DENÚNCIA

Vídeo: Adolescente de 15 anos denuncia agressão e ameaça de morte durante abordagem policial no Recife

Em um vídeo gravado, é possível ver o exato momento em que a jovem é imobilizada por um dos PMs

Vídeo: Adolescente de 15 anos denuncia agressão e ameaça de morte durante abordagem policial no Recife

Em um vídeo gravado, é possível ver o exato momento em que a jovem é imobilizada por um dos PMs. - Foto: Reprodução/TV Jornal

A Polícia Civil de Pernambuco recebeu uma denúncia de uma adolescente, de 15 anos, agredida por policiais militares durante uma abordagem, na última sexta-feira (1º), no bairro da Mangueira, na Zona Oeste do Recife. Em um vídeo gravado, é possível ver o exato momento em que a jovem é imobilizada por um dos PMs. Ao fundo, é possível escutar gritos da população, que pedia para que o PM parasse. Nas imagens, as pessoas da comunidade correm e pedem para que os policiais parem e lembram que a garota é menor de idade. Devido as agressões, a adolescente realizou um exame traumatológico no Instituto de Medicina Legal, do mesmo bairro, para constatar as lesões. Em seguida, a jovem registrou queixa contra os policiais na Delegacia da Mulher, no bairro de Santo Amaro, Área Central do Recife.

Depoimento

Nesta segunda-feira (4), a adolescente, que estava acompanhada de uma tia, foi até ao Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), no bairro da Benfica, para prestar depoimento. Ainda com dificuldades para andar e com ferimentos no corpo, a jovem relembrou a agressão. "Fui perguntar o que estava acontecendo com meu irmão. Ele (o policial) disse para eu sair, chamei minha tia, que pegou o documento dele, mas nessa abordagem ele queria colocar meu irmão algemado dentro da mala, quando estávamos perguntando o motivo começou a agressão no meu irmão, aí eu disse para não bater nele, pois não pegaram ele com nada, e ele me agrediu também. Deu uma rasteira em mim, puxou meu cabelo, fiquei deitada, com as mãos para trás. Ele colocou o joelho no meu pescoço", afirmou a jovem, sem ser identificada.

Segundo a adolescente, os policiais ainda a levaram a um campo, onde a agrediram mais uma vez. Depois, ela foi deixada por trás da estão do metrô da Mangueira. Ela conta o tratamento que recebeu dos policiais. "Eu chorava muito, pedia ajuda, minha tia tentou me ajudar e foi empurrada, meu tio também foi empurrado, ele é idoso. Me colocaram na mala (do carro), ficaram fazendo malícia comigo, ameaçando, dizendo que ia matar eu e meu irmão. Fiquei com medo, passei sábado e domingo com medo de sair na rua", concluiu a adolescente.

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A tia da menina, que também não será identificada, acompanhou a jovem durante todo o processo do depoimento. Para ela, não restam dúvidas de que o tratamento recebido, reflete o racismo nas abordagens policiais. "Eu não sei o que deu na cabeça dele para ele fazer isso. Senti a cena parecida com a dos Estados Unidos, dele fazer a mesma cena. Eu disse para levar ele (o sobrinho) em casa, ele não quis acordo, de jeito nenhum, pisando no pé dele. Para que o nome Pacto pela Vida na viatura? Para que esse nome se não dão a mínima. Chegam na comunidade batendo, não respeitam ninguém. Ele disse que ia matar, disse que quando o vissem que corressem. Isso não é procedimento de policial", disse.

Resposta

Em nota, a Corregedoria Geral da SDS informou que, diante da denúncia a respeito da atuação policial no bairro da Mangueira, foi instaurado uma Investigação Preliminar para apurar possível infração disciplinar cometida por servidores da segurança pública. Caso haja elementos suficientes, poderá ser instaurado um Procedimento Administrativo Disciplinar.

A Polícia Militar estaria na comunidade apurando uma denúncia de que homens armados estavam praticando tráfico de drogas. Segundo a PM, um dos suspeitos tentou resistir à abordagem e entrou em luta corporal com os policiais, que foram atendidos depois com ferimentos.Com o homem, segundo a PM, foi encontrada uma munição calibre 38. Ele foi levado para a Central de Plantões da Capital para serem tomadas as medidas legais cabíveis, informou a corporação. Na nota, a PM não cita a adolescente.

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