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Protestos em Porto de Galinhas: entenda o que aconteceu em Porto de Galinhas; veja como foram os protestos em Porto


Porto de Galinhas tornou-se cenário de protestos após a morte de uma menina de 6 anos, baleada durante tiroteio em ação policial na comunidade das Salinas

Maria Clara Batista
Maria Clara Batista
Publicado em 01/04/2022 às 8:44
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Reprodução de vídeo
Ônibus incendiado no acesso a Porto de Galinhas - FOTO: Reprodução de vídeo
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Considerada por muitos como um paraíso litorâneo, Porto de Galinhas, praia localizada no município de Ipojuca, vive um cenário de terror desde a última quinta-feira (31).

O destino turístico de Porto de Galinhas tornou-se palco de protestos após a morte de uma menina de 6 anos, baleada durante tiroteio em ação policial na comunidade das Salinas, na última quarta-feira (30).

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O que aconteceu em Porto de Galinhas?

No início da noite da última quarta-feira (30), a menina Heloysa Gabrielly, de 6 anos de idade, foi baleada em um local conhecido como Praça da Televisão.

O local fica na comunidade das Salinas, em Porto de Galinhas, Ipojuca.

A menina foi atingida durante ação da Polícia Militar de Pernambuco para combater associações criminosas com atuação no tráfico de drogas.

O ocorrido provocou revolta em muitos moradores da comunidade que, na última quinta-feira (31), realizaram protestos com faixas e cartazes e interditaram a entrada principal de Porto.

Atos de vandalismo em Porto de Galinhas também foram registrados durante os protestos, confira nos vídeos abaixo:

Também foi ateado fogo em veículos, assista ao vídeo:

Caso Heloysa

Segundo informações do conselho tutelar da cidade, Heloysa Gabrielly, uma criança de 6 anos, teria sido vítima de uma bala perdida, durante perseguição policial no local.

Veja nota divulgada pela Polícia Militar sobre o caso Heloysa:

"Lamentavelmente, uma criança foi atingida, tendo sido socorrida pelo próprio BOPE e populares. Ainda não é possível afirmar em que circunstâncias se deu o fato e nem de onde partiu o tiro que a feriu", escreveu a PM.

Heloysa foi socorrida e levada para a UPA de Ipojuca, na PE-60. Contudo, não resistiu e morreu.

Moradores da comunidade Salinas estão de luto e pedem justiça para Heloysa Gabrielly.

Durante o enterro da menina, o pai de Heloysa, o jangadeiro Wendel Fernandes, relembrou os últimos momentos junto a filha.

"Eu estava na casa da minha mãe quando ouvi os disparos. Quando vi, ela já estava virando os olhos... Eu disse [para o policial] você matou a minha filha. Peguei ela, me jogaram na viatura para socorrê-la até o hospital, mas ficaram mentindo, me enrolando, dizendo que ela ia viver", contou emocionado.

Protesto em Porto de Galinhas

O corpo de Heloysa Gabrielly foi enterrado no cemitério do Distrito de Nossa Senhora do Ó, em Ipojuca, sob forte clima de comoção entre os moradores.

Revoltados, eles contam que as ações policiais são violentas e constantes nas comunidades.

 

"O policial quando chega, já chega 'metendo' bala. Como eu vou ficar se eu perder meu filho por conta de um policial, uma pessoa que eu estou pagando para fazer minha segurança?", diz uma moradora.

>>> VEJA TAMBÉM: Corpo de criança morta durante ação policial é enterrado em Porto de Galinhas sob aplausos e forte comoção

Porto de Galinhas está fechada?

Os protestos em Porto de Galinhas iniciaram após o velório de Heloysa na última quinta-feira (31) e continuaram até o final do dia.

Durante todo o dia, houve protesto e o comércio da vila de Porto de Galinhas não abriu as portas.

TV JORNAL/REPRODUÇÃO
Comércio fechado em Porto de Galinhas após morte de criança na comunidade de Salinas - TV JORNAL/REPRODUÇÃO

A entrada principal de Porto foi bloqueada pelos protestantes. Os turistas, assustados, tentaram deixar o local. 

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*Com informações do repórter Filipe Farias, do JC