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Fome volta a crescer no Brasil e coordenadora do IBGE cobra ''política pública''; veja os números

A coordenador da pesquisa do IBGE, Isaílda Barros, falou sobre os números da fome que atingem milhões de pessoas

Fome volta a crescer no Brasil e coordenadora do IBGE cobra ''política pública''; veja os números

Moradores de rua do Recife recebem alimentos de ONGS durante pandemia do coronavírus - Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que mais de 10,3 milhões de brasileiros viveram em situação de insegurança alimentar grave, ou seja, passaram fome em algum momento entre 2017 e 2018. Os números aumentaram 62,4% nos lares do Brasil, em comparação com 2013, a última vez em que o tema foi investigado pelo IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Os números completos foram revelados no site do IBGE.

Em entrevista ao Por Dentro com Cardinot, a coordenador da pesquisa, Isaílda Barros, explicou a situação de insegurança alimentar. ‘’A fome existe. É fato. As pessoas não estão conseguindo se alimentar adequadamente. Esse número é muito alto. Nós subimos de 5$% para 9% na questão de quem quer comprar o alimento e não pode. É muito preocupante. Tem que ter uma política pública para isso (acabar com a fome)’’, comentou.

Fome no Brasil

A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) mostra que a insegurança alimentar grave estava diminuindo desde 2003, sendo 8,2% da população em 2004 e para 5,8% em 2009. Em 2013, a proporção estava em 3,6%.

O nível de maior dificuldade no acesso aos alimentos também aparece nas residências localizados na área rural do Brasil. A proporção de insegurança alimentar grave foi de 7,1% nessas localidades, três pontos percentuais acima do observado na área urbana (4,1%), de acordo com o IBGE.

Resumo

  • 10,3 milhões de pessoas viviam em domicílios em que houve privação severa de alimentos ao menos em alguns momentos em 2017-2018.
  • Dos 68,9 milhões de domicílios no Brasil, 36,7% estavam com algum grau de insegurança alimentar, atingindo 84,9 milhões de pessoas.
  • A prevalência nacional de segurança alimentar caiu para 63,3%, em 2017-2018, alcançando seu patamar mais baixo.
  • Metade das crianças menores de cinco anos do país (ou 6,5 milhões de crianças nessa faixa etária) viviam em domicílios com algum grau de insegurança alimentar.
  • Menos da metade dos domicílios do Norte (43,0%) e Nordeste (49,7%) tinham acesso pleno e regular aos alimentos.
  • Dos 3,1 milhões de domicílios com insegurança alimentar grave no Brasil, 1,3 milhão estava no Nordeste.
  • Mais da metade dos domicílios com insegurança alimentar grave eram chefiados por mulheres.
  • Os domicílios com pessoa de referência autodeclarada parda representavam 36,9% dos domicílios com segurança alimentar, mas ficaram acima de 50% para todos os níveis de insegurança alimentar.

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