PROTESTO

Governo de Pernambuco promete indenizar famílias de feridos em protesto no Recife


O governo estadual prometeu indenizar as vítimas depois de uma reunião com os parentes

Suzyanne Freitas
Suzyanne Freitas
Publicado em 31/05/2021 às 15:30
Hugo Muniz/ Divulgação
FOTO: Hugo Muniz/ Divulgação
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O ato contra o governo Bolsonaro no Recife, no último sábado (29), gerou muita repercussão. Isso porque a força fora do comum utilizada pelos policiais militares, resultou em pessoas feridas com tiros de bala de borracha. Foram os casos do arrumador Jonas Correria de França, de 29 anos, e o adesivador Daniel Campelo da Silva, de 51 anos, que foram atingidos nos olhos por balas de borracha.

Os dois estavam no centro da cidade a trabalho e foram surpreendidos pela manifestação. Nesta segunda-feira (31), familiares se reuniram, pela primeira vez, com o Governo do Estado, que prometeu indenizar as vítimas. A reunião, que foi convocada pelo secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, durou cerca de 30 minutos. A imprensa não pode acompanhar.

O secretário recebeu a esposa e o irmão do arrumador Jonas Correia, que saíram revoltados. Segundo eles, o governo não está dando assistência. Hoje pela manhã, o arrumador, que está internado no Hospital da Restauração, com um ferimento no olho direito, relatou problemas no tratamento. "Não chegou remédio nenhum não. (...) Os remédios que "está" aqui, foi os remédios que meu irmão comprou", relatou Jonas.

Os remédios prescritos por oftalmologistas da Fundação Altino Ventura foram comprados pela própria família da vítima, como denuncia a esposa dele, a dona de casa Daniela Rocha. "Foi o irmão dele, junto com o pai, que comprou as medicações. Porque o governo não deu nada", relatou Daniela. Segundo a esposa, Jonas tinha largado do trabalho quando se deparou com o protesto. Ele parou para filmar e mostrar à família, o motivo do atraso para chegar em casa. O momento em que ele é atingido por policiais do batalhão de choque foi registrado em um vídeo.

>>Vídeo: Vereadora do Recife é agredida com spray de pimenta pela PM durante ato contra Bolsonaro

Justiça

Segundo o irmão do arrumador, Manoel França, os médicos disseram que a visão de Jonas dificilmente vai se recuperar. "A visão dele já está comprometida. Ele já está sem visão", falou Manoel. Os familiares de Jonas, que não participava do protesto, querem justiça e vão procurar a Polícia Civil.

Outras pessoas ficaram feridas

Além de Jonas, o adesivador Daniel Campelo, 51 anos, também foi atingido no olho por disparos de bala de borracha. Os dois estão internados no HR, mas estão indo à Fundação Altino Ventura receber atendimento oftalmológico, não disponibilizado pelo hospital. Além deles, outras pessoas também ficaram feridas no protesto. É o caso do advogado Roberto Leandro que foi atingido nas costas e na perna. Segundo ele, a polícia sabia do trajeto dos manifestantes com antecedência. "A polícia estava avisada do trajeto que seguia da Praça do Derby até a Avenida Guararapes, e que lá teria essa dispersão espontânea, por assim dizer, da própria manifestação", afirmou.

Indenização

O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, falou como o governo deve auxiliar as famílias. "É evidente que qualquer ação ela tem que ser moderada, ponderada e tem que buscar sempre o maior potencial possível de redução de dano. (...) A passeata vinha acontecendo de forma pacífica. O governador e o secretário de defesa social, durante três horas, acompanharam e tomaram conhecimento do andamento da passeata. E chegando na ponte Duarte Coelho, aconteceu essa episódio. (...) O governador já determinou imediatamente o afastamento dos suspeitos, foi instaurado o inquérito policial para saber o que aconteceu, como é um crime militar e ao lado disso também o inquérito da polícia civil, porque houve lesão corporal de natureza gravíssima. (...) Por outro lado, recebi uma das famílias agora pela manhã, a outra família deve chegar amanhã pela manhã. (...) Há uma decisão nossa de fazer também uma ação idenizatória pela lesão corporal", disse.

O protesto

O protesto aconteceu no último sábado (29). Os manifestantes se concentram na Praça do Derby e seguiram em caminhada pela Conde da Boa Vista com faixas, cartazes e bandeiras. Policiais do batalhão de choque estavam aguardando a manifestação na Ponte Duarte Coelho. Foram disparados tiros de bala de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral. A vereadora Liane Cirne (PT) chegou a ser atingida pelo spray de pimenta.