Vacinação

Com quanto tempo posso tomar a segunda dose da vacina Coronavac contra a covid-19?

A vacinação completa com qualquer uma das vacinas aprovadas pela Anvisa, inclusive a Coronavac, oferece proteção contra doenças graves e morte causadas pelo Sars-CoV-2

Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Publicado em 17/08/2021 às 12:12 | Atualizado em 04/03/2022 às 18:10
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As vacinas são sinônimos de esperança e fomento para a superação da pandemia do novo coronavírus (covid-19).

É importante reafirmar que a vacinação completa com qualquer uma das vacinas aprovadas pela Anvisa oferece proteção contra doenças graves e morte causadas pelo Sars-CoV-2.

A vacinação também é importante para proteger aqueles com maior risco de desenvolver a doença na forma grave, reduzindo a necessidade de hospitalização e a disseminação do vírus e prevenindo o surgimento de novas cepas de variantes preocupantes.

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Intervalo entre a 1º e 2º dose

Mesmo com a disponibilidade de vacinas no Brasil e com a alta procura pelas vacinas no mundo todo, não é incomum ter ouvido falar sobre pessoas que receberam a primeira dose do imunizante e que não procuraram pela segunda dose.

Com exceção da vacina da Janssen, que confere imunidade contra o coronavírus após 14 dias da única dose, as demais (Coronavac, AstraZeneca e Pfizer) precisam de uma segunda dose.

O intervalo entre as doses da Coronavac é de 4 semanas, ou seja, 21 dias.

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O Plano Nacional de Imunizações (PNI) conta, atualmente, com quatro vacinas (Coronavac, AstraZeneca/Oxford, Pfizer e Janssen) em ampla aplicação no território nacional.

Desses imunizantes, apenas a da Janssen obedece ao esquema de dose única e, portanto, não exige uma segunda dose para completar o esquema vacinal para a aquisição da imunidade contra o vírus SARS-CoV-2, da COVID-19.

Sendo assim, caso você tenha sido vacinado com a primeira dose dos demais imunizantes, não deixe de tomar a segunda dose, após o intervalo recomendado, para que você seja imunizado adequadamente e, assim, aumentar a sua defesa contra o coronavírus.

Reação

As reações às vacinas, apesar de serem relativamente comuns a depender do fabricante, podem variar de pessoa a pessoa.

De casos assintomáticos até estados em que há um comprometimento mais importante (dor local intensa, febre, dor de cabeça, dor no corpo, entre outros), não há como prever o que acontecerá com cada pessoa.

Além disso, as reações costumam ser menos intensas na segunda aplicação e a maioria costuma ser assintomática.

Caso você tenha apresentado um sintoma muito intenso ou de risco à vida (hipersensibilidade e trombose, por exemplo), comunique a um profissional de saúde e prontamente você será avaliado.

Proteção

Especialistas defendem a imunização em massa como a principal estratégia para que o país saia da crise sanitária do novo coronavírus (covid-19).

"Nenhuma vacina disponível no Brasil, a da Pfizer, a Janssen, AstraZeneca ou a CoronaVac asseguram 100% de proteção. As pessoas continuam precisando de cuidados, como uso de máscara e distanciamento social. Mas a efetividade das vacinas é indiscutível. Basta ver que nos países com vacinação avançada, como Israel e Inglaterra, mesmo com aumento de casos por causa da variante Delta, o número de internações e mortes são proporcionalmente muito menores, resultado direto da imunização", diz a médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Um estudo recente da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) avaliou o efeito das vacinas contra o novo coronavírus na população brasileira e concluiu que 91,49% das pessoas que morreram pela infecção, entre maio e julho deste ano, não tinham tomado vacina ou não estavam totalmente vacinadas com as duas doses ou dose única, no caso do imunizante da Janssen.

A mesma pesquisa demonstrou que 84,9% das pessoas imunizadas que morreram no país tinham algum fator de risco para a covid-19 e 87,6% tinham 70 anos ou mais.

A incidência de agravamento de quadros em pessoas idosas, mesmo que vacinadas, tem uma explicação biológica.

A imunossenescência é o processo de envelhecimento e desregulação da função imunológica no organismos de idosos, o que contribui para o aumento da suscetibilidade a infecções por vírus e bactérias, além do desenvolvimento de doenças como o câncer e a redução da resposta vacinal imunológica.

"Nos idosos a partir dos 60 anos, há o que a gente chama de imunossenescência. O nosso organismo, fisiologicamente, perde a capacidade, ante a exposição de um antígeno, seja a doença ou a vacina, de gerar resposta imunológica adequada", explica a médica Lorena de Castro Diniz, coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).

"Além da imunossenescência, é muito raro um idoso acima dos 60 anos não ter uma comorbidade, como cardiopatia ou diabetes. Então, com esses dois aspectos, aumentam as chances de evoluir gravemente frente ao vírus da covid", acrescenta.

Mesmo com maior suscetibilidade à eficácia das vacinas, a imunização de idosos é crucial para protegê-los. Lorena Diniz faz uma analogia com a guerra para explicar como as vacinas colaboram nessa estratégia.

"Se a gente estiver numa guerra, com homens treinados, a chance de a gente ganhar é muito maior do que chamar pessoas da reserva que não foram treinadas para vencer o combate".

Para ganhar essa guerra, no entanto, a cobertura vacinal na maior parte da população é fundamental.

"A vacina em si é somente um produto. A estratégia mesmo é a vacinação. Vacina sem vacinação não adianta nada. Não adianta apenas você se vacinar, as outras pessoas também precisam disso para gerar proteção coletiva", ressalta Isabella Ballalai.

A médica lembra, por exemplo, o caso do vírus do sarampo. A doença que foi considerada erradicada no Brasil em 2016, com direito a certificação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), voltou a atingir a população em 2019, revertendo esse status. O motivo foi a vacinação abaixo do esperado.

Apelo

Sete milhões de brasileiros não retornaram aos postos de saúde para tomar a segunda dose da vacina contra a covid-19.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez um apelo para que as pessoas completem o esquema vacinal e disse que não há falta de imunizantes.

"É um esforço hercúleo que todos nós aqui fazemos para conseguir vacinas para a população brasileira, então, não justifica que as pessoas não busquem as salas de vacinação para tomar a segunda dose", disse o ministro.

Com o avanço da variante Delta no país, as autoridades de saúde estão preocupadas com o grande número de pessoas sem a segunda dose, essencial para a proteção contra o novo coronavírus.

 

3º dose

A disseminação da variante Delta da covid-19 provocou um questionamento sobre a eficácia de algumas vacinas e sobre a possibilidade de uma terceira dose ou de uma dose de reforço dos imunizantes.

Esse foi o tema do debate da Comissão Temporária da Covid-19, no Senado, nessa segunda-feira (16).

A secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, do Ministério da Saúde, Rosana Leite Melo, ressaltou a marca de duzentos milhões de doses já distribuídas no país e afirmou que é possível que haja a necessidade de uma dose de reforço da vacina, ou de uma terceira dose.

Segundo ela, o Ministério da Saúde tem estudos em andamento para saber que decisão tomar e sobre qual imunizante seria o mais adequado.

Segundo a diretora da Anvisa, Meiruze Freitas, vários países estão conduzindo estudos sobre uma terceira dose da vacina contra o coronavírus, e alguns até já estão aplicando a dose extra de imunizantes na população.

Meiruze informou que a Anvisa está atenta às discussões fora do Brasil sobre a necessidade de mais uma dose.

Meiruze citou a Espanha, que pesquisa a eficácia de aplicar vacinas com tecnologias diferentes em um mesmo paciente, embora o país ainda siga aplicando a segunda dose com o mesmo imunizante.

Segundo Meiruze Freitas, em países como o Reino Unido, a Austrália e a Alemanha, estudos sobre a aplicação de imunizantes diferentes apontam para a necessidade de doses de reforço somente em condições especiais, como pacientes de câncer, por exemplo, que têm a imunidade reduzida.

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