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Cães estão sendo treinados para identificar pacientes com covid-19

Pesquisa da UFRPE desenvolve estudo sobre utilização de cães para detectar o novo coronavírus em pessoas

Cães estão sendo treinados para identificar pacientes com covid-19

Cães são usados durante estudo - Foto: Pixabay

Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e da Escola Nacional Veterinária de Alfort, na França, desenvolveram um estudo sobre a utilização de cães para detectar pessoas infectadas pela covid-19.

A fase 1 da pesquisa já está sendo finalizada. Depois, o estudo terá mais duas fases para comprovar a eficácia do método.

O professor Anísio Soares, coordenador da pesquisa em Pernambuco, explica que a utilização dos cães se dá pelo seu faro aguçado. “Sabidamente, os cães têm esse faro aguçado. Tanto é que não é novidade a gente encontrar cães farejadores sendo utilizados para encontrar a presença de entorpecentes, drogas, de pólvora, encontrar pessoas também em alguns acidentes e [identificar] algumas doenças, como câncer, principalmente câncer de próstata”, contou.

 

Não há restrição quanto à raça do animal e, segundo o professor Anísio Soares, os cães utilizados no estudo são da unidade K9, em São Paulo, que já tem experiência no treinamento dos bichos para atuação nas polícias, por exemplo.

O diálogo inicial da pesquisa aconteceu em abril e, com a ajuda da Prefeitura de Paudalho, na Zona da Mata Norte do Estado, foi possível iniciar a coleta do material para ser utilizado no treinamento dos cães.

“A gente precisava de amostras de pessoas positivas e negativas. Fomos atrás de parceiros. Conseguimos, através da Secretaria Municipal de Saúde de Paudalho (...) quando as pessoas ligavam ou procuravam o posto de saúde relatando a síndrome gripal, eles convidavam as pessoas, apresentavam o projeto e a orientação era que quando a pessoa aceita [participar do projeto], 24 horas antes [dela fazer o exame] ela não tomasse banho, não usasse perfume e, no dia seguinte, a equipe de saúde chegava lá para fazer a coleta de swab, o normal do cotonete para a reação do PCR”, detalhou o professor.

Além disso, também era feita uma outra etapa para coleta de material. “Paralelo a isso, a pessoa coloca um chumaço de algodão na axila, durante 20 minutos. Após 20 minutos, esse algodão é colocado em potes de vidro. Um fica aqui na universidade e outro a gente manda para São Paulo, para o centro de treinamento de cães e o instrutor faz o treinamento com os cães”, completou.

Fase 2 da pesquisa

A fase 2 da pesquisa deve ser iniciada entre o final de agosto e início de setembro. Nessa etapa, os cães serão trazidos para Paudalho, município parceiro da pesquisa, e serão colocados em contato com os pacientes.

Lá, quando os casos suspeitos forem fazer a coleta do exame, os pacientes serão colocados numa sala, onde o cão será levado para o sentir o odor.

“A gente quer comprovar que o cão é capaz de identificar não somente o odor da covid no algodão, mas sentir diretamente na pessoa. Essa fase 2 é muito importante e vai definir os cães que passam nessa fase (...) Se ele passar dessa fase, ele vai estar pronto para sair de um ambiente hospitalar, de um grupo mais reservado para aquela fase que é o nosso objetivo maior da pesquisa, pode ser [usado] num estágio de futebol, num aeroporto”, detalhou.

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