CORONAVÍRUS

Pesquisa mostrou que, devido à pandemia, 44% das crianças e adolescentes se sentiram mais tristes


A pesquisa foi realizada pela Fundação Lemann e pelo Instituto Natura.

Com informações da Agência Brasil
Com informações da Agência Brasil
Publicado em 08/08/2021 às 17:50
BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
FOTO: BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
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A Fundação Lemann em parceiria com o Instituto Natura realizou uma pesquisa que mostrou um dado importante: 94% das crianças e adolescentes notaram uma mudança no seu comportamento durante a pandemia.

Além desse fator, outros também foram abordados na pesquisa: 56% ganharam peso, 44% se sentiram tristes, 38% ficaram com mais medo e 34% perderam o interesse pela escola.

A pesquisa, intitulada “Onde e como estão as crianças e adolescentes enquanto as escolas estão fechadas?” mostrou que entre aqueles que ficam sozinhos em casa tiveram índices mais altos do que os que as que passaram a dormir mais, ficaram mais quietos ou têm mais dificuldades para dormir.

Ao avaliar as famílias com renda menor, até dois salários mínimos, 59% tiveram ganho de peso, 51% passaram a dormir mais, 48% ficaram mais agitadas, 46% ficaram mais tristes e 35% perderam o interesse pela escola.

A pesquisa foi realizada entre 16 de junho e 7 de julho de 2021, ouvindo 1315 responsáveis por mais de 2,1 mil crianças e adolescentes (de 4 a 18 anos) matriculados na rede pública ou que estão fora da escola em todo o país. 

Jovens entre 10 e 15 anos também foram entrevistados e fizeram parte da pesquisa. 

Alimentação

Em questão de segurança alimentar, 34% das famílias afirmaram que o total de comida em casa é menos que o suficiente. As famílias mais afetadas são as do Nordeste (46%) e do Sul (18%).

Entre os que relataram insuficiência de alimentos, 63% são pretos e pardos, 63% das famílias ganham até um salário mínimo e 66% afirmaram que alguém da casa perdeu o emprego ou renda na pandemia.

Outro dado importante mostrado pela pesquisa foi em relação à qualidade das refeições antes da pandemia: 81% dos pais disseram que era ótima ou boa antes do surto de covid-19, índice que caiu para 74%

Entre os que consideram a alimentação regular, a taxa aumentou de 16% para 23%; e o ruim se manteve estável em 2%.

Mais tempo usando eletrônicos

Cerca de 10% das crianças e jovens passam o dia na casa de outras pessoas. Metade destes na casa dos avós.

Dos 90% que ficam em casa com seus responsáveis, 14% ficam sozinhos ou apenas com irmãos, sem adultos por perto.

De acordo com a pesquisa, a rotina na casa também mudou: 37% das crianças e adolescentes estão jogando videogame ou celular com mais frequência do que antes da covid-19 e 43% aumentaram as horas de TV.

Aproximadamente 6% dos jovens entre 7 e 18 anos estão trabalhando; 10% deles são pretos. 

Do total desses jovens trabalhadores, 60% começaram ainda em 2021 e 74% são meninos.

A idade média é de 16 anos, mas 9% têm entre 11 e 14 anos, 68% entre 15 e 17 anos e 23% têm 18 anos.

Jovens

Entre os jovens entrevistados, 75% disseram sentir falta das aulas presenciais ou de algum professor. Já 60% alegaram a falta do convívio social e dos amigos.

66% acreditam que a pandemia prejudicou seus futuros e pelo menos 40% sonhavam com profissões antes da pandemia; agora esse número é de 37%. 

Para 17% o principal sonho, agora, é de que a pandemia acabe.

“Isso mostra o papel da escola e desse ambiente na vida dessas crianças e adolescentes. Claro que é um espaço de ampliação de repertório e aprendizagem, mas também é de convívio e desenvolvimento pessoal, além de ser, para muitos, espaço de alimentação. Isso coloca muita luz no papel da escola e do retorno presencial das aulas”, afirmou a gerente do Instituto Natura, Maria Slemenson, que trata da articulação das agendas prioritárias da educação.

Cerca de 3% das crianças e adolescentes não estão matriculados em escolas. Desses, 32% afirmam que a pandemia foi a razão para não estarem matriculados e outros 32% dizem não encontrar vaga na rede pública de ensino.

 Além disso, 62% dos que estão fora da escola têm entre 4 e 6 anos. Aqueles estudantes que recebem as tarefas da escola e estão realizando-as são 92%. 

89% dos pais dizem que acompanham as atividades feitas pelas crianças e adolescentes na escola e nas aulas on-line.

“Nós, da Fundação Lemann, acreditamos que a educação pública de qualidade muda a vida das pessoas e são elas que podem transformar o nosso país. Desde o início da pandemia, estamos trabalhando para apoiar as redes de ensino com estudos, dados, boas práticas e orientações diversas para que cada rede possa retomar as aulas presenciais e garantir que todas e todos possam aprender com qualidade, nas mais variadas realidades do país", disse a coordenadora de projetos de Educação da Fundação Lemann, Barbara Panseri.

"Sabemos do tamanho das desigualdades de nosso país, sabemos que as crianças e adolescentes de menor renda, do Nordeste e negros e negras, têm menor acesso à internet de qualidade, e que o ensino remoto ampliou as desigualdades dos nossos alunos”, completou Barbara.

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