TRISTEZA

"Faço aniversário no Dia dos Pais e tinhamos combinado de ficar juntos", revela pai de Johnny

"Pai, não tenho dinheiro para comprar um presente para o senhor", disse Johnny a Seu Clécio, que respondeu ao filho que ele já era um presente

Revoltados com a fatalidade, os moradores do bairro pedem justiça pela morte do adolescente - Foto: Cortesia

Clécio Ferreira, pai de Johnny Lucindo Ferreira, adolescente de 17 anos que morreu após levar um tiro na cabeça durante uma aborgagem policial nessa quinta-feira (6), revelou, em entrevista à TV Jornal hoje (7), que pretendia passar o Dia dos Pais junto do filho. A data, coincidentemente, é a mesma do aniversáiro de Seu Clécio.

"Eu completo ano agora, dia 9 de agosto, no domingo e ele me disse que não tinha dinheiro para comprar meu presente. Eu respondi a ele dizendo que não precisava me dar presente, pois ele já era um pra mim", detalhou o pai da vítima, completando "Johnny me disse que tudo bem, que a gente ficaria juntos no dia". 

Assista na reportagem

Nota da PMPE sobre denúncias de moradores de Prazeres contra as abordagens no local

A Polícia Militar informa que o comandante do 6º BPM, não recebeu nenhuma denúncia desta natureza. Inclusive, vem recebendo elogios da população quanto a atuação do policiamento durante esse período de Pandemia, que trabalha para se fazer cumprir o decreto governamental que proíbe aglomerações. Qualquer cidadão que se sentir prejudicado por ação ou omissão de um policial militar, no exercício da sua função, poderá formalizar a denúncia na Corregedoria da SDS ou no Batalhão a qual pertence o policial.

Enterro

O corpo do adolescente foi enterrado ontem (6), sob forte comoção de amigos e parentes, no Cemitério da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. De acordo com os familiares da vítima, o disparo foi feito por um policial militar durante uma abordagem no bairro de Prazeres. Durante o enterro, algumas pessoas precisaram ser amparadas, enquanto amigos e parentes faziam homenagens ao jovem.

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Relembre o caso

De acordo com testemunhas, o adolescente voltava para casa na garupa da moto de um amigo quando os dois foram abordados por uma viatura. O jovem teria se assustado, tentando correr e em seguida foi atingido por um tiro efetuado por um policial. A versão foi contestada pela Polícia militar, que alegou ter encontrado um simulacro de arma de fogo e  também que a vítima teria reagido. 

Socorro

Ainda de acordo com testemunhas, Jhonny foi socorrido na própria viatura da polícia para uma unidade de saúde mas não resistiu aos ferimentos. Já o amigo de 18 anos, que pilotava a moto foi conduzido para o DHPP, no bairro do Cordeiro. Segundo o tio do rapaz, que não quis ter o nome revelado, o sobrinho também voltava do trabalho.

Os moradores denunciam que as câmeras de câmeras de segurança da rua foram retiradas para supostamente dificultar a investigação. Revoltados com a fatalidade, os moradores do bairro pedem justiça pela morte de Jhonny. Foi apreendido um simulacro de arma que, segundo a polícia, estaria com o adolescente durante a abordagem.

Depoimento

O advogado do estudante que pilotava a moto conversou com a equipe de reportagem da TV Jornal no DHPP. De acordo com ele, durante a ação, o jovem ficou parado e obedeceu a ordem policial. 

O policial que teria efetuado o disparo contra o adolescente compareceu ao DHPP para prestar esclarecimento. Nem os policiais militares e nem o advogado do PM quiseram gravar entrevista. 

Nota da Polícia Militar na íntegra

Em nota, a Polícia Militar de Pernambuco afirma que, na tarde de quinta-feira (5), policiais militares do 6º BPM realizavam rondas em Prazeres quando receberam informações acerca de uma dupla em uma motocicleta que estava praticando assaltos na região. "Nesse momento, os PMs se depararam com duas pessoas em uma moto, em atitude suspeita.

Ao dar ordem de parada, eles não obedeceram e fugiram, mais adiante, eles pararam e um deles correu, enquanto o outro, colocou a mão na cintura, parecendo estar armado, momento em quem o policial atirou. O efetivo realizou o socorro para a UPA do Sovate e, posteriormente, para o Hospital da Restauração, onde não resistiu e morreu.

Na ação, foi encontrado um simulacro. Os policiais se apresentaram no DHPP, que investigará o fato e em seguida, para a Delegacia de Polícia Judiciária Militar, que vai instaurar um inquérito para apurar o ocorrido", escreveu a PM.

Inquérito instaurado pela Polícia Civil

A Polícia Civil informou, em nota, que instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte de um rapaz de 17 anos, na tarde de quinta-feira (05), em Jaboatão dos Guararapes. Segundo a nota, informações iniciais dão conta de que o jovem estava em uma motocicleta, acompanhado de outro rapaz, quando desobedeceu a uma ordem de parada, em uma ronda da Polícia Militar no bairro de Prazeres.

"Segundo os policiais militares envolvidos na ocorrência, que compareceram ao DHPP para prestar esclarecimentos, o jovem de 17 anos estaria armado e tentou escapar da abordagem. Foi alvejado e socorrido pelos policiais, inicialmente, para a UPA Sotave e depois para o HR, mas não resistiu. Com ele, foi apreendido um simulacro de arma de fogo.

O DHPP já iniciou as investigações e colherá todos os elementos disponíveis, com seriedade, dedicação e técnica, para elucidar o fato e dar os devidos esclarecimentos à sociedade. Até que o inquérito seja concluído, não serão dadas informações para não haver prejuízo aos trabalhos", escreveu a Polícia Civil.

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