Entrevista

''A ordem para atirar não aconteceu'', diz secretário sobre ação violenta da Polícia Militar em protesto no Recife

Até o momento, 16 policiais militares foram afastados após os atos durante o protesto contra Jair Bolsonaro no dia 29 de maio

Robert Sarmento
Robert Sarmento
Publicado em 07/06/2021 às 20:05
Felipe Ribeiro/JC Imagem
FOTO: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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O número de policiais militares afastados das atividades após a ação violenta durante um protesto contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no Centro do Recife, no dia 29 de maio, subiu para 16, sendo três oficiais da PM e 13 são praças. A informação foi divulgada pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS), nesta segunda-feira (07), em entrevista coletiva. O novo secretário de Defesa Social, Humberto Freire, relembrou que se tratam de inquéritos que estão sob sigilo.

"Já temos 16 policiais afastados. Doze já foram ouvidos. Durante toda essa semana diversos outros depoimentos estão programados, tanto na Corregedoria (da SDS), como no âmbito das outras investigações, que fazem parte do inquérito policial e inquérito policial militar", afirmou o secretário de Defesa Social. Leia mais na Ronda JC.

Ainda de acordo com o secretário, nenhuma perícia foi solicitada pela Corregedoria da SDS. Apesar disso, as investigações podem ser no âmbito da investigação criminal da Polícia Civil. Humberto Freire cumpre de forma interina o cargo na SDS. Ele foi colocado na função após a saída de Antônio de Pádua.

Ordem para atirar

Após a divulgação do documento que dá detalhes e nome de quem teria dado ordem para polícia agir em protesto no Recife, que acabou deixando dois trabalhadores cegos de um dos olhos, o secretário afirmou o seguinte:

> "Minha rotina mudou totalmente. É outra vida", diz adesivador que foi baleado no olho por policial

> Após deixar SDS, Antônio de Pádua diz que fatos em protesto 'precisam ser investigados de forma ampla e irrestrita'

"A ordem para atirar não aconteceu. A ordem, ou as ordens que se sucederam, foi de reforço no policiamento e de emprego daquele planejamento daquele efetivo. O efetivo do Batalhão de Choque, pré-posicionado, ele tem como ser empregado ou por uma determinação expressa, que neste caso não foi emitida, ou por um fato que desencadeia a ação de dispersão. Que neste caso foi a prisão e o deslocamento de uma parte dos manifestantes em direção à linha.", disse Humberto Freire na entrevista coletiva.

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