SíNDROME CONGêNITA

Zika: água contaminada pode ser causa de casos de microcefalia no NE

Pesquisa aponta que o grande número de casos de microcefalia no Nordeste pode estar relacionado ao consumo de água poluída

Zika: água contaminada pode ser causa de casos de microcefalia no NE

O pequeno Daniel, de 3 anos, é uma das 467 pessoas afetadas pela síndrome congênita do Zika em Pernambuco, desde o início da epidemia - Foto: Reprodução/TV Jornal

Uma pesquisa aponta que o Zika vírus pode não ser o único causador da microcefalia em bebês nascidos durante o surto da doença. O grande número de casos de malformação no Nordeste pode estar relacionado também ao consumo da água poluída.

O Nordeste é a região do Brasil que registrou maior índice de má-formação de bebês, entre os anos de 2015 e 2018. O número representa 63% dos casos de síndrome congênita, no país. Em busca de uma explicação para a estatística, cientistas realizaram um estudo em parceria com o Ministério da Saúde. 

Segundo as pesquisas, a combinação do Zika com uma grande concentração de toxinas presentes na água consumida pelas gestantes pode ter agravado as consequências da doença. "Provavelmente o nível exacerbado da síndrome do Zika no semi-árido Nordestino está, em parte, associado à ingestão de água contaminada com Saxitoxina", afirmou Flávio Lara, pesquisador da Fiocruz. 

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Confira a reportagem

"Negligência do Governo"

O pequeno Daniel, de 3 anos, é uma das 467 pessoas afetadas pela síndrome congênita do Zika, em Pernambuco, desde o início da epidemia. Além da microcefalia, ele foi diagnosticado com hidrocefalia e sofre com problemas digestivos. 

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Diante da dificuldade vivida pelo filho, a mãe dele, Jaqueline Vieira, lamenta o resultado da pesquisa. "Se foi a água contaminada ou o zika vírus, continua sendo negligência do Governo, descaso público, continua sendo um absurdo. Se for por saneamento básico, a culpa continua do Governo", afirmou Jaqueline. 

Nota

A Compesa informou que segue os padrões de qualidade da água estabelecidos pelo Ministério da Saúde e faz o monitoramento da água tratada para que os níveis de cianobactérias estejam abaixo do valor máximo permitido para o consumo. A Compesa informou ainda que, nos anos 2015 e 2016, período da epidemia do Zika Virus, a água passou por mais de 1,7 análises e garante que os resultados estavam dentro das normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

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