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O que está acontecendo no Afeganistão hoje: morte de militares dos Estados Unidos e grupo extremista rival do Talibã

O grupo extremista Talibã retomou o poder no Afeganistão, no Oriente Médio, após ter controle da cidade de Cabul, capital do país

Robert Sarmento
Robert Sarmento
Publicado em 26/08/2021 às 18:33
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Desde o dia 15 de agosto, quando o Talibã invadiu a cidade de Cabul, capital do Afeganistão, e retomou o poder no país, milhares de pessoas tentam desesperadamente deixar a região com medo do ditadura do grupo extremista vista entre os anos de 1996 e 2021, período em que estiveram no comando do governo. Diante disso, os sites da TV Jornal e Rádio Jornal mostram o resumo sobre o que está acontecendo no Afeganistão, uma das nações mais conflituosas do mundo, em mais um dia de domínio do grupo extremista.

Morte de militares

O chefe das forças americanas no Afeganistão, Frank McKenzie, em entrevista coletiva, confirmou a morte de 12 militares dos Estados Unidos e outros 15 feridos. Segundo ele, aconteceram dois ataques suicidas, provavelmente ligados a integrantes do Estado Islâmico, em Cabul. Além disso, ainda não se sabe um número sobre as vítimas civis das explosões realizadas em um dos acessos ao aeroporto a um hotel na região. Segundo o militar, depois das explosões aconteceram disparos contra as forças americanas.

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''A ameaça a nossas forças por parte do Estado Islâmico é muito grande. Apesar desses ataques, vamos continuar com essa missão. Desde o dia 14 de agosto, 5 mil pessoas foram retiradas, boa parte dos EUA, mas também aliados'', afirmou Frank McKenzie.

Grupo extremista rival

De acordo com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, existia a possibilidade de ataque no aeroporto de Cabul por parte do braço regional do Estado Islâmico (EI), denominado Estado Islâmico-Khorasan (EI-K). Segundo a agência vinculada ao grupo extremista, Amaq News, o Estado Islâmico assumiu a responsabilidade do ataque.

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O grupo foi reconhecido formalmente pelo comando central do Estado Islâmico após se instalar no nordeste do Afeganistão. O grupo extremista já massacrou civis em mesquitas, santuários, praças e até hospitais, além de ataques contra muçulmanos de alas que considera hereges - em particular os xiitas.

Mudança no nome do país

O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, anunciou que o Afeganistão passou a se chamar Emirado Islâmico do Afeganistão. O nome é o mesmo adotado quando o grupo extremista esteve no poder do país pela primeira vez, entre 1996 e 2021. Através de uma publicação nas redes sociais e em coletiva de imprensa, ele afirmou que grupo teria atitudes mais moderadas e não seria igual ao que aconteceu no primeiro governo deles.

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No entanto, um dos principais comandantes do Talibã, Waheedullah Hashimi, afirmou que as leis devem ser semelhantes às que existiam da outra vez que o grupo extremista esteve no comando. Esse fato é o motivo do medo da população, que desesperadamente tenta deixar o Afeganistão.

O que pode ser feito e como ajudar as pessoas?

O secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antônio Guterres, conclamar que todas as partes em conflito no Afeganistão devem exercer a máxima contenção para proteger as vidas das pessoas e garantir os direitos humanos. Diante disso, Thales Castro comentou sobre qual o caminho para mudar a situação do país.

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''No campo político, tem muito pouco do que pode ser feito. Eu percebo que é uma tragédia anunciada. A gente percebe que dois países importantes no cenário mundial formataram algum tipo de suporte: China e Rússia. Com a retirada das tropas dos Estados Unidos, simbolicamente é uma vitória dos chineses. Com isso, vão poder usar o território do Afeganistão para a reconstrução da infraestrutura do país. Isso traz mudanças geopolíticas no mundo todo'', afirmou o cientista político em entrevista a Rádio Jornal sobre o Afeganistão hoje.

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