IBGE

Pesquisa mostra problemas nos hábitos e alimentação dos pernambucanos

Pernambucanos possuem mais práticas de alimentação prejudiciais à saúde e menos práticas de qualidade de vida, como exercícios físicos

Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Publicado em 19/11/2020 às 11:58
Conselho Federal de Nutricionistas/Direitos Reservados
FOTO: Conselho Federal de Nutricionistas/Direitos Reservados

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em convênio com o Ministério da Saúde, revelou que os pernambucanos são os maiores consumidores de refrigerantes e alimentos ultraprocessados da região Nordeste.

O levantamento também apontou que, aqui no Estado, a realização de atividades físicas está abaixo da média nacional. O índice é o 2º pior da região e o 6º mais baixo do país.

>> Saiba quais os alimentos que nos ajudam na batalha contra a preguiça

>> Você tem intestino preso? Saiba quais alimentos podem te ajudar com o problema

>> Saiba quais alimentos diminuem os sintomas da menopausa

Avaliação de saúde

59% dos pernambucanos com idade acima dos 18 anos avaliaram a própria saúde como boa ou muito boa e relacionaram a condição com a prática de exercícios físicos e com o consumo de alimentos saudáveis.

Os dados, porém, ficaram abaixo da média nacional, que foi de 66%. Ou seja, a população pernambucana consome menos frutas, verduras, grãos e vegetais, quando comparada aos outros estados.

Pernambuco também está em alta na média de consumo de bebida alcoólica e o Recife é a capital do Norte e Nordeste com maior proporção de pessoas que fumam diariamente.

O estudo foi feito entre os meses de agosto de 2019 e março deste ano.

>> Como cuidar da anemia? Médica dá dicas de alimentos ricos em ferro

>> Alimentos industrializados podem causar intolerâncias e alergias em bebês, diz pediatra

>> Confira os benefícios do ovo para a saúde

Números no Brasil

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, na população de 18 anos ou mais de idade, 40,3% foram classificados como insuficientemente ativos, ou seja, não praticaram atividade física ou praticaram por menos do que 150 minutos por semana considerando lazer, trabalho e deslocamento para o trabalho.

No Brasil, 47,5% das mulheres eram pouco ativas em 2019. Já os homens apresentaram uma taxa de 32,1%. Mais da metade (59,7%) das pessoas de 60 anos ou mais de idade era insuficientemente ativa, e o grupo de idade menos sedentário foi o de 18 a 24 anos de idade (32,8%), seguido do grupo de 25 a 39 anos (32,9%).

Na PNS 2019, 34,2% dos homens com 18 anos ou mais praticaram o nível recomendado de atividade física no lazer, enquanto para as mulheres este percentual foi de 26,4%. No mesmo período, a média brasileira foi de 30,1%. Em 2013, esta média foi de 22,7%, enquanto os percentuais de homens e mulheres foram de 27,3% e 18,6%, respectivamente.

São considerados indivíduos fisicamente ativos no lazer aqueles que realizam qualquer prática de atividade física fora do âmbito da escola ou trabalho, por exemplo, por mais de 150 minutos para as consideradas moderadas ou 75 minutos para as classificadas como vigorosas na semana. São exemplos de atividades físicas moderadas: caminhada, musculação, hidroginástica. Já corrida, basquete, futebol, ginástica aeróbica e tênis são tidos como atividades vigorosas.

No âmbito doméstico, estimou-se que 15,8% dos adultos praticavam atividade física por no mínimo 150 minutos semanais, tais como faxina pesada ou atividades que requerem esforço físico intenso. Este indicador mostrou-se fortemente concentrado no público feminino, no qual 21,8% praticavam 150 minutos de atividade física nas tarefas domésticas, enquanto no público masculino foi de 9,1%.

>> Saiba quais alimentos ajudam na hidratação e amenizam o calor

>> Anvisa aprova medida para eliminar gordura trans de alimentos industrializados

>> Coronavírus: É preciso lavar embalagens dos alimentos? Médica responde

>> Alto preço dos alimentos tem feito a população ''sofrer'' para comprar comida; veja quais itens

>> Será que dá para imprimir alimentos em 3D? Veja vídeo

Consumo de álcool

Além do sedentarismo, a PNS, feita em 108 mil domicílios em parceria com o Ministério da Saúde, investigou outros fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, como o consumo de álcool.

No ano passado, 26,4% da população com 18 anos ou mais costumava consumir bebida alcoólica uma vez ou mais por semana, o que representa aumento de 2,5 pontos percentuais em relação a 2013 (23,9%).

Em 2019, a proporção de homens que tinham o hábito de consumir bebida alcoólica ao menos uma vez por semana era de 37,1%, superior ao observado entre as mulheres (17%). A proporção de mulheres que consumiam bebida alcoólica uma vez ou mais por semana cresceu 4,1 pontos percentuais frente a 2013 (12,9%) enquanto o percentual dos homens ficou praticamente estável (36,3%).

Entre as pessoas que dirigiam carro ou motocicleta, a PNS estimou a proporção de indivíduos que dirigiram após o consumo de bebida alcoólica. Este percentual, para o Brasil, foi de 17%, o equivalente a 7,2 milhões de pessoas. Essas taxas foram maiores entre homens (20,5%) do que entre as mulheres (7,8%).

Alimentação

Segundo o IBGE, a alimentação adequada e saudável representa importante condição para a manutenção da saúde e bem-estar, enquanto evidências crescentes têm demonstrado a relação entre as doenças crônicas e o consumo de alimentos não saudáveis como os ultraprocessados.

A PNS 2019 considera como consumo recomendado a ingestão de hortaliças ou frutas pelo menos 25 vezes por semana, tendo um consumo mínimo de cinco frutas (inclusive suco de fruta natural) e cinco hortaliças por semana. Em 2019, 13% das pessoas, no Brasil, tiveram o consumo recomendado de frutas e hortaliças, dos quais 15,4% entre as mulheres e 10,2% entre os homens.

A proporção de pessoas que consumiram cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados foi 14,3%. As pessoas residentes em áreas rurais registraram percentual menor (7,4%) em relação aos residentes das áreas urbanas (15,4%).

A pesquisa também constatou que o tabagismo está em declínio no Brasil. Em 2019, entre a população com 18 anos ou mais de idade, a prevalência de usuários de produtos derivados de tabaco, fumado ou não fumado, de uso diário ou ocasional foi de 12,8% (20,4 milhões de pessoas), contra 14,9% em 2013.

+VÍDEOS