EDUCAçãO

Liberar aulas presenciais na educação infantil e ensino fundamental em Pernambuco é ''desrespeito à vida'', diz Sinpro

''Um verdadeiro equívoco e desrespeito à vida e ao povo pernambucano'', afirmou o Sinpro Pernambuco sobre a retomada da aulas nas escolas particulares

Liberar aulas presenciais na educação infantil e ensino fundamental em Pernambuco é ''desrespeito à vida'', diz Sinpro

As aulas presenciais na educação infantil e ensino fundamental foram liberadas nas escolas particulares - Foto: Reprodução/Por Dentro

O Sindicato dos Professores (Sinpro-PE) se pronunciou, nesta sexta-feira (30), sobre o retorno das aulas presenciais para a educação infantil e ensino fundamental nas escolas particulares, que tiveram as datas reveladas pelo Governo de Pernambuco. De acordo com o Sinpro, a decisão é ''um verdadeiro equívoco e desrespeito à vida e ao povo pernambucano''. Além disso, a nota critica o protesto realizado por representantes de colégios da rede privada de ensino e pais de alunos em frente ao Palácio do Campo das Princesas. Leia a nota na íntegra abaixo.

>>Governo de Pernambuco revela datas para retorno da educação infantil e ensino fundamental nas escolas particulares

Casos de covid-19 em escolas particulares

No dia 22 de outubro, o Colégio Damas suspendeu as aulas presenciais para as turmas do 3º ano do ensino médio por 14 dias após um estudante também ser infectado com o novo coronavírus.  Um dos alunos contaminado teria participado recentemente de uma festa com outros colegas da escola.

>>Professor do 2º ano do ensino médio de colégio particular do Recife testa positivo para covid-19

outro caso de covid-19 em escola particular foi no Colégio Grande Passo, localizado em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, cancelou as aulas presenciais para uma das turmas do 2º ano. Em contato com a produção da TV Jornal, a diretora do colégio, Solange Mota, reforçou que o aluno apresentou os sintomas no mesmo dia do retorno das aulas presenciais e, por causa disso, ela acredita que o estudante não foi infectado na escola. 

Protocolo contra o coronavírus

  • Reduzir a ocupação das salas de aula;
  • adotar revezamento de turmas, se necessário.

Distanciamento social

  • Manter, pelo menos, 1,5 m (um metro e meio) de distância entre os estudantes, trabalhadores em educação e colaboradores, em todos os ambientes do estabelecimento de ensino;
  • estabelecer o número de estudantes por turma, observando rigorosamente as normas de distanciamento, 1,5m (um metro e meio) entre as bancas escolares, reduzindo a quantidade de estudantes, se necessário;
  • promover diferentes intervalos de entrada, saída e alimentação entre as turmas, com o objetivo de evitar aglomerações.

Prevenção/proteção

  • Utilizar a máscara de forma obrigatória e contínua, por todas as dependências do estabelecimento de ensino, devendo ser observadas as orientações específicas quando se tratar de crianças até dois anos de idade;
  • disponibilizar, para uso dos estudantes, trabalhadores em educação e colaboradores local para lavagem frequente das mãos, provido de sabão, toalhas de papel além da disponibilização do álcool 70%, em pontos estratégicos de fácil acesso;
  • higienizar grandes superfícies com os seguintes produtos: hipoclorito de sódio a 0.1%; alvejantes contendo hipoclorito (de sódio, de cálcio) a 0,1%; dicloroisocianurato de sódio (concentração de 1,000 ppm de cloro ativo); iodopovidona (1%); peróxido de hidrogênio 0.5%; ácido peracético 0,5%, quaternários de amônio, por exemplo, o Cloreto de Benzalcônio 0.05%; compostos fenólicos;
  • desinfetantes de uso geral aprovados pela Anvisa, observando as medidas de proteção, em particular o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) quando do seu manuseio.

Monitoramento e educação

  • Elaborar cartilha de orientação sobre os cuidados básicos de prevenção do novo coronavírus para disponibilizar pela internet para estudantes, trabalhadores em educação e colaboradores;
  • orientar estudantes, trabalhadores em educação e colaboradores dos estabelecimentos de ensino que apresentarem sintomas gripais, e os seus contatos domiciliares, a acessarem o aplicativo “Atende em Casa” (www.atendeemcasa.pe.gov.br). Durante o acesso, serão orientados sobre como proceder com os cuidados, inclusive sobre a necessidade de procurar um serviço de saúde.

Nota do Sinpro na íntegra

Na última quinta-feira (29), a diretoria do Sinpro Pernambuco recebeu com muita surpresa duas notícias que, de acordo com o bom senso e a razoabilidade, não deixam de ser lamentáveis. A primeira diz respeito a mais uma manifestação de rua, promovida pelas escolas particulares, a fim de pressionarem o governo de Pernambuco, para assim restabelecer suas atividades pedagógicas de forma presencial, em plena pandemia. Não bastando esse absurdo, o sindicato, no mesmo dia, também tomou conhecimento de que, na intenção de atender os interesses dos empresários, o governador Paulo Câmara autorizou o retorno das aulas presenciais nas instituições de ensino privado.

Um verdadeiro equívoco e desrespeito à vida e ao povo pernambucano. Ora, se com o retorno das aulas presenciais para o ensino médio, já percebemos evidências de contágios da Covid-19, mesmo diante de tamanhos protocolos e cuidados, imaginem agora, como ficará no mês de novembro, que as escolas voltarão com todo seu público? Um risco que foi ignorado, em virtude da pressão econômica.

Nesse episódio, infelizmente o governador se portou do lado dos empresários, em detrimento da comunidade escolar, que passará, nos próximos dias, por sérios riscos. O curioso é que, todos os setores envolvidos nesse retorno, calaram-se frente os episódios de contágio ocorridos nas escolas. Os empresários fingiram que não aconteceu, Paulo Câmara, idem. E seguindo a tática do silêncio e da indiferença, permanecerão esses sujeitos, até que ocorra uma fatalidade por conta desse retorno.

Contudo, o Sinpro Pernambuco, reafirmando sua posição de defesa da vida e da integridade da comunidade escolar, após reunião de sua diretoria e diálogo com demais setores, tomará as devidas providências, a fim de garantir o direito e a integridade dos professores e professoras em todo estado de Pernambuco.

Dizemos NÃO a essa sentença de morte decretada ao povo pernambucano pelos empresários, e chancelada pelo governador Paulo Câmara.

SINPRO PERNAMBUCO

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