COMBUSTÍVEL

Por que o preço da gasolina subiu de novo? De quem é a culpa?

Pandemia, valor do petróleo, alta do dólar e alta do dólar são alguns dos fatores que encareceram preço da gasolina.

Publicado em 26/10/2021 às 12:25
Felipe Ribeiro / JC Imagem
FOTO: Felipe Ribeiro / JC Imagem
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Motoristas e condutores têm passado por grandes sufocos devido aos pesados reajustes na gasolina que acontecem no Brasil, nos últimos tempos. Levando em conta a médica nacional do preço do combustível, esta chega a quase R$6,00 o litro. Em alguns estados, supera os R$7,00, como no Acre, Tocantins, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

>> Gasolina: saiba os postos mais caros e mais baratos para abastecer no Recife

No Recife, capital de Pernambuco, postos da Zona Norte variam entre R$6,390 a R$6,999. A realidade é das mais assustadoras para o consumidor, que precisa encaixar no orçamento produtos cada vez mais caros com uma renda que, na maioria das vezes, não subiu ao longo da pandemia e que, em muitas delas, na verdade caiu.

Mas então, por que a gasolina aumenta tanto? De quem é a culpa?

Por que a gasolina está mais cara?

A gasolina passou por nove aumentos apenas em 2021, o que soma uma alta de 27,5% nos oito primeiros meses do ano. Considerando um período de 12 meses, ela está 37% mais cara do que em agosto do ano passado.

Os noticiários anunciam reajustes no valor da gasolina com uma frequência insana. Só não é maior que as alterações que vemos nos postos de combustível cada vez que vamos abastecer. Mas como a gasolina chegou a R$ 7 o litro?

Além dos impostos, a composição do preço dos combustíveis no País também leva em conta a remuneração da Petrobras (dona do produto), o etanol ou biodiesel misturado ao combustível e o lucro das distribuidoras e revendedoras, que fazem o produto chegar até as bombas.

No entendimento da pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), ligado à Federação Única dos Petroleiros, Carla Ferreira, ao UOL, a parcela mais importante das elevações tem relação com os aumentos promovidos pela Petrobras.

Ela explica que os reajustes são reflexos da política de preços da estatal, que foi adotada em 2016. A diretriz vincula os valores praticados no Brasil ao preço do barril de petróleo no mercado internacional — que é cobrado em dólares. Como o dólar está alto, os valores no Brasil também passam a ser altos.

“É claro que, como o ICMS é um percentual sobre o preço final, quando o preço sobe, a arrecadação aumenta. Mas ele não é o vilão das altas de agora. A grande questão é esse preço que sai da refinaria, que vem da política de paridade de importação”, explica ela.

Aumento da demanda

Ou seja, não há apenas um culpado no aumento de preços da gasolina no país. Somado a esses fatores, o aumento da demanda também proporciona um incremento nos preços. Parte do aumento do consumo é explicada pela reabertura dos Estados e cidades que têm conseguido implementar seus programas de vacinação contra a covid-19 — e o impacto da retomada tem sido mais forte do que o esperado em algumas regiões.

A oferta, porém, não conseguiu acompanhar o ritmo da demanda. Isso tem relação com fatores internacionais. Uma das razões vem da dinâmica da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), que reúne 13 países e concentra cerca de 33% da produção global da commodity, algo em torno de 30 milhões de barris por dia.

O grupo muitas vezes limita a produção para evitar quedas substanciais nos preços ou mesmo valorizar a cotação do barril. Isso aconteceu em 2020, quando a Opep decidiu cortar a produção por conta da pandemia. As atividades estão sendo normalizadas gradativamente, com a expectativa de que a oferta seja completamente retomada até dezembro de 2022.

Alta do dólar

A variação cambial é também um componente no valor do combustível, considerando que a política de preços da Petrobras está alinhada à cotação do petróleo no mercado internacional. Desta maneira, o preço sobe não apenas porque a commodity em si custa mais, mas porque o dólar também está mais caro.

Uma série de fatores explica porque a moeda americana tem se mantido em patamar elevado, acima de R$ 5 por dólar. Alguns são externos, como a expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos e de retirada do programa de estímulos monetários, outros, internos.

“O preço da gasolina e dos outros combustíveis é incontrolável, porque ele depende de dois fatores: o preço do petróleo internacional, sobre o qual o Brasil não tem nenhum controle, e o câmbio, que é livre hoje, visto que o governo tem se negado a intervir para controlá-lo ”, pontua Eric Castro e Silva.

Na avaliação de Décio Padilha, os aumentos constantes de gasolina também têm relação com a ausência de concorrência e de um órgão que regule a estatal. "Esse aumento da Petrobras foi em virtude da ausência de concorrência, de regras regulatórias claras, em que algum órgão olhasse os custos”, argumenta.

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