do site, necessitando apenas de uma conexão de internet. No momento, a equipe da Phoenix está na etapa de desenvolvimento do projeto e estão se reunindo virtualmente para decidir os recursos utilizados no jogo. Devido à pandemia, a equipe precisou adiar o desenvolvimento do jogo, mas garantem que estão trabalhando para torná-lo realidade, no intuito de inserir cada vez mais crianças e adolescentes autistas no mundo dos jogos.

Sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA)

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 1 em cada 160 crianças apresentam o transtorno. No entanto, a média global não é confiável, e difícil de se obter, porque o diagnóstico não funciona da mesma forma em todos os países. Devido ao sancionamento da lei, que obriga a inclusão de informações de pessoas diagnosticadas com autismo no censo demográfico, feito pelo atual Presidente Jair Bolsonaro, no Brasil, não há números oficiais. O número estimado é de 2 milhões de brasileiros diagnosticados com o TEA.

A Psicopedagoga e especialista em TEA, Elisângela Gomes, explica que atualmente já é possível detectar o transtorno em bebês, a partir da observação de comportamentos como choro, receio à demonstrações de afeto, sensibilidade a barulhos, entre outros. Ainda de acordo com Elisângela, a escola é uma aliada importante para detectar e alertar aos pais sobre o comportamento da criança e dar início à procura por ajuda profissional.

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