Pane no WhatsApp

Mais de 6 horas sem WhatsApp: veja lista de 7 coisas que aprendemos com o dia mais 'doido' do ano na internet


O WhatsApp ficou mais de seis horas fora do ar e causou diversos tipos de prejuízo, mas também trouxe lições e aprendizados

Com informações da Agência Brasil e do NE10
Com informações da Agência Brasil e do NE10
Publicado em 08/10/2021 às 9:58
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Muita gente ficou fora das redes sociais, por mais de 6 horas, na última segunda-feira (4), após a queda do WhatsApp. Após mais de seis horas fora do ar, WhatsApp, Facebook e Instagram voltaram a funcionar aos poucos, por volta das 18h50. Os serviços tinham sido interrompidos aproximadamente às 12h20 (horário de Brasília).

As redes sociais pertencem ao grupo administrado pelo programador e empresário Mark Zuckerberg. Segundo o site Down Detector, conhecido por apontar falhas em serviços na internet, o problema não ficou restrito ao Brasil: houve relatos de instabilidade em diversas regiões do planeta, incluindo América Latina e Europa. A instabilidade também afetou plataformas e serviços que usam o login do Facebook, como games.

A gente preparou para você uma lista com 7 lições (uma para cada dia da semana) que aprendemos com esse acontecimento, que impactou milhares de pessoas, no mundo inteiro.

1. É uma boa ideia não depender só do WhatsApp

A maior parte das pessoas que está nas redes sociais, atualmente, está no WhatsApp. Então, quando tem uma queda, todo mundo é afetado junto. No entanto, há outras redes sociais que podem ser utilizadas, então, talvez essa pane seja um alerta para você começar a procurar outras alternativas.

Das outras vezes em que o WhatsApp ficou fora do ar, o Telegram foi a saída para manter a troca de mensagens virtuais, por exemplo. É um aplicativo muito semelhante, com recursos bem parecidos e que já é bastante conhecido e utilizado, por pessoas e empresas.

>> Após fazer piada no Twitter sobre queda do WhatsApp, Telegram também apresenta instabilidade

Mas é preciso tomar cuidado, na hora de escolher outras redes. Questões como popularidade - afinal, não adianta estar em outra rede social sozinho - e segurança são muito importantes. Existem aplicativos "clones" do WhatsApp, por exemplo, que não são muito recomendados.

Aplicativos como esse, que são versões de aplicativos existentes, costumam prometer recursos extras, como usar dois números de telefone de uma vez e enviar mensagens de um jeito mais discreto. Contudo, não há garantias de proteção de dados e de privacidade, como há em aplicativos como o WhatsApp oficial.

>> WhatsApp Plus, WhatsApp GB: essas outras 'versões' são seguras? Você pode ser banido do WhatsApp? Como trocar de aplicativo e manter as conversas?

2. O WhatsApp impacta a economia e o bolso

Com a queda do WhatsApp, Instagram e Facebook, Mark Zuckerberg, o CEO do companhia que reúne as redes e sexto homem mais rico do mundo, perdeu US$ 5,9 bilhões de sua fortuna, após uma redução de quase 5% no preço das ações de sua empresa na Nasdaq, a bolsa de tecnologia de Nova York.

>> WhatsApp caiu e derrubou os negócios na vida real: pequenos empreendedores acumulam prejuízos com queda de apps

E não foi só o dono da empresa que teve prejuízo. Cada vez mais popular entre os internautas, o WhatsApp é figura certa em praticamente todos os celulares do Brasil. Desde 2018, a ferramenta ainda conta com a opção "business", que abre um canal de comunicação exclusivo para clientes chegarem até o vendedor com mais praticidade.

De acordo com uma pesquisa do Sebrae, só 23% dos empresários têm sites próprios de venda. Na hora de vender pela internet, 84% preferem o WhatsApp – em seguida aparecem Instagram (54%) e Facebook (51%). Ou seja, a queda desses serviços de tecnologia provocou também muito prejuízo para diversos setores, de grandes empresários a microempreendedores.

E a pergunta que fica é: quem paga a conta das perdas, que foram enormes? O próprio Facebook admitiu ter perdido US$ 6 bilhões com a pane de segunda. E os comerciantes que dependem dessas mídias para fazer negócio podem pedir ressarcimento? E os consumidores que tiveram serviços comprometidos por conta do apagão?

O especialista em direito digital Alexandre Ateniense explicou que, de acordo com os termos de uso das plataformas, não caberia nenhum tipo de indenização já que os aplicativos são de graça. Mas o advogado garante que, se houver provas das perdas, é possível recorrer à Justiça para tentar ressarcir o prejuízo.

De acordo com Alexandre Ateniense, o mais importante é reunir provas que confirmem as perdas financeiras. E essas perdas vão desde o investimento em propagandas dentro dessas plataformas, com links patrocinados, por exemplo, até queda no faturamento do dia.

O especialista garantiu que o cidadão ou empresa que se sentir lesado e quiser acionar a Justiça precisa fazer isso em até dois anos, quando prescreve o possível crime de responsabilidade. Além disso, Alexandre explicou que, quanto mais rápida for feita a ação, mais chances de ganhar, já que se comprova de maneira mais eficaz o impacto do prejuízo.

3. O WhatsApp não funciona em todos os celulares para sempre

O WhatsApp pode deixar de funcionar novamente no seu celular, a partir de novembro. O WhatsApp não será compatível com algumas versões do sistema operacional de celulares Android.

>> Após de mais de 6 horas sem WhatsApp, veja se o aplicativo deixará de funcionar no seu celular em novembro

Segundo comunicado do aplicativo de mensagens, "a partir do dia 1º de novembro de 2021, o WhatsApp não será mais compatível com aparelhos Android com o sistema operacional 4.0.4 e versões anteriores". O WhatsApp funcionará apenas nos sistemas Android 4.1 e mais recentes, iOS 10 e mais recentes e alguns modelos com kaiOS 2.5.1.

4. O WhatsApp afeta o seu modo de vida

Claro que a gente sabe que o WhatsApp faz parte da nossa vida, mas talvez não percebamos a extensão de sua influência nos nossos hábitos e comportamentos. Um exemplo é o aumento do consumo de televisão, após a queda das redes sociais.

A coluna LeoDias apurou que, nesta segunda-feira (04/10), o número de televisores ligados na Grande São Paulo registrou um aumento de 5% em relação ao índice registrado na semana anterior. No período das 12h00 às 16h, 43,5% dos aparelhos de TV que fazem parte da mensuração de audiência na região estavam ligados. Na última segunda-feira, (27/09), 41,8% dos televisores estavam ligados na região, na mesma faixa horária. Além disso, todas as emissoras registraram um aumento nos índices de audiência.

Outro exemplo é que estamos tão habituados às redes sociais, que nos esquecemos de procurar outras formas de comunicação. A advogada Tatiane do Amaral, de 41 anos, estava trabalhando de casa, em São Paulo, quando passou mal, com um pico de açúcar no organismo. A primeira reação foi enviar uma mensagem por meio do aplicativo WhatsApp para o pai, que mora na mesma residência, clamando por socorro. No entanto, o pedido de ajuda não chegou, já que o episódio coincidiu com o momento em que as redes sociais ficaram fora do ar.

Tatiane acabou desmaiando e teve que contar com a sorte da família ir até o quarto onde estava para receber os primeiros socorros. "Era extrema (fraqueza), tinha tontura, falta de ar, sudorese. Eu não conseguia falar direito", explicou ao Uol.

Tatiane conta que, na hora, não pensou em telefonar para o pai. "É costume. Eu nem pensei em ligar. Hoje em dia a gente quase não faz ligação. Até mesmo antes de telefonar é normal a gente mandar uma mensagem antes: 'Posso te ligar?'", refletiu a advogada.

5. As redes sociais afetam a vida pessoal e a saúde mental

A vida nas redes sociais costuma ser um pouco diferente da vida real. Em redes sociais, os internautas, especialmente os chamados digital influencers, parecem sempre felizes e pregam a felicidade como um estilo de vida. E essa felicidade não ocorre o tempo todo, aponta Carla Furtado, mestre em psicologia e fundadora do Instituto Feliciência.

“A diferença entre a felicidade autêntica, legítima e real e a felicidade postada nas redes é abismal. Porque a felicidade, tal qual nós abordamos via psicologia positiva, é uma experiência intrínseca, interna, que pode, claro, ser manifestada, mas nada tem a ver com a ostentação de felicidade”, afirma a pesquisadora.

A problemática pode surgir com a busca incessante por essa felicidade, que gera efeitos colaterais em quem consome diariamente a "vida perfeita" de outros. Daí vem o conceito de positividade tóxica: a expressão tem sido usada para abordar uma espécie de pressão pela adoção de um discurso positivo aliada a uma vida editada para as redes sociais, avalia a profissional.

Carla Furtado explica que não é saudável tentar repetir o que se vê na rede. Para manter a saúde mental e evitar ser atingido pela positividade tóxica, o uso racional das redes sociais é o mais indicado, aconselha a médica psiquiatra Renata Nayara Figueiredo, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr).

“O uso racional é o uso equilibrado, em que a pessoa tem outras fontes de prazer, de passatempo, de trabalho, que a pessoa consiga conviver com a família, que consiga praticar uma atividade física, que não se influencie pela vida da outra pessoa. E aí tem também a questão do tempo; se consegue fazer todas as coisas e usa a rede social tem aí um equilíbrio de tempo e de atividades ao longo do dia. É o equilíbrio do tempo e das atividades fora das redes. Agora, quando a pessoa está muito restrita, que sente falta, sente abstinência de ficar sem o celular na mão, este já não é mais um uso racional”.

A psiquiatra destaca ainda que desejar ter uma vida melhor não é o problema, mas sim acreditar que a felicidade só será alcançada quando realizar todos os desejos. “O problema é quando a gente projeta que a felicidade só vai vir quando a gente tiver uma casa maravilhosa, quando viver só viajando, quando tiver aquele carro, quando tiver um milhão de seguidores, por exemplo. Esse é o problema, desejar uma vida que é muito difícil ter e só depois que atingir todas essas metas que a gente vai ser feliz. Na verdade, a gente tem que ser feliz e seguir aos poucos melhorando.”

Segundo Renata, as redes sociais podem oferecer gatilhos mentais para quem tem algum distúrbio ou transtornos psiquiátricos e agravar os sintomas. “A pessoa que já tem transtornos mentais são as mais vulneráveis, tem outros fatores de risco e a rede pode servir de gatilhos mentais para muitas coisas, por exemplo, nos transtornos alimentares, com comportamentos purgativos, de pacientes anoréxicos, ou bulímicos ”, alerta.

Ela exemplifica ainda com outros gatilhos. “Uma pessoa que está triste porque não conseguiu tal coisa e a outra pessoa está comemorando porque conseguiu, ou a pessoa que está triste e vê nas redes sociais só coisas boas; este também é um gatilho de um paciente deprimido ou ansioso”, complementou.

A exposição também gera baixa autoestima, destaca a psiquiatra. “Posta uma foto que acha que está maravilhosa, uma foto cheia de retoques e filtros e sempre outra pessoa vai encontrar algum defeito, vai criticar. Aí gera o cyberbullying e a pessoa sofre, perde o sono e altera hábitos de alimentação na busca incessante por uma coisa que não é real.”

A pesquisadora Carla explica que a positividade tóxica afeta seguidores e influenciadores. “Todos nós perdemos: quem vai buscar replicar um comportamento e quem é alvo de uma clonagem simbólica de identidade também pode enfrentar muito sofrimento”, completa.

6. Os astros influenciam até nas tecnologias?

Uma explicação encontrada por algumas pessoas para explicar toda essa situação das redes sociais, na segunda-feira (4), está nos astros. É o mercúrio retrógrado, fenômeno que acontece todos os anos na astrologia.

Mercúrio retrógrado é um fenômeno que surge para revisar os diversos aspectos da vida. Durante esse trânsito podem ser notados desafios na comunicação e menos clareza nas decisões. Mais especificamente, acredita-se que o Mercúrio Retrógrado interfere diretamente nas tecnologias, então, é comum, durante o período, que aparelhos tecnológicos quebrem ou apresentem defeitos. E WhatsApp é rede social, comunicação e tecnologia, ambos afetados pelo Mercúrio Retrógrado.

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Por isso, muitas pessoas estão interligando a data às quedas das redes sociais. O trânsito ocorre todos os anos, em três momentos, e dura cerca de 20 dias.

"Mercúrio está muito ligado ao nosso dia a dia, ao trabalho, ao diálogo, ao dinheiro, à venda, ao comércio... Essa é uma fase de tensão, de problemas com as nossas ferramentas de trabalho. De acontecimento de equívocos de contratos, em que as negociações precisam ser revistas", explica o astrólogo André Mantovanni.

Mercúrio está ligado a comunicação, revisão, falas e autenticidade de sua vida, por isso, muitas pessoas acreditam que o retrocesso do planeta tende a criar mudanças nas redes sociais.

 

7. O brasileiro sabe se divertir na crise

Como em toda crise e toda dificuldade, o brasileiro, mais uma vez, mostrou que tem criatividade, desenvoltura e jogo de cintura para 'sambar na cara da dificuldade' e sorrir. Os memes e piadas não faltaram, até entre os famosos.

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