TRAGÉDIA

Deslizamento de barreira que resultou na morte de uma família em Cavaleiro completa 1 mês

A queda da barreira na 6º travessa da Rua Murilo Braga aconteceu no último dia 14 de maio. Quatro pessoas da mesma família estavam na casa que foi destruída pela lama

Deslizamento de barreira que resultou na morte de uma família em Cavaleiro completa 1 mês

Deslizamento de barreira deixou quatro pessoas de uma mesma família soterradas - Foto: Tião Siqueira/ JC Imagem

Nessa segunda-feira (14) completa 1 mês da tragédia que resultou na morte de quatro pessoas da mesma família. Até hoje, roupas e os travesseiros das vítimas ainda estão no local onde eles moravam, além das marcas do deslizamento estão por todas as partes. As fortes chuvas que caía na Região Metropolitana do Recife naquela semana causou o deslizamento da barreira que sustentava a casa de pai, mãe, filho e filha, - Osvaldo, Silvia, Otávio e Isabeli - no bairro de Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes.

Um mês após o caso, os moradores da 6ª Travessa Murilo Braga temem ser os próximos, e relatam falta de amparo do poder público. É o caso de Moab Francisco, que mora próximo à barreira que caiu, teme ser a próxima vítima. Outra barreira, que fica atrás da casa dele, está ameaçando cair. “Começaram a fazer o muro de arrimo e não terminaram o resto. A barreira está caindo. Eu não tive oportunidade nem de comprar um plástico, que é barato. Minha esposa, que faz unhas, que fez das tripas, coração, para comprar”, relatou.

Com as residências condenadas, alguns moradores estão recebendo um auxílio moradia de R$ 150. Mesmo com o risco, Divan Amarante voltou para a casa interditada por não conseguir alugar outro imóvel com o valor do auxílio. Além de Divan, Ivani Gomes, de 36 anos, também recebe o auxílio. Segundo ela, o valor é insuficiente. “Auxílio é dar direito a alguém de morar em algum lugar, e esse é um valor muito baixo, não tem como”, disse. Ela cobra respostas da gestão sobre a possibilidade de retorno ao local. “O que eles vão fazer em relação a essas barreiras? O acidente com a família não pode ficar em vão”, questionou.

 

Relembre o caso

A queda da barreira na 6º travessa da Rua Murilo Braga aconteceu no último dia 14 de maio. Quatro pessoas da mesma família estavam na casa que foi destruída pela lama. O pai, a mãe e os dois filhos adolescentes foram soterrados e encontrados já sem vida. O primeiro corpo a ser encontrado foi o do filho, Otávio Pessoa de Siqueira, 16 anos, horas após a queda da barreira de mais de 50 metros. Na sexta (14) de manhã, equipes de resgate encontraram o corpo da mãe, Sílvia Regina da Silva, 36 anos. No dia 15 de maio, o Corpo de Bombeiros localizou os corpos de Osvaldo Pessoa de Siqueira, 39 anos, e Isabeli Pessoa de Siqueira, 12 anos, filha dele. Segundo os bombeiros, ambos morreram abraçados no sofá da sala.

Eles foram enterrados no domingo (16) no Cemitério do Pacheco, na mesma cidade, em cerimônia em clima de revolta e emoção e custeada pela Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes. Irmã de Osvaldo, a dona de casa Patrícia Pessoa de Siqueira, afirmou durante o velório ter "uma sensação horrível" em ver quatro pessoas da sua família mortas por causa de um deslizamento da barreira. Ela é irmã de Osvaldo. "É um pedaço da gente que se foi. Vai ficar faltando. É um momento de reflexão pra que isso não venha a ocorrer com outras pessoas", afirmou. Na época, a Defesa Civil da cidade disse que a chuva abriu uma fenda de aproximadamente 100 metros na barreira, o que veio a causar o deslizamento. No dia 13 de maio, a Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac) noticiou que nas últimas 24h teria tido um acumulado de 133 mm de precipitação em Jaboatão dos Guararapes.

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