PROTESTO

"Meus netos me perguntam se tem almoço, vou na cozinha e choro", desabafa comerciante em protesto

Os comerciantes das orlas estão parados há mais de 5 meses

A categoria está parada há 5 meses - Foto: Reprodução/TV Jornal

Em entrevista à TV Jornal nesta quinta-feira (20), a comerciante Rosa Maria de Albuquerque que trabalha há 19 anos na praia de Piedade, Zona Sul do Recife, falou dos momentos difíceis que tem enfrentado para sustentar a família. De acordo com a trabalhadora, a falta de alimento tem lhe causado noites mal dormidas e de muita amargura.

"Eu dependo do meu trabalho. Eu e minha família estamos vivendo momentos de miséria, uma calamidade. Porque muitas vezes eu vou dormir chorando porque não tenho dinheiro para servir à minha família. Eu não tenho nada para dar aos meus netos. Eles chegam e perguntam: Vó, tem almoço? E eu digo tem e vou para a cozinha. E quando chego lá, eu choro", fala emocionada. 

Na manhã desta quinta-feira (20), os barraqueiros do Recife e Jaboatão dos Guararapes se reuniram na Avenida Boa Viagem, fazendo um protesto pela volta das atividades nas orlas. A categoria está parada há mais de 5 meses. Durante o desabafo, Rosa também clamou para que uma resposta seja dada para a categoria que, almeja o retorno das atividades.

"O que nós esperamos é uma resposta positiva do governo porque a gente já vem reivindicando há muito tempo e eles não dão uma resposta. Na mesa do governador, não falta nada. Estamos passando por necessidade. A gente quer a dignidade, a gente precisa trabalhar", relatou.

Comerciante acumula dívidas

A comerciante contou também que viu a vida se transformar desde o início da pandemia do novo coronavírus. Depois de sempre conseguir equilibrar as contas, atualmente acumula dívidas: são dois cartões de crédito sem pagamentos, além das contas de água e de luz. "Eu tinha uma vidinha até sossegada. Essa pandemia acabou comigo", relatou Rosa. 

 

Reuniões

O vice presidente da Associação dos Microempreendedores de Jaboatão, Jota Neves, falou que já foi foram feitas reuniões com o Governo de Pernambuco sobre a situação. Segundo ele, os governantes prometeram um protocolo para a volta das atividades, mas até agora nada foi feito.

"Já tivemos três reuniões, duas presenciais e uma virtual. Na última sexta-feira, tivemos uma reunião virtual que ficou definido que eles passariam um protocolo que já existe para os municípios que têm orla marítima, para que possa ser passado para a gente, para que possamos voltar a trabalhar nas praias o mais rápido possível. Mas, até agora, nada”, contou.

Necessidades financeiras

Além disso, Jota Neves também disse que muitos barraqueiros estão passando por situações financeiras complicadas. “Estamos passando necessidades, acumulando dívidas e a situação está cada vez mais difícil. São quase mil barraqueiros, na verdade até mais, além do impacto de 35 mil pessoas que vivem diretamente ou indiretamente disso aqui”, acrescentou.

Espera

O vice-presidente da Associação dos Microempreendedores de Jaboatão ainda afirmou que os manifestantes seguirão até o Edifício Castelinho, que fica na Avenida Boa Viagem, e estão aguardando um pronunciamento do Governo para que uma data para o retorno das atividades seja resolvida o mais rápido possível.

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