ENTREVISTA

Secretário de Defesa Social de Pernambuco comenta ação violenta da PM em protesto no Recife

O secretário Defesa Social do Estado, Antonio de Pádua, comentou a ação violenta da PM no último sábado (29), no Recife

Suzyanne Freitas
Suzyanne Freitas
Publicado em 03/06/2021 às 14:35
Diego Nigro/JC Imagem
FOTO: Diego Nigro/JC Imagem
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O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Antonio de Pádua, falou durante entrevista ao programa Por Dentro, da TV Jornal, nesta quinta-feira (3), sobre a força fora do comum utilizada pelos policiais militares, resultando em pessoas feridas com tiros de bala de borracha, no ato contra o presidente Jair Bolsonaro no último sábado (29). Ao iniciar a entrevista, Pádua se solidarizou com as vítimas e seus familiares. "Antes de tudo, eu quero me solidarizar com as pessoas, as vítimas, Daniel e Jonas, gravemente feridas, nesse evento. Nós repudiamos qualquer tipo de violência", disse.

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Segundo o secretário, a missão é encontrar e finalizar todas as investigações e procedimentos instaurados para dar essa resposta completa à sociedade. Ao todo, segundo Pádua, oito policiais já estão afastados de suas funções. Antonio informou durante a entrevista que já foi identificado quem atirou contra o arrumador de contêiner Jonas Correia de França, de 29 anos, na ponte Princesa Isabel. Ainda segundo o secretário, o policial já foi afastado e iniciado o processo disciplinar. O militar identificado é do Batalhão de Choque e deve ser afastado ainda hoje das ruas.

"Temos seis procedimentos disciplinares instaurados, até então, na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social, temos um inquérito policial instaurado na Polícia Civil para investigar as lesões corporais contra as vítimas, tais como Jonas, Daniel e mais quatro vítimas que já apareceram da delegacia para prestar esclarecimentos. Nós temos um inquérito policial militar, que também está sendo instaurado e processado, além de um estudo de casos que a gente precisa entender se os protocolos da polícia precisam ser modificados. Tento em vista, essas decisões que foram tomadas em campo", relatou Pádua.

Hipóteses

A Secretaria de Defesa está trabalhando com várias hipóteses sobre a passeata. Já se sabe por exemplo que, inicialmente, o Batalhão de Choque foi posicionado ao lado de uma estação de BRT da Avenida Guararapes, no Centro do Recife. “Também existem imagens daquele ponto para descobrir o que aconteceu. As imagens estão em análise e mostram alguns manifestantes sendo detidos por desacato e um grupo que teria tentado evitar as prisões. Em seguida a tropa avançou para a ponte (Duarte Coelho)”, disseram as fontes. “Foi quando começou o confronto”.

Ordem direta

Durante a entrevista, o secretário não relatou de quem partiu a ordem direta para a ação do Batalhão de Choque e de outras unidades, como Rádio Patrulha e 13º Batalhão. Integrantes das duas unidades tiveram imagens registradas no momento em que disparavam balas de borracha e bombas de efeito moral contra integrantes da passeata. O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, disse nessa quarta-feira (2) falou sobre o papel da PM no estado. “A Polícia Militar vai continuar cumprindo o seu papel, protegendo o cidadão e atuando firmemente contra a criminalidade, mas, acima de tudo, respeitando as ações democráticas”, disse Câmara.

"Lamentamos muito"

Ao ouvir o relato da família de Daniel, uma das vítimas feridas no ato, durante a entrevista, o secretário relatou que as cenas são injustificáveis e lamentou toda situação causada. "Dona Inês, nós lamentamos muito e eu, quero me solidarizar com seu irmão Daniel. As cenas que nós assistimos sábado são injustificáveis, nós repudiamos qualquer tipo de violência. A Polícia Militar ela trabalha para proteger o cidadão e nós que podemos garantir, nesse momento, é que nós estamos fazendo as investigações necessárias, possíveis, com maior transparência para que a gente possa dar essa resposta a senhora e a Daniel do que realmente aconteceu e quem foi o responsável, todo os responsáveis, por essa agressão, falou.

Elastômero

Um militar ouvido pela reportagem da TV Jornal, que preferiu não se identificar, disse que existe um padrão de uso do equipamento pelo BPChoque mas que o batalhão usa também referências de outras polícias. “ A tropa também se espelha no padrão usado pela Polícia Militar de São Paulo” , disse. A produção da TV Jornal entrou em contato com a PM de São Paulo, que se limitou a dizer , através de uma nota oficial, que “a Polícia Militar do Estado de São Paulo esclarece que adquire seus equipamentos por meio de processos licitatórios transparentes, regidos por critérios técnicos, de qualidade e preço, seguindo os melhores padrões nacionais e internacionais”.

Procuramos nesta quarta-feira (2), a assessoria de imprensa da Polícia Militar de Pernambuco, para falar sobre o material usado pelo Batalhão de Choque. Mas, até o fechamento desta reportagem, não tivemos retorno.

A TV Jornal teve acesso a um documento que orienta o uso do material por parte da tropa de Choque de São Paulo. O texto, denominado Procedimento Operacional Padrão (POP), é de 2014 e foi publicado no site Ponte. Lá são citados os pontos sobre o socorro de pessoas atingidas por bala de borracha.

“Se o agressor à tropa estiver em distância inferior a 20 (vinte) metros, não realizar disparo com munição de elastômero”, diz o documento. Em outro ponto, afirma sobre a segurança para um disparo. “Se o local for de aclive ou declive (plano de tiro, terreno), o policial militar deverá considerar seu posicionamento em relação ao agressor ativo, mantendo sempre os disparos na região dos membros inferiores.

Sobre a sequência das ações, o documento afirma a necessidade de socorro por parte da tropa. “Isolar a área e retirar o indivíduo do meio da multidão (se possível), socorrendo ou providenciando o socorro aos feridos, após o disparo ou a dispersão da massa”.

Indenização

O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, falou como o governo deve auxiliar as famílias. "É evidente que qualquer ação ela tem que ser moderada, ponderada e tem que buscar sempre o maior potencial possível de redução de dano. (...) A passeata vinha acontecendo de forma pacífica. O governador e o secretário de defesa social, durante três horas, acompanharam e tomaram conhecimento do andamento da passeata. E chegando na ponte Duarte Coelho, aconteceu essa episódio. (...) O governador já determinou imediatamente o afastamento dos suspeitos, foi instaurado o inquérito policial para saber o que aconteceu, como é um crime militar e ao lado disso também o inquérito da polícia civil, porque houve lesão corporal de natureza gravíssima. (...) Por outro lado, recebi uma das famílias agora pela manhã, a outra família deve chegar amanhã pela manhã. (...) Há uma decisão nossa de fazer também uma ação idenizatória pela lesão corporal", disse.

29 de maio

O protesto aconteceu no último sábado (29). Os manifestantes se concentram na Praça do Derby e seguiram em caminhada pela Conde da Boa Vista com faixas, cartazes e bandeiras. Policiais do batalhão de choque estavam aguardando a manifestação na Ponte Duarte Coelho. Foram disparados tiros de bala de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral. A vereadora Liane Cirne (PT) chegou a ser atingida pelo spray de pimenta.

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