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CASO HELOÍSA: MPF suspeita que policial possa ter atirado mais que 3 vezes na ação que levou à morte menina de 3 anos

Heloísa dos Santos Silva tinha apenas 3 anos de idade

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Gustavo Henrique

Publicado em 17/09/2023 às 9:34 | Atualizado em 17/09/2023 às 9:34
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O Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro levanta suspeitas quanto à possibilidade de haver ocorrido mais disparos de arma de fogo por parte dos agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante a operação que resultou na trágica morte da menina Heloísa dos Santos Silva, de apenas 3 anos de idade.

Diante dessa preocupação, o MPF solicitou a realização de uma nova perícia, desta vez conduzida pela Polícia Federal.

Fabiano Menacho Ferreira, o autor dos disparos, admitiu ter efetuado três tiros contra o veículo da família da vítima, sendo que um desses projéteis atingiu a nuca da menina, causando ferimentos fatais.

O coordenador do Núcleo Externo da Atividade Policial do MPF-RJ, procurador da República Eduardo Benones, destacou que, com base em fotografias tiradas pelos próprios agentes, há indícios de que tenham ocorrido mais disparos do que os registrados no laudo da Polícia Civil. Portanto, é crucial determinar com precisão a posição e a trajetória dessas balas.

Benones enfatiza a importância de realizar novas perícias não apenas no veículo, mas também nas armas utilizadas pelos agentes, incluindo as pistolas, além dos fuzis.

O MPF solicitou a prisão preventiva dos policiais envolvidos, mas até o momento da noite de sábado, a decisão judicial sobre a prisão ainda não havia sido tomada.

Os policiais justificaram seus disparos alegando que suspeitaram que o veículo fosse roubado e teriam ouvido um tiro, porém, a família nega ter efetuado qualquer disparo e afirma não ter conhecimento de que o carro que compraram era roubado.

Eduardo Benones destaca um agravante, argumentando que, mesmo que o veículo fosse de fato roubado ou furtado, a atitude dos agentes priorizou a propriedade do carro em detrimento da vida humana, o que ele considera extremamente grave.

Heloísa dos Santos Silva veio a óbito às 9h22 deste sábado, após passar 9 dias internada no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, desde o incidente ocorrido em 7 de setembro, quando foi ferida durante a abordagem da PRF no Arco Metropolitano.

Seu estado de saúde havia se agravado, resultando em uma parada cardiorrespiratória irreversível, conforme comunicado da Secretaria Municipal de Saúde.

NOTA DE PESAR 

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) emitiu um comunicado de condolências, expressando seu pesar pela situação. Na declaração, eles afirmaram: "Queremos manifestar nossa solidariedade aos familiares neste momento de profunda tristeza e oferecer nossas mais sinceras condolências pela perda."

Além disso, a instituição informou que a Comissão de Direitos Humanos continua prestando apoio à família, fornecendo assistência e apoio psicológico durante este período difícil.

POLICIAL ADMITE TIRO

Na primeira declaração prestada à Polícia Civil, o agente da PRF, Fabiano Menacho Ferreira, reconheceu ter efetuado os disparos de fuzil que atingiram a menina. Ele explicou que a atenção dos policiais estava voltada para um veículo Peugeot 207, cuja placa indicava que era roubado.

Seguindo o veículo, eles ativaram o giroflex e acionaram a sirene na tentativa de fazer o condutor parar. No entanto, após cerca de 10 segundos seguindo o veículo, ouviram o som de um disparo de arma de fogo e chegaram a se abaixar dentro da viatura.

Diante da situação, Fabiano Menacho afirmou que disparou três vezes com o fuzil na direção do Peugeot, pois acreditava que o disparo que ouviu tinha vindo do veículo da família de Heloísa.

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