Violência contra a mulher

Uma por uma: mães falam da dor de ter filhas vítimas de feminicídio


TV Jornal
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Publicado em 30/04/2018 às 11:40
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-Reprodução/TV Jornal

Nesse domingo (29), o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) lançou um projeto para contabilizar os homicídios de mulheres em Pernambuco, e contar as histórias dessas vítimas, acompanhando os casos até o julgamento. A iniciativa se chama 'Uma Por Uma'.

Essas histórias serão contadas ao longo do ano por 26 jornalistas, que compõem a equipe de apuração. Na primeira reportagem, a jornalista Cinthia Ferreira mostra os relatos de duas mães que perderam as filhas, vítimas de feminicídio. Sibelly Carla de Lima Silva, de 14 anos, e Dayanne Joyce Silva Serafim, de 25 anos, são as filhas, que sofreram dessa violência.

-Reprodução/TV Jornal

No caso de Sibelly Carla, o suspeito da morte dela é o companheiro, José Jorge Possidônio Ferreira, de 27 anos. O corpo dela foi encontrado em uma cama, dois dias após o crime, no dia 1 de janeiro de 2018. "Ele estava bebendo, fumando e curtindo o final de ano dele, enquanto ela estava morta", comenta Elizabete Carla de Lima, mãe da vítima. Segundo ela, só houve conhecimento sobre as constantes agressões da filha após sua morte, quando amigas vieram relatar o que acontecia com Sibelly.

No caso de Dayanne, não foi muito diferente. Ela também foi assassinada por seu companheiro, o policial José Ailton Francisco da Silva, de 35 anos, que tirou a própria vida depois de cometer o crime. "Eu tento buscar explicações, mas não consigo imaginar nada. Ele nunca me pareceu ser uma pessoa ruim e ter comportamento agressivo", explica a mãe, Luzinete Maria da Silva.

Feminicídio

Apenas nesses primeiros três meses do ano foram registradas, em Pernambuco, 77 mortes de mulheres, das quais 17 foram enquadradas como feminicídio. Durante todo o ano de 2017, foram 316 mortes, sendo 76 feminicídio.

Com a Lei 13.140, aprovada em 2015, o feminicídio passou a constar no Código Penal como circunstância qualificadora do crime de homicídio. A regra também incluiu os assassinatos motivados pela condição de gênero da vítima, no rol dos crimes hediondos, o que aumenta a pena de um terço (1/3) até a metade da imputada ao autor do crime. Para definir a motivação, considera-se que o crime deve envolver violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

De acordo com a Secretária da Mulher do Estado, Silvia Cordeiro, normalmente os casos de feminicídio estão ligados a pessoas próximas à vítima, sejam eles companheiros ou familiares. "O crime está relacionado com o sentimento de possessividade, onde o homem se acha no direito de fazer qualquer coisa com a mulher", explica.

Uma por Uma

O projeto Uma Por Uma, do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), tem o intuito de contabilizar casos de violência contra a mulher em todo Pernambuco. Todas as histórias de mulheres vítimas de feminicídio no Estado serão contadas ao longo do ano por uma equipe de 26 jornalistas. Além de reunir as informações como um banco de dados e acompanhar caso por caso até o julgamento, o projeto atuará também como um serviço para a sociedades e outros órgãos, podendo ser acessado pelo link: www.umaporuma.com.br.

Próxima reportagem

A próxima reportagem, que será exibida nesta terça-feira (1º), vai mostrar histórias de mulheres vítimas do tráfico de drogas.