DEPOIMENTO

PMs afastados após protesto no Recife contra Bolsonaro e vereadora agredida com spray de pimenta prestam depoimento à polícia


Os quatro policiais da Rádio Patrulha são suspeitos de terem agredido com spray de pimenta a vereadora e de não terem prestado socorro ao adesivador de carros Daniel Campelo, atingido no olho por bala de borracha

Suzyanne Freitas
Suzyanne Freitas
Publicado em 09/06/2021 às 14:30
Bruno Campos/ JC Imagem
FOTO: Bruno Campos/ JC Imagem
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Os PM's afastados depois do protesto no Recife contra o governo Bolsonaro no último dia 29 de maio, e a vereadora Liana Cirne (PT), prestaram depoimento à polícia nessa terça-feira (8), na Delegacia da Rio Branco, localizada no Recife Antigo. Os quatro policiais da Rádio Patrulha são suspeitos de terem agredido com spray de pimenta a vereadora e de não terem prestado socorro ao adesivador de carros Daniel Campelo, atingido no olho por bala de borracha.

O advogado Rafael Nunes, que representa os policiais, confirmou que os quatro foram convidados a prestar depoimento, mas disse que não há inquérito contra eles. Por enquanto, eles estão afastados das atividades de rua até o fim da investigação. Mesmo com as imagens mostrando a vereadora tentando conversar com os policiais e sendo agredida com spray de pimenta, o advogado defendeu a postura dos policiais. O advogado falou ainda que os policiais estavam correndo risco de vida. Ainda segundo ele, Liana Cirne estava tentando a liberação de um manifestante que estaria na viatura e só não foi detida porque os policiais estariam em menor número.

Outro lado

A vereadora Liana Cirne esteve na mesma delegacia e também prestou depoimento. Ela negou que existisse alguém detido naquela viatura.

"Policiais poderiam ser agredidos"

Sobre os policiais não terem prestado socorro ao adesivador Daniel Campelo, o advogado disse que eles poderiam ser agredidos se tivessem parado para prestar socorro. Imagens feitas logo após Daniel ser atingido mostram alguns policiais descendo da viatura e pouco tempo depois indo embora. As imagens não mostram os policiais sendo ameaçados pelos manifestantes.

O protesto

O protesto contra a gestão do presidente Jair Bolsonaro aconteceu no último dia 29 de maio. Já quando a manifestação chegava ao fim, cenas de violência foram registradas. Jonas Correia e Daniel Campelo, que passavam pelo local, mas nem participavam do ato, foram as duas pessoas que se feriram mais gravemente. A vereadora Liana Cirne também foi agredida com spray de pimenta.