DESPEDIDA

Corpo do ex-governador Joaquim Francisco será cremado nesta quarta (4) em cerimônia restrita aos familiares

O ex-governador de Pernambuco Joaquim Francisco faleceu, nesta terça-feira (3), aos 73 anos de idade

Corpo do ex-governador Joaquim Francisco será cremado nesta quarta (4) em cerimônia restrita aos familiares

O advogado Joaquim Francisco atuou por cerca de cinco décadas na política - Foto: Alexandro Auler/Acervo JC Imagem

A cerimônia de cremação do corpo do ex-governador de Pernambuco Joaquim Francisco Cavalcanti, que faleceu nesta terça-feira (3) será restrita aos familiares. A cerimônia ocorrerá nesta quarta-feira (4), na Funerária, Cemitério e Crematório Morada da Paz, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife.

Joaquim Francisco lutava contra um câncer de pâncreas e faleceu no Hospital Português, na área central do Recife, onde estava internado desde o dia 14 de junho. 

Ele tinha 73 anos de idade e deixa esposa e filhos.

 

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Regime militar, popularidade e filiação ao PSB: Relembre trajetória de Joaquim Francisco, falecido aos 73 anos

 

História

Principais cargos na política:

  • Ministro do Interior: 1987;
  • Deputado Federal: 1987-1988 e 1999-2007;
  • Prefeito da Cidade do Recife, 1989/1990
  • Governador de Pernambuco: 1991-1995.

O último debate em que Joaquim Francisco participou na Rádio Jornal foi sobre quais fatores influenciam e são impactados em relação ao ''controle das populações''. No programa do comunicador Geraldo Freire, Joaquim Francisco debateu com o estatístico Gauss Cordeiro e do ginecologista Aurélio Molina. Confira o debate abaixo:

Começo na política

Iniciou seus estudos universitários em 1966, na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe). Neste mesmo ano filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instalado no país em abril de 1964. Um ano depois, foi nomeado oficial-de-gabinete do governador Nilo Coelho (1967-1971), cargo que ocupou até 1970, quando se formou em advocacia.

Ainda nesse ano, tornou-se assistente da presidência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Cinco anos depois, deixou este órgão para ser presidente da Comissão de Defesa Civil de Pernambuco. Ainda em 1975, foi nomeado secretário de Trabalho e Ação Social no governo de seu tio Moura Cavalcanti (1975-1979), cargo que ocuparia até 1979.

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Em 1977, assumiu o cargo de presidente do conselho de administração da Companhia de Habitação Popular (Cohab). No ano seguinte, tornou-se procurador judicial da Junta Comercial do estado. Atuando na iniciativa privada, entre 1979 e 1980 foi diretor administrativo-financeiro da Companhia de Alumínio do Nordeste.

Com a extinção do bipartidarismo, ocorrida em novembro de 1979, e a conseqüente reorganização partidária, Joaquim Francisco transferiu-se para o Partido Democrático Social (PDS), legenda que sucedeu a Arena em seu apoio ao regime militar. Filiado a este partido, em 1981 foi nomeado prefeito do Recife pelo governador Roberto Magalhães.

Pós-regime militar

Em 1984, defendeu a emenda Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Entretanto, como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que a emenda pudesse ser encaminhada à apreciação pelo Senado —, foi definida a eleição pelo Colégio Eleitoral, que se reuniu em 15 de janeiro de 1985.

Joaquim Francisco apoiou o candidato oposicionista Tancredo Neves, que derrotou pela via indireta o candidato do regime militar, Paulo Maluf, sendo eleito presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal. Contudo, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março desse ano.

Ainda em 1985, Joaquim Francisco migrou para o Partido da Frente Liberal (PFL), encerrando nesta legenda seu mandato à frente da prefeitura de Recife. Em sua atuação como prefeito da capital pernambucana, beneficiou as comunidades carentes da cidade, conquistando grande prestígio popular.

Em virtude de sua grande popularidade, atraiu a simpatia do então ministro da Educação e um dos nomes de maior projeção nacional do PFL, Marco Maciel, que o queria disputando o governo do estado no pleito de 15 de novembro de 1986. No entanto, Joaquim Francisco se candidatou a uma cadeira de deputado federal constituinte, sendo o nome mais votado da bancada do PFL pernambucano naquela legislatura, com uma votação surpreendente em todo o chamado “bolsão de pobreza”, recebendo um total de 142.359 votos.

Empossado em 1º de fevereiro de 1987, quando tiveram início os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte (ANC), no período de 30 de abril a 5 de agosto de 1987 licenciou-se do mandato parlamentar para exercer o cargo de ministro do Interior no governo José Sarney (1985-1990). Permaneceu por pouco tempo à frente da pasta em virtude de um desentendimento com o superintendente da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Dorani Sampaio, filiado ao PMDB, e por divergir do presidente da República, a quem criticara por “fazer um governo de transições fazendo transações”.

De volta à ANC, rompeu com o líder do PFL, o deputado baiano José Lourenço, e pregou o rompimento do partido com o governo Sarney. Nas votações mais importantes da Constituinte, pronunciou-se a favor do mandado de segurança coletivo, da proteção ao emprego contra a demissão sem justa causa, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso prévio proporcional, da pluralidade sindical, do presidencialismo e da anistia aos micro e pequenos empresários.

Prefeito e governador

Conselheiro do Instituto Roberto Simonsen (IRS), órgão ligado à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), entre 1987 e 1988, elegeu-se prefeito de Recife em novembro desse último ano, por uma ampla coligação que reunia o PFL, o PDS e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), além de outras agremiações de menor expressão. Foi empossado no cargo em janeiro de 1989.

Durante a campanha para a eleição presidencial de 1989 — a primeira realizada pelo voto direto após um intervalo de 29 anos —, Joaquim Francisco retirou seu apoio ao candidato do PFL, Aureliano Chaves, apoiando entusiasticamente o ex-governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo, candidato do Partido da Reconstrução Nacional (PRN). No seu ponto de vista, naquele momento Collor representava a restauração dos princípios éticos e morais da administração pública, que haviam sido abandonados pelo presidente José Sarney.

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No início de 1990, Joaquim Francisco desincompatibilizou-se do cargo de prefeito para concorrer ao governo pernambucano no pleito de outubro de 1990, na legenda do PFL, contando com o apoio explícito do presidente Collor. Vencendo as eleições no primeiro turno, com 1.238.061 votos, assumiu o cargo em janeiro do ano seguinte.

Em agosto de 1992, à medida que se avolumaram as suspeitas de envolvimento de Fernando Collor com o esquema de corrupção e tráfico de influência liderado pelo seu ex-tesoureiro Paulo César Farias, no decorrer das investigações da chamada “CPI do PC”, Joaquim Francisco rompeu politicamente com o presidente, pedindo a sua renúncia e tendo afirmado: “A história não perdoa aqueles que se afastam da linha ética de conduta.”

Deputado e filiação ao PSB

Após completar o mandato à frente do Executivo pernambucano, Joaquim Francisco residiu em Washington entre 1995 e 1996, trabalhando como consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e, logo em seguida, do Banco Mundial. Paralelamente à sua estada na capital norte-americana, exerceu o cargo de conselheiro do Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado, na gestão do ministro Luís Carlos Bresser Pereira, mantendo-se nesta atribuição até 1997. Retornou definitivamente ao Brasil no final de 1996, dedicando-se ao seu escritório de advocacia.

No pleito de outubro de 1998, candidatou-se novamente a deputado federal na legenda do PFL. Obteve 81.986 votos, sendo o segundo mais votado do partido. Iniciou novo mandato em fevereiro de 1999. Reelegeu-se para a Câmara em 2002, iniciando novo mandato em fevereiro de 2003. Neste mesmo ano transferiu-se para o PTB, onde permaneceu até 2005, quando voltou ao PFL. Concorreu a mais um mandato de deputado federal por Pernambuco nas eleições de 2006, mas desta vez, mesmo obtendo quase 75 mil votos, conseguiu apenas uma suplência. Deixou a Câmara ao final do mandato, em janeiro de 2007. Em setembro de 2009 migrou para o Partido Socialista Brasileiro (PSB).

No ano seguinte, participou do pleito de Outubro, como primeiro suplente de Senador, tendo sido eleito junto com Humberto Costa, do Partido dos Trabalhadores (PT), com mais de 3 milhões de votos.

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