SAÚDE

Notificações de chikungunya no Recife têm aumento de 600%; saiba diferenciar arboviroses

Até o mês de maio, a Secretaria de Saúde do Recife notificou mais de 2.500 casos de doenças transmitidas pelo aedes aegypti na cidade, as arboviroses, como a chikungunya


Notificações de chikungunya no Recife têm aumento de 600%; saiba diferenciar arboviroses

Enquanto o novo coronavírus (covid-19) avança em Pernambuco, os moradores do Recife convivem também com aumento das doenças provocadas pelo mosquito aedes aegypti - Foto: Foto: Agência Brasil

Com informações do JC Online

Enquanto o novo coronavírus (covid-19) avança em Pernambuco, os moradores do Recife convivem também com o aumento das doenças provocadas pelo mosquito aedes aegypti. A chikungunya é a que mais preocupa. O aumento no número de casos já é de mais de 600%.

No bairro do Arruda, Zona Norte, por exemplo, muitos moradores foram diagnosticados com a doença, nos últimos dias. Eles contam que, nos últimos meses, o número de pessoas com arboviroses no bairro aumentou. O motivo seria o acúmulo de água e de entulhos no terreno de um conjunto residencial que está abandonado.

A equipe de reportagem da TV Jornal, no mesmo condomínio, registrou reservatórios de água abertos, sem proteção, o que pode facilitar o desenvolvimento do mosquito.

Sintomas

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus chikungunya (CHIKV). A doença é transmitida através da picada de fêmeas dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus infectados pelo CHIKV. Os sinais e sintomas são clinicamente parecidos aos da dengue – febre de início agudo, dores articulares e musculares, dor de cabeça, náusea, fadiga e exantema (erupções na pele).

A principal manifestação clínica que a difere são as fortes dores nas articulações, que muitas vezes podem estar acompanhadas de edema. Além de febre e mal-estar, o vírus chikungunya pode provocar essas complicações no longo prazo, como inflamações nas articulações, que causam dores fortes, inchaço e limitação de movimento.

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Casos

Até o mês de maio, a Secretaria de Saúde do Recife notificou mais de 2.500 casos de doenças transmitidas pelo aedes aegypti na cidade. Desse total, 1.372 foram casos foram de dengue, 1.177 de chikungunya e 43 de zika. Ainda de acordo com a Secretaria, o número de casos de chikungunya aumentou em mais de 600% em relação ao mesmo período do ano passado.

Diferença entre as arboviroses

Qual é a diferença entre as três arboviroses e como identificá-las? Confira abaixo as informações do Programa de Prevenção à Dengue, Chikungunya e Zika do Governo do Estado e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Dengue

  • Transmissão: picada do Aedes aegypti
  • Proliferação: água parada
  • Sintomas: febre alta (acima de 38ºC); dores musculares intensas; dor ao movimentar os olhos; mal estar; falta de apetite; dor de cabeça; manchas vermelhas no corpo
  • Duração: 2 a 7 dias
  • Complicação: dor abdominal; vômitos; sangramentos nas mucosas
  • Prevenção: evitar a proliferação do mosquito
  • Vacina: só na rede privada. É indicada para quem já teve dengue

A dengue é doença febril aguda, que pode ser de curso benigno ou grave, dependendo da forma como se apresente. É causada por um vírus RNA, sendo conhecidos quatro sorotipos: DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4, que são transmitidos ao homem pelo mosquitos do gênero Aedes, principalmente a espécie Aedes aegypti. As condições ambientais dos países tropicais favorecem o desenvolvimento e a proliferação do mosquito. A transmissão da dengue é feita pela picada do mosquito fêmea (Aedes aegypti) infectado pelo vírus ao ser humano.

O paciente pode apresentar três diferentes formas da doença: dengue, dengue com sinais de alarme ou dengue grave. Alguns dos sintomas da doença são febre aguda, com duração máxima de sete dias, acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sintomas: cefaleia (dores de cabeça), dor retro-orbital (dores nos olhos), mialgia (dores musculares), artralgia (dores nas articulações), prostração (corpo mole), exantema (manchas avermelhadas na pele). Além destes, deve ter estado nos últimos quinze dias em área onde esteja ocorrendo transmissão de dengue ou haja a presença de A. aegypti.

Nesse caso, deve-se procurar a unidade de saúde mais próxima para atendimento médico. Iniciar a ingestão de bastante líquidos (água, sucos, chás e soro caseiro) e ficar atento aos sinais de alarme. É importante que os casos suspeitos e/ou confirmados de dengue sejam notificados às autoridades sanitárias municipais para que desencadeiem medidas de controle da doença. A forma mais adequada para a prevenção é evitar focos do mosquito. A regra básica é não deixar a água, principalmente limpa, parada em qualquer tipo de recipiente.

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Chikungunya

  • Transmissão: picada do Aedes aegypti
  • Proliferação: água parada
  • Sintomas: febre alta (acima de 38°C); pele e olhos avermelhados; coceira; dores no corpo e articulações (joelhos e pulsos); dor de cabeça
  • Duração: até 15 dias
  • Complicações: encefalite; Síndrome de Guillain-Barré; complicações neurológicas
  • Prevenção: evitar a proliferação do mosquito
  • Vacina: não tem

Doença causada por um vírus do gênero alphavirus, transmitida por mosquitos do gênero Aedes, sendo Aedes aegypti e Aedes albopictus os principais vetores. É caracterizada por febre alta, dores articulares ou artrite intensa com início agudo, podendo estar associados à cefaleia (dores de cabeça), mialgias (dores musculares) e exantema (manchas avermelhadas na pele). Deve-se considerar um caso suspeito de chikungunya o paciente com febre de início súbito, acima de 38,5°C, e com artralgia ou artrite intensa de início agudo, não explicado por outras condições.

A confirmação do diagnóstico é feita a partir da análise clínica de amostras de sangue e o tratamento contra a febre chikungunya é sintomático, ou seja, analgésicos e antitérmicos são indicados para aliviar os sintomas, sempre sob supervisão médica. Medidas como beber bastante água e guardar repouso também ajudam na recuperação. Anti-inflamatórios e até fisioterapia podem ser indicados ao paciente se a dor nas articulações persistir mesmo depois da febre ter cessado.

A chikungunya é considerada mais branda do que a dengue e são muito raras as mortes que ocorrem por sua manifestação. Os óbitos, todavia, podem ocorrem por complicações em pacientes com doenças pré-existentes.

  • Transmissão: picada do Aedes aegypti; sexo sem proteção; mãe para o feto na gravidez
  • Proliferação: água parada
  • Sintomas: febre baixa; dor de cabeça; dores no corpo e nas juntas; manchas vermelhas no corpo; olho vermelho
  • Duração: 3 a 7 dias
  • Complicações: encefalite; Síndrome de Guillain-Barré; doenças neurológicas; microcefalia
  • Prevenção: evitar a proliferação do mosquito
  • Vacina: não tem

Zika

A Zika é uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos, tais como Aedes aegypti. Os sintomas relacionados ao vírus costumam se manifestar de maneira branda e o paciente pode, inclusive, estar infectado e não apresentar qualquer sintoma (apenas uma em cada quatro pessoas infectadas apresenta manifestação clínica da doença). Mas um sinal clínico que pode aparecer logo nas primeiras 24 horas e é considerado como uma marca da doença é o rash cutâneo e o prurido, ou seja, manchas vermelhas na pele que provocam intensa coceira. Há, inclusive, relatos de pacientes que têm dificuldade para dormir por conta da intensidade dessas coceiras.

Ao contrário da dengue e da chikungunya, o quadro de febre causado pelo vírus Zika costuma ser mais baixo e as dores nas articulações mais leves. A doença ainda traz como sintomas a hiperemia conjuntival (irritação que deixa os olhos vermelhos, mas sem secreção e sem coceira), dores musculares, dor de cabeça e dor nas costas. Bastante raros, os relatos de morte em decorrência de zika estão, geralmente, relacionados ao agravamento do estado de saúde do paciente, já portador de outras enfermidades.

O vírus Zika foi isolado pela primeira vez em primatas não humanos em Uganda, na floresta Zika em 1947, por esse motivo esta denominação. O Zika Vírus é considerado endêmico no Leste e Oeste do continente Africano. Atualmente há registro de circulação esporádica na África (Nigéria, Tanzânia, Egito, África Central, Serra Leoa, Gabão, Senegal, Costa do Marfim, Camarões, Etiópia, Quénia, Somália e Burkina Faso) e Ásia (Malásia, Índia, Paquistão, Filipinas, Tailândia, Vietnã, Camboja, Índia, Indonésia) e Oceania (Micronésia, Polinésia Francesa, Nova Caledônia/França e Ilhas Cook). Casos importados de Zika virus foram descritos no Canadá, Alemanha, Itália, Japão, Estados Unidos, Austrália e Ilha de Páscoa (Chile).

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