DOENÇA DA URINA PRETA

Síndrome de Haff: Após casos suspeitos da doença em Pernambuco, comerciantes sofrem com diminuição nas vendas de peixes

O diretor da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária, Josemaryson Damascena, afirma que por enquanto não há motivo para as pessoas deixarem de consumir qualquer espécie de peixe

Síndrome de Haff: Após casos suspeitos da doença em Pernambuco, comerciantes sofrem com diminuição nas vendas de peixes

O diretor da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária, Josemaryson Damascena, afirma que por enquanto não há motivo para as pessoas deixarem de consumir qualquer espécie de peixe. - Foto: Reprodução

Após cinco casos suspeitos da doença da urina preta, mais conhecida como a Síndrome de Haff, devido ao consumo do peixe, comerciantes sofrem com a diminuição das vendas do pescado. Nos boxes no bairro do Pina, na Zona Sul do Recife, os comerciantes estão preocupados com o movimento que anda fraco.

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Segundo eles, as vendas despencaram desde o início da semana. Os vendedores acreditam que o fato está relacionado com o caso das duas irmãs que foram internadas após terem consumido um peixe da espécie Arabaiana.

Queda

Josenilson Matias que é pescador há mais de 40 anos. Ele disse que o comércio dele já aponta queda de mais de 50% quando comparado a semana passada. Sobre a espécie Arabaiana, o pescador disse que conhece as características do pescado.

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Já no quiosque do pescador Eneas da Lagosta, os peixes estão armazenados no gelo. Na manhã desta quinta (25), ele recebeu vários quilos, mas o cliente não apareceu.

Mercado de São José

No mercado de São José a situação se repete. E os comerciantes também estão sentindo falta do consumidores na compra do peixe.

Consumo

O diretor da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária, Josemaryson Damascena, afirma que por enquanto não há motivo para as pessoas deixarem de consumir qualquer espécie de peixe. Segundo ele, parte do pescado que foi vendido e consumido pela família está em análise.

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Já em relação as características físicas do peixe, o diretor da Apevisa disse que o caso está sendo estudado.

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Toxina do Peixe

Esta enfermidade é causada, segundo os médicos, pela contaminação com uma toxina que se desenvolve em peixes que não são bem armazenados em temperaturas adequadas.

“O que chama atenção? O peixe não foi armazenado de forma adequada nem tratado de forma adequada. Aí ele vai produzir uma toxina. Você come o peixe, não nota que tem essa toxina, o gosto não tem alteração, mas, poucos dias depois, você começa a ter a dor muscular intensa e a urina ficando preta, devendo procurar de imediato uma unidade hospitalar, quando isso acontecer”, analisou o médico infectologista Filipe Prohaska, em entrevista à TV Jornal. 

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Como se prevenir da doença da urina preta?

Segundo o especialista, para evitar este tipo de contaminação, é necessário ter cuidado com o local onde se compra o peixe. “Muito cuidado onde você compra o peixe. Muito cuidado em checar como aquele peixe chegou ali e como ele está sendo armazenado no momento da venda. O mais importante é comprar em lugares onde você tenha garantia da segurança”, explicou Filipe Prohaska. 

Ao portal G1, o médico detalhou que o ideal é que o peixe seja transportado e armazenado em temperaturas entre -2º e 8ºC. O médico orienta que, caso o produto seja adquirido na feira, é necessário identificar se o peixe está sendo mantido no gelo (para preservar a temperatura ideal). 

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Peixes

No caso das duas irmãs que adoeceram no Recife, a família informou que elas comeram peixe do tipo Arabaiana, também conhecido como “Olho de Boi”. No entanto, outras espécies já estão relacionadas com casos descritos de Síndrome de Haff. É o caso do tambaqui. Na Bahia, a doença já foi relacionada com o consumo do Badejo (Mycteroperca) e, no Amazonas, com o consumo do Pacu Manteiga (Mylossoma).

Caso no Recife

As duas irmãs adoeceram após comerem o peixe Arabaiana, espécie conhecida também como olho de boi. Uma delas está na UTI e a outra foi atendida na enfermaria de um hospital do Recife. Elas estão com a síndrome de Haff, também conhecida como doença da urina preta.

A síndrome é causada por uma toxina e provoca lesão muscular, além de afetar os rins. A mãe das duas mulheres, Betânia Andrade, concedeu entrevista ao programa Por Dentro com Cardinot, exibido nesta terça-feira (23), e fez um alerta para a população sobre o consumo do peixe.

"Muita gente não sabe, mas segundo o médico, vem do peixe essa toxina. Então queria dizer a todo mundo pra tomar cuidado. Minha filha está muito mal na UTI, a outra está no apartamento. Esse peixe está causando um mal muito grande a minha filha", declarou Betânia, emocionada. 

Alta

Uma das irmãs que adquiriu síndrome de Haff (Doença da Urina Preta) após comer o peixe Arabaiana, espécie conhecida também como Olho de Boi, recebeu alta de um hospital particular do Recife. Trata-se de Flávia Andrade, de 36 anos, que ficou na enfermaria e foi liberada na manhã desta quarta-feira (24).

UTI

Já Pryscila Andrade, de 31 anos, segue na UTI. Porém, para alívio da família, a veterinária já apresenta melhora no quadro. As informações foram repassadas para a TV Jornal pela mãe das irmãs, Betânia Andrade. As queixas das pacientes eram de fortes dores musculares e urina de cor escura. Elas consumiram o peixe arabaiana no dia 18 de fevereiro.

Doença de Haff

A doença de Haff é uma doença rara que acontece de forma repentina e que é caracterizada pela ruptura das células musculares, o que leva ao aparecimento de alguns sinais e sintomas como dor e rigidez muscular, dormência, falta de ar e urina preta, semelhante à café.

As causas da doença de Haff ainda são discutidas, no entanto acredita-se que o desenvolvimento da doença de Haff seja devido a alguma toxina biológica presente em peixes de água doce e crustáceos.

É importante que essa doença seja identificada e tratada rapidamente, isso porque a doença pode evoluir rapidamente e trazer complicações para a pessoa, como insuficiência renal, falência múltipla de órgãos e óbito, por exemplo.

Sintomas da doença de Haff

Os sintomas da doença de Haff surgem entre 2 a 24 horas após o consumo de peixe ou crustáceos bem cozidos, mas contaminados, e estão relacionados com a destruição das células musculares, sendo os principais:

  • Dor e rigidez nos músculos, que é muito forte e surge de repente;
  • Urina muito escura, marrom ou preta, semelhante à cor do café;
  • Dormência;
  • Perda da força;

Na presença desses sintomas, principalmente se for notado escurecimento da urina, é importante que a pessoa consulte um clínico geral para que seja possível avaliar os sintomas e realizar exames que ajudem a confirmar o diagnóstico.

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