TRISTEZA

"Minha rotina mudou totalmente. É outra vida", diz adesivador que foi baleado no olho por policial em ato no Recife

Em entrevista ao TV Jornal Meio-Dia nesta segunda-feira (7), o adesivador de carros Daniel Campelo, de 51 anos, atingido no olho esquerdo por um disparo de bala de borracha, relembrou os momentos difíceis em que passou durante o ato

Suzyanne Freitas
Suzyanne Freitas
Publicado em 07/06/2021 às 13:45
Reprodução/TV Jornal
FOTO: Reprodução/TV Jornal
Leitura:

O final de semana foi marcante para os dois homens que perderam a visão depois de serem atingidos por balas de borracha disparadas pela Polícia Militar, durante o protesto contra o governo Bolsonaro, na Área Central do Recife, no último dia 29 de maio. Uma semana após perderem a visão, Daniel e Jonas tentam se adaptar à nova rotina que a ação da PM impôs à vida deles.

Em entrevista ao TV Jornal Meio-Dia nesta segunda-feira (7), o adesivador de carros Daniel Campelo, de 51 anos, atingido no olho esquerdo por um disparo de bala de borracha, relembrou os momentos difíceis em que passou durante o ato e contou que não esperava uma reação tão truculenta por parte da PM. Na ocasião, Daniel também contou como está sendo sua rotina. "A minha rotina, ela está difícil. A minha rotina mudou totalmente. Daqui para frente, é outra vida", falou Daniel.

Segundo Daniel, ele irá ser avaliado pelo médico novamente e, dependendo da avaliação, será necessário se submeter a uma nova cirurgia no olho. Ele ainda conta que, até o momento, o governo apenas deu uma cesta básica, mas as demais "coisas" estão faltando.

Corpo dolorido

Além do olho, o adesivador relatou que sente dores em todo o corpo. "Pelo impacto da bala de borracha, que é muito forte, o meu corpo está todo dolorido, sem contar que estou arranhado e estou com outra marca de bala de borracha nas costas", disse.

Confira a entrevista completa

Governo de Pernambuco promete indenizar feridos

O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, falou como o governo deve auxiliar as famílias. "É evidente que qualquer ação ela tem que ser moderada, ponderada e tem que buscar sempre o maior potencial possível de redução de dano. (...) A passeata vinha acontecendo de forma pacífica. O governador e o secretário de defesa social, durante três horas, acompanharam e tomaram conhecimento do andamento da passeata. E chegando na ponte Duarte Coelho, aconteceu essa episódio. (...) O governador já determinou imediatamente o afastamento dos suspeitos, foi instaurado o inquérito policial para saber o que aconteceu, como é um crime militar e ao lado disso também o inquérito da polícia civil, porque houve lesão corporal de natureza gravíssima. (...) Por outro lado, recebi uma das famílias agora pela manhã, a outra família deve chegar amanhã pela manhã. (...) Há uma decisão nossa de fazer também uma ação idenizatória pela lesão corporal", disse.

29 de maio

Protestos contra o presidente Jair Bolsonaro foram realizados em todo o país, no último sábado (29). No Recife, a manifestação teve concentração às 9h na Praça do Derby, de onde os participantes saíram em caminhada pelas ruas da área central da capital. Quando chegaram à Ponte Duarte Coelho, policiais militares fizeram um bloqueio e atiraram contra os manifestantes, usando balas de borracha, sprays de pimenta e gás lacrimogêneo. Dois homens, que não participavam do protesto, foram feridos gravemente na região dos olhos.

+VÍDEOS