FUNGO PRETO

Mucormicose: Por que o nome 'fungo negro'? O que é o processo de necrose? Infectologista tira dúvidas sobre doença


O médico infectologista Felipe Prohaska conversou com a reportagem da TV Jornal e fez esclarecimentos sobre a Mucormicose, popularmente conhecida por Fungo Negro.

Gustavo Henrique Gustavo Henrique
Gustavo Henrique
Gustavo Henrique
Publicado em 09/06/2021 às 18:15
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FOTO: Reprodução/TV Jornal
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A reportagem da TV Jornal entrou em contato com o infectologista Felipe Prohaska nesta quarta-feira (9), para entender melhor e tirar algumas dúvidas da população sobre a Mucormicose, conhecida popularmente por "Fungo preto". O especialista explicou sobre o porquê desse nome, definiu o que chamam de "necrose" e falou sobre o tratamento e medicamentos específicos da doença.

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Afinal, por que o nome 'fungo negro'?

"É conhecido como fungo negro por causa das lesões de pele, ele causa lesões chamadas de necrose, a morte do tecido pelo fungo. Isso faz com que tenham lesões enegrecidas, por isso esse nome popular de fungo negro", explicou o infectologista.

O que é necrose? Como ocorre o tratamento? O SUS trata a doença?

De acordo com o especialista, o Serviço Único de Saúde - SUS trata a doença, que possui um tratamento caro. "Existe tratamento específico, um tratamento inclusive bastante oneroso, com medicações antifúngicas específicas para ele (fungo negro). Nós temos essas duas medicações disponíveis no SUS. Além de você ter as medicações, há a necessidade de procedimentos cirúrgicos de repetição, para poder ir limpando o que a gente chama de necrose para tentar diminuir a capacidade do fungo de se proliferar e crescer no tecido humano", afirmou.

Transmissão acontece de pessoa para pessoa?

Dr. Felipe reforçou que a transmissão não acontece de pessoa para pessoa. "Com relação à transmissão, ela não acontece de pessoa para pessoa. Ela precisa ter essa história de manipulação do solo ou até mesmo madeira em estado de decomposição em locais fechados, que podem ter essa concentração do fungo", finalizou Prohaska.

O que é mucormicose?

A mucormicose, comumente chamada de "fungo preto" ou "fugo negro", é uma infecção muito rara.

É causada pela exposição ao fungo mucoso, que faz parte da família Mucoraceae, comumente encontrado no solo, plantas, esterco e frutas e vegetais em decomposição.

"É onipresente e pode ser encontrado no solo e no ar e até mesmo no nariz e muco de pessoas saudáveis", diz Akshay Nair, um cirurgião oftalmologista de Mumbai, na Índia, à BBC.

O fungo afeta os seios da face, o cérebro e os pulmões e pode ser fatal em pessoas com diabetes ou em pessoas gravemente imunossuprimidas, como pacientes com câncer ou pessoas com HIV/AIDS.

O que causa a infecção?

Os médicos acreditam que a mucormicose pode ser causada pelo uso de esteroides, que são compostos farmacológicos usados para tratar pacientes graves ou gravemente doentes com covid-19. Os esteroides reduzem a inflamação nos pulmões e ajudam a interromper alguns dos danos que podem ocorrer quando o sistema imunológico do corpo se acelera para combater o coronavírus. Mas eles também reduzem a imunidade e aumentam os níveis de açúcar no sangue, tanto em pacientes diabéticos como não-diabéticos com covid-19.

Quais são os sintomas?

Pacientes que sofrem de infecção por fungos geralmente apresentam sintomas de congestão nasal e sangramento. Também inchaço e dor nos olhos, pálpebras caídas, visão turva e, no pior dos cenários, perda de um olho. Pode haver manchas pretas na pele ao redor do nariz. Os médicos dizem que a maioria de seus pacientes chega tarde demais para ser tratada, quando já estão perdendo a visão. Os médicos precisam remover cirurgicamente o olho afetado para evitar que a infecção chegue ao cérebro.

Em alguns casos, os pacientes perdem a visão de ambos os olhos. E, em casos raros, os médicos precisam remover cirurgicamente o osso da mandíbula para evitar que a doença se espalhe. A doença pode ser tratada com uma injeção intravenosa antifúngica que deve ser administrada todos os dias por até oito semanas. É o único medicamento eficaz contra a doença.

É contagioso?

A mucormicose não é contagiosa entre pessoas ou animais. O fungo só se desenvolve em pacientes com as condições certas no corpo, como diabetes ou imunossupressão causada por outras doenças. No entanto, como ele se espalha por esporos de fungos presentes no ar ou no ambiente, é quase impossível evitá-lo.

Uma pessoa sã, ou sem problemas do sistema imunológico, não deve temer contágio.
"Bactérias e fungos estão presentes em nosso corpo, mas o sistema imunológico os mantém sob controle", explicou K. Bhujang Shetty, diretor do Hospital Narayana Nethralaya na Índia. "Quando o sistema imunológico está enfraquecido devido ao tratamento do câncer, diabetes ou uso de esteroides, esses organismos se aproveitam e se multiplicam", disse Shetty à Reuters. "A cepa parece ser virulenta, elevando o açúcar no sangue a níveis muito altos. E estranhamente a infecção fúngica está afetando muitos jovens", disse Raghuraj Hegde, médico da cidade de Bangalore, no sul do país.

Quão difundido é o contágio na Índia?

Um alto funcionário do governo indiano, V. K. Paul, afirmou que "não há um grande surto" de mucormicose. No entanto, um número crescente de casos foi notificado em todo o país, chegando a mais de 8,8 mil na última semana. "Já estamos vendo dois ou três casos por semana aqui. É um pesadelo dentro de uma pandemia", diz Renuka Bradoo, do Hospital Sion, em Mumbai.

Baxi tratou cerca de 800 pacientes diabéticos com covid-19 no ano passado e nenhum deles contraiu a infecção por fungos.
Em vez disso, seu paciente mais jovem no mês passado era um homem de 27 anos que nem era diabético. "Tivemos que operá-lo durante sua segunda semana de covid-19 e tirar seus olhos. É bastante devastador." O Conselho Indiano de Pesquisa Médica e o Ministério da Saúde conclamam a população a manter a higiene pessoal e doenças como diabetes sob controle. Eles também foram aconselhados a usar sapatos, calças compridas, camisas de mangas compridas e luvas ao manusearem sujeira, musgo ou esterco para evitar a exposição ao fungo.

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