Queria 'dar um susto nela', diz suspeito de jogar ácido em ex-mulher

TV Jornal
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Publicado em 09/07/2019 às 19:28
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A substância jogada no rosto a mulher de 19 anos foi ácido sulfúrico, segundo confirmação da Polícia Civil de Pernambuco. Em coletiva de imprensa, na manhã desta terça-feira (9), a delegada do Departamento de Polícia da Mulher, Bruna Falcão, afirmou, entre outras coisas, que as versões apresentadas pelo ex-marido e o cúmplice no crime são contraditórias. Durante depoimento que durou cerca de duas horas, o suspeito disse que queria "só dar um susto" na ex-mulher.    “Ele admite que planejou a investida contra a ex-companheira, que conversou com o amigo, que queria dar um susto na ex e que tinha ácido sulfúrico em casa, utilizado para desentupir a encanação. A partir deste material, decidiu se vingar dela, insistindo naquela versão de que ela não dava acesso ao filho do casal”, explicou. A delegada disse também que, segundo o ex-companheiro da vítima, o amigo dele teria sido o responsável pela execução do crime, mas que, essa versão também não se sustenta e que, na verdade, ele que teria atirado ácido contra ela.  O inquérito ainda não foi concluído e a polícia trabalha com a acusação de lesão corporal grave, que pode gerar a pena de reclusão de 1 a 5 anos. No entanto, a polícia destacou que, se a situação da vítima se agravar, a acusação passa a ser de lesão corporal gravíssima, onde as penas variam de 2 a 8 anos. A delegada responsável pelo caso afirmou que está tentando reunir provas materiais para acusação de tentativa de feminicídio - neste caso, a pena é dois sextos menor que a de feminicídio, que varia de 12 a 30 anos de reclusão.  O caso O suspeito de 30 anos, com a ajuda de um amigo de 20 anos, teria jogado ácido sulfúrico na ex-companheira, com quem tem um filho, na noite da última quinta-feira (4). A mulher está internada Hospital da Restauração, correndo risco de morte e de perder a visão, com 38% do corpo atingido por queimaduras de graus II e III, na cabeça, pescoço, tronco, coxas e órgãos internos, já que o ácido atravessou o tórax da vítima.  O cúmplice foi preso em flagrante na sexta-feira (5) e, nessa segunda-feira (08), o suspeito se entregou à polícia. Os dois foram levados para o Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel). Eles prestaram depoimentos, apresentando versões que “não se sustentam e não são harmônicas entre si”, segundo a delegada.  Material apreendido no local Ainda segundo a polícia, um recipiente plástico vazio, uma garrafa de ácido sulfúrico também vazia, cabelo humano e uma presilha de plástico foram apreendidos no local.  Denúncias da vítima contra o suspeito A vítima já havia registrado três boletins de ocorrência contra o ex-companheiro. O primeiro, em 13 de maio, quando ela foi física e verbalmente agredida por ele. Na ocasião, foi solicitada uma medida protetiva, mas o acusado não foi localizado e não recebeu a notificação da medida.  Em 23 de maio, ela voltou à delegacia para registrar o segundo boletim de ocorrência. Desta vez, ele havia enviado para a irmã dela um vídeo de conteúdo violento, relacionado ao assassinato de uma mulher e dizendo que não faria isso com ela apenas por ser mãe do filho dele.  Uma briga entre a vítima e a atual mulher do suspeito teria sido a motivação para o terceiro boletim de ocorrência. A duas trocaram agressões em uma parada de ônibus. A vítima contou o acontecido para a mãe do suspeito, ele revoltou-se com a atitude dela em envolver a mãe dele, afirmando que a ex-companheira iria pagar. "A mãe dele respondeu dizendo que se ele fosse fazer algo contra a ex-companheira, teria de fazer contra ela também porque antes de ser mãe dele ela era mulher também e não admitia aquele tipo de violência", detalhou a delegada.  A vítima registrou o terceiro boletim de ocorrência em 1º de junho e em 5 de junho a notificação de medida protetiva foi entregue ao suspeito.   Pai tinha acesso ao filho  "Ele insiste na versão de que não é verdade que ele não se conformava com o fim do relacionamento, inclusive alega que havia voltado a viver com a sua esposa e que por isso não havia revolta dele na posição dela de não querer mais se relacionar. Isso tudo tem se desmentido pelas testemunhas que ouvimos. A própria mãe do suspeito foi escutada na unidade policial e disse que o acesso ao filho do casal era permitido pela ex-mulher dele sempre, então essa versão também não se sustenta", explicou a delegada. A mãe da vítima também desmentiu a afirmação do suspeito. "Nesse mesmo dia que ele fez isso, ele estava com o menino mais cedo. Ela nunca empatou dele ver o menino", diz mãe da vítima.

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