CASO DE POLÍCIA

Familiares e amigos de adolescente morto pedem afastamento do policial ao Governo de Pernambuco

Jhonny foi morto com um tiro na cabeça durante abordagem policial em Jaboatão dos Guararapes

Familiares e amigos de adolescente morto pedem afastamento do policial ao Governo de Pernambuco

Jhonny foi morto com um tiro na cabeça durante abordagem policial em Jaboatão dos Guararapes - Foto: Cortesia

Familiares e amigos do soldador identificado por Jhonny Lucindo Ferreira, de 17 anos, assassinado com tiro na cabeça no bairro de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife, vão pedir, em passeata, na tarde desta quinta-feira (13), ao Governo de Pernambuco o afastamento do policial militar que, segundo os parentes, é responsável por ter efetuado o disparo no adolescente na semana passada.

"A gente está fazendo essa manifestação em favor do ato que aconteceu com o Jhonny, do que fizeram com o meu filho e a gente quer justiça. A gente ainda confia na justiça e a gente quer ver se o governo estadual, a corregedoria deem respostas pelo ato que aconteceu", falou o pai de Jhonny.

De acordo com o pai do adolescente, será protocolado um pedido de audiência com o governador Paulo Câmara à respeito do crime. "A gente ainda não tem contato com ele, mas a gente vai ver com a assessoria dele para nos dá alguma explicação para a gente. A gente quer uma resposta deles porque o policial ainda está em serviço ainda e queríamos saber resposta disso tudo. Ele foi o autor do caso", acrescentou.

Segundo os parentes, a vítima voltava da oficina do avô onde trabalhava quando encontrou um amigo de moto e pegou uma carona. Na Rua Sete de Setembro, os dois teriam sido abordados por policiais militares que passavam em uma viatura. Em conversa com a equipe de reportagem da TV Jornal, uma mulher que teve medo de mostrar o rosto, diz que um dos PMs efetuou um disparo que atingiu a cabeça do adolescente.

Justiça

Revoltados com a fatalidade e com cartazes em mãos, os amigos e parentes clamaram por justiça na morte do adolescente. A mãe de Jhonny, acredita que a mobilização sobre o pedido de afastamento será de grande ajuda. "A gente espera muitas pessoas que, venha dar forças e nos ajudar para que esse caso não venha ficar impune. O que a gente mais quer é justiça", falou Simone.

Dor e revolta

Durante o enterro, algumas pessoas precisaram ser amparadas, enquanto amigos e parentes faziam homenagens ao jovem.  As imagens mostram que o cemitério estava lotado, com várias pessoas emocionadas. Quem conviveu com o adolescente, não se conforma com a morte repentina e reafirma que ele não reagiu à abordagem policial. Já os pais da vítima se dividiram entre os sentimentos de dor e revolta. 

 

Inquérito instaurado

A Polícia Civil informou, em nota, que instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte de um rapaz de 17 anos, na tarde de quinta-feira (05), em Jaboatão dos Guararapes. Segundo a nota, informações iniciais dão conta de que o jovem estava em uma motocicleta, acompanhado de outro rapaz, quando desobedeceu a uma ordem de parada, em uma ronda da Polícia Militar no bairro de Prazeres.

"Segundo os policiais militares envolvidos na ocorrência, que compareceram ao DHPP para prestar esclarecimentos, o jovem de 17 anos estaria armado e tentou escapar da abordagem. Foi alvejado e socorrido pelos policiais, inicialmente, para a UPA Sotave e depois para o HR, mas não resistiu. Com ele, foi apreendido um simulacro de arma de fogo. O DHPP já iniciou as investigações e colherá todos os elementos disponíveis, com seriedade, dedicação e técnica, para elucidar o fato e dar os devidos esclarecimentos à sociedade. Até que o inquérito seja concluído, não serão dadas informações para não haver prejuízo aos trabalhos", escreveu a Polícia Civil.

"Quando olhei para trás, já tinha atirado em Jhonny", diz amigo de adolescente morto em Prazeres

Em entrevista a equipe de reportagem da TV Jornal, o amigo de 18 anos que pilotava a moto e estava ao lado de Jhonny no momento da abordagem falou sobre os últimos momentos com a vítima. "Quando a gente estava chegando na ponte, na frente do mercadinho, os homens mandaram a gente parar. Quando paramos, coloquei a mão na cabeça e quando olhei para trás, ele já tinha atirado em Jhonny e em seguida ele caiu no chão. Nem eu e nem ele estávamos com simulacro. Ele só estava com o celular dele na cintura que eu vi, pois peguei ele na casa dele", falou o jovem que não quis mostrar o rosto. 

Depoimento

O advogado do estudante que pilotava a moto conversou com a equipe de reportagem da TV Jornal no DHPP. De acordo com ele, durante a ação, o jovem ficou parado e obedeceu a ordem policial.  O policial que teria efetuado o disparo contra o adolescente compareceu ao DHPP para prestar esclarecimento. Nem os policiais militares e nem o advogado do PM quiseram gravar entrevista. 

Procurada pela TV Jornal, Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que o policial permanece em suas funções, a menos que a investigação aponte existência de crime na conduta do servidor. A Corregedoria também instaurou procedimento preliminar para investigar se houve cometimento de infração disciplinar

Polícia Militar

Em nota, a Polícia Militar de Pernambuco afirmou que, na tarde de quinta-feira (5), policiais militares do 6º BPM realizavam rondas em Prazeres quando receberam informações acerca de uma dupla em uma motocicleta que estava praticando assaltos na região. "Nesse momento, os PMs se depararam com duas pessoas em uma moto, em atitude suspeita. Ao dar ordem de parada, eles não obedeceram e fugiram, mais adiante, eles pararam e um deles correu, enquanto o outro, colocou a mão na cintura, parecendo estar armado, momento em quem o policial atirou. O efetivo realizou o socorro para a UPA do Sovate e, posteriormente, para o Hospital da Restauração, onde não resistiu e morreu. Na ação, foi encontrado um simulacro. Os policiais se apresentaram no DHPP, que investigará o fato e em seguida, para a Delegacia de Polícia Judiciária Militar, que vai instaurar um inquérito para apurar o ocorrido", escreveu a PM.

Relembre o caso

De acordo com testemunhas, o adolescente voltava para casa na garupa da moto de um amigo quando os dois foram abordados por uma viatura. O jovem teria se assustado, tentando correr e em seguida foi atingido por um tiro efetuado por um policial. A versão foi contestada pela Polícia militar, que alegou ter encontrado um simulacro de arma de fogo e  também que a vítima teria reagido. 

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