CORONOVÍRUS

Ômicron: Tem casos da variante no Brasil? Quais são os sintomas? Tire suas dúvidas e veja as últimas notícias;


A nova variante da África, Ômicron, é de risco global 'muito alto', tem maior taxa de transmissão e preocupa os especialistas.

Com informações da Agência Brasil
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Publicado em 29/11/2021 às 11:26
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou, nesta segunda-feira (29), que a nova variante da covid-19, a Ômicron, representa um risco global "muito alto" e, provavelmente, terá uma disseminação internacional.

O alerta, segundo a entidade, se baseia no alto número de mutações que a cepa carrega, o que pode representar uma resistência às vacinas já utilizadas.

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Variante de preocupação

Categorizada como "variante de preocupação", a Ômicron foi descoberta na África do Sul, no último dia 24.

Apesar de nenhuma morte relacionada à cepa ter sido relatada, sua alta taxa de transmissão preocupa os especialistas, que acreditam ser maior que a Delta.

"O surgimento da altamente mutada variante Ômicron reforça quão perigosa e precária a nossa situação é", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"O risco global geral relacionado à nova variante é avaliado como muito alto."

Novas ondas de Covid-19

Segundo relatório divulgado pela organização, pode haver novas ondas de covid-19, com consequência graves, dependendo de muitos fatores, como vacinação e os locais onde essas ondas acontecerão.

No geral, a OMS reiterou que, no aguardo de mais orientações, os países devem usar uma "abordagem baseada no risco para ajustar as medidas de viagens internacionais em tempo hábil."

Além disso, cabe a população continuar cumprindo as medidas de segurança, como o uso de máscara, álcool em gel e distanciamento social.

Tem casos da nova variante no Brasil?

No Brasil, ainda não foi registrado nenhum caso da Ômicron.

Por medida de precaução, a partir desta segunda-feira (29), o governo federal decidiu restringir e entrada de passageiros oriundos da África do Sul, Botsuana, Lesoto, Namíbia, Zimbábue, Eswatini (ex-Suazilândia), Angola, Malawi, Moçambique e Zâmbia.

A Pfizer, responsável por uma das vacinas inovadoras contra o novo coronavírus, afirmou que espera conseguir colocar no mercado uma nova versão do imunizante que seja eficaz contra a variante Ômicron em um prazo de até 100 dias.

A eficácia das vacinas existentes ainda não foi testada em relação à nova variante.

Onde a variante Ômicron foi identificada?

Além de países vizinhos a Botsuana - África do Sul, Lesoto, Namíbia, Zimbábue e Eswatini (ex-Suazilândia) -, casos da variante Ômicron também foram registrados em outras regiões.

Hong Kong, na China, foi a primeira delas. Israel e Bélgica também tiveram registros, casos que seguem isolados.

Quais são os sintomas da nova variante do coronavírus?

A médica sul-africana que fez o primeiro alerta sobre a variante ômicron do coronavírus citou sintomas leves em seus pacientes. Não há, ainda, informações consolidadas sobre a variante.

Angelique Coetzee disse, em entrevista ao jornal britânico "The Telegraph", que notou um aumento de pessoas jovens e saudáveis com sinais de fadiga em seu consultório.

“Os sintomas que eles apresentavam eram muito diferentes e mais leves dos que eu havia tratado antes", afirmou a profissional da saúde.

Ela conta que o primeiro caso foi identificado por volta de 18 de novembro.

"Tudo começou com um paciente com sintomas leves. Ele dizia estar com um cansaço extremo nos dois últimos dias e tinha dores no corpo e um pouco de dor de cabeça", relatou à doutora Coetzee, em entrevista à BBC News.

Ela continua: "Nem sequer uma dor de garganta, mas algo como uma garganta arranhando. Sem tosse, nem perda de olfato ou paladar"

"Porque era muito incomum para esse paciente em específico ter esse tipo de sintomas, eu decidi testar. Fizemos um teste rápido, e deu positivo", disse a médica, que então testou toda a família do paciente, com resultados positivos para o coronavírus, todos com sintomas leves.

Coetzee conta que, no mesmo dia, outros pacientes chegaram para ser atendidos com os mesmo sintomas, também testando positivo.

Medidas de proteção

De acordo com o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, as medidas de proteção contra a covid-19 devem ser mantidas.

“É extremamente importante que mantenhamos foco na campanha de vacinação e que mantenhamos as medidas chamadas não farmacológicas [uso de máscaras], evitarmos aglomerações públicas, higienização das mãos, álcool em gel e etiqueta respiratória”, disse.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reafirmou, nesse domingo (28), que a principal arma contra a covid-19 é a vacinação.

“Gostaria de tranquilizar todos os brasileiros, porque os cuidados com essa variante são os mesmos cuidados com as outras variantes. A principal arma que nós temos para enfrentar essas situações é a nossa campanha de imunização”, afirmou.

Até o momento, foram distribuídas aos estados 372 milhões de doses, sendo que 308 milhões já foram aplicadas na população.

Imagem da nova variante

Um grupo de pesquisadores supervisionado pela professora Claudia Alteri, da Universidade de Milão, na Itália, criou a primeira imagem do mundo para representar a proteína Spike da variante Ômicron do novo coronavírus.

Nela, é possível ver que, frente à cepa original do Sars-CoV-2, a nova tem um número bem mais expressivo de mutações do que a Delta, identificada originalmente na Índia.

A imagem foi elaborada na área de pesquisa de Medicina Multimodal do Hospital Pediátrico Menino Jesus, em Roma. Ela traz a proteína Spike da Ômicron, à direita, e a da Delta, à esquerda.

Os pontos vermelhos, laranjas e amarelos correspondem a áreas de muito alta, alta e média variabilidade, respectivamente.

Os verdes e azuis indicam áreas de baixa variabilidade, enquanto os espaços em cinza são aqueles em que não houve variação. As informações são da Agência de Notícias Italiana (Ansa).

A Ansa acrescenta que a Delta já possuía um número expressivo de mutações na proteína Spike, usada pelo coronavírus para infectar as células humanas.

Os pesquisadores pontuaram, entretanto, que novos estudos são necessários para saber se a adaptação da Ômicron "é neutra, menos perigosa ou mais perigosa".

Ômicron

Na semana passada, o surgimento de uma variante do novo coronavírus foi confirmado em regiões da África.

Batizada de Ômicron - letra grega correspondente à letra “o” do alfabeto -, a cepa B.1.1.529 foi identificada em Botsuana, país vizinho à África do Sul, em meados de novembro.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a variante pode se tornar responsável pela maior parte de novos registros de infecção pelo novo coronavírus em províncias sul-africanas.

O que há de diferente nessa variante?

Nos casos analisados, constatou-se que a variante é portadora de dezenas de mutações genéticas que podem afetar os índices de contágio e de letalidade.

A OMS, entretanto, afirmou que ainda não há estudos suficientes para afirmar as propriedades da Ômicron, mas que já existem esforços científicos acelerados para estudar as amostras.

Um time de cientistas de universidades da África do Sul está decodificando o genoma da Ômicron, juntamente com dezenas de outras variantes do novo coronavírus.

Tulio de Oliveira, diretor do Centro para Respostas e Inovações Epidêmicas da universidade de KwaZulu-Natal, afirmou em coletiva de imprensa que a variante Ômicron possui “uma constelação incomum de mutações”.

A variante Delta, por exemplo, possuía duas mutações em relação à cepa original do novo coronavírus, enquanto a Ômicron possui cerca de 50 - 30 delas localizadas na proteína Spike, responsável por infectar células saudáveis, explicou o brasileiro.

Em reunião de emergência realizada na tarde de sexta-feira (26), representantes da OMS classificaram a Ômicron como variante de preocupação (VOC) - mesma categoria das variantes Delta e Gama.

Por que Ômicron?

A OMS usa letras do alfabeto grego para denominar as variantes importantes do novo coronavírus. A última variante registrada havia sido a Mu, que deveria ser seguida das letras gregas Nu (equivalente ao N) e Xi.

As letras, no entanto, poderiam causar confusão, já que Nu em inglês tem pronúncia quase idêntica à palavra new (novo). Enquanto a letra Xi corresponde a um nome comum na Ásia, principalmente na China. A OMS decidiu, então, pular as duas letras.

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