
O governo paulista passou a adotar novas medidas no combate ao novo coronavírus, conforme o avanço da vacinação e redução de mortes e casos, prevendo a interrupção do uso obrigatório de máscara, de forma escalonada, a partir de 1º de dezembro.
Isso se dá por conta da reabertura integral e liberação de eventos no estado de São Paulo, desde o início de novembro, sem a necessidade de distanciamento e restrições de horários.
Uso de máscaras segue importante
A expectativa é que, no começo do próximo mês, o uso do equipamento de proteção individual (EPI) contra a covid-19 seja abolido em lugares abertos sem aglomeração.
No entanto, a medida ou, pelo menos, o anúncio da novidade, pode confundir ou incentivar a população a largar o acessório antes do tempo.
Segundo o Coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Marcelo Otsuka, a flexibilização do uso de máscaras é a última medida a ser tomada, havendo ainda algumas etapas a serem superadas.
"Qual é a pressa e a urgência em parar de usar a máscara?", questiona. Marcelo Otsuka discorda da perspectiva.
Pois, ainda que o estado tenha 89% da população maior de 18 anos com as duas doses da vacina contra o coronavírus - e mais de 95% na capital com o esquema vacinal completo -, o alerta fica para os mais jovens.
"Nós temos uma população de crianças que nem podemos vacinar ainda e elas estão sujeitas a terem infecções", afirma o coordenador do SBI.
Mesmo que a maior parcela dos menores não desenvolva a doença de forma grave, o momento é de cautela.
Diante de uma situação menos aflitiva, a reabertura nos municípios paulistas não chega a ser algo temeroso "pela atual conjuntura", diz o infectologista.
Contudo, alerta: "Não há a necessidade de deixar de usar máscara. Isso tem que ficar muito claro, porque nós não estamos livres do vírus".
Alertas sobre vírus
"Reduzimos a gravidade [da doença, com as vacinas], mas [o vírus] ainda circula em grande quantidade", explica o coordenador da SBI.
Como o vírus ainda está à solta, a necessidade de uma terceira dose ou dose de reforço se mostrou necessária, sobretudo após estudos indicarem que há a queda da resposta imune da vacina ao longo do tempo.
Nos idosos, a situação se agrava. "Enquanto não tivermos essas pessoas que deveriam tomar a terceira dose, significa que nós podemos correr o risco de essa população voltar a ficar doente", diz Otsuka.
Outro alerta ainda traz ecos de 2020. Naquele mesmo período, sem a vacinação, o país observou uma queda no número de mortes e casos, com números ligeiramente superiores.
Os cuidados e riscos, mesmo com a população vacinada, permanecem os mesmos pela singularidade do coronavírus que, mesmo em estações mais quentes, é perigoso.
A diferença de 12 meses atrás para agora é que havia uma população muito mais suscetível à doença e as medidas de contenção foram deixadas de lado.
Com as festas de fim de ano e férias, o drama de centenas de milhares de famílias atingiu o ápice em março e abril de 2021.
Gorinchteyn ainda relembra que, naquela época, "nós não tínhamos vacina", visto que a primeira aplicação do imunizante no país ocorreu em 17 de janeiro.
Mesmo com cobertura vacinal avançada, o país não está livre de ver um novo aumento de casos.
A subnotificação, que já é grande, poderá ser ainda maior, já que as pessoas sentirão sintomas leves sem ter o diagnóstico de coronavírus.
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Obrigatoriedade de uso da máscara
Sobre as perspectivas, Otsuka afirma: "O planejamento é bom e é ruim".
"Ruim no sentido de que você de repente pode estimular a população a deixar de tomar os cuidados necessários, sendo que nós temos que insistir nesse momento em tomar os cuidados necessários pra realmente reduzir o máximo possível a incidência do vírus".
Apesar do anúncio das possíveis flexibilizações no estado, Gorinchteyn reforça se tratar de uma perspectiva e não uma determinação, e que, até o momento, o uso de máscaras em São Paulo permanece obrigatório em todos os ambientes.
"Ainda existe uma lei passível de multa para aqueles que fizerem alguma desobediência a essa norma", completa o secretário.
O coordenador do SBI é enfático na defesa do uso do acessório, ele considera que a proteção é uma "última força de vontade, um último empenho" para que todos voltem a uma "vida normal".
"A gente está conseguindo uma coisa maravilhosa. Mas não precisamos correr", finaliza o infectologista.
Anúncio do Governo de São Paulo
Em coletiva realizada pelo Governo de São Paulo (3), o governador do estado, João Doria, o coordenador executivo do comitê científico, João Gabbardo, e o secretário de saúde do estado, Jeancarlo Gorinchteyn, afirmaram que São Paulo passa por um momento de transição.
Eles dizem que já não há mais a necessidade de distanciamento e que estádios de futebol, comércios e eventos podem funcionar com capacidade máxima, mas ainda é necessário o uso de máscaras.
Na coletiva, foi afirmado que, para ser viabilizada a flexibilização do uso do EPI, há a análise de quatro indicadores. São eles taxas de vacinação, transmissão, ocupação de leitos e óbitos.
Caso diminuam de forma conjunta, colaboram para que haja um maior relaxamento nas restrições.
Em relação a prazos, João Gabbardo afirma que a perspectiva é de que a retirada das máscaras em ambientes abertos e sem aglomeração comece a partir do dia 1 de dezembro.
Ao SBT News, João Doria ainda afirmou:
"Quando atingirmos ao final deste mês de novembro, 75% de toda a população imunizada, nós vamos liberar o uso de máscaras ao ar livre e isso está previsto para acontecer no final deste mês de novembro".
"Ou seja, a partir de 1º de dezembro, muito provavelmente, teremos ainda a oportunidade de confirmar oficialmente, mas muito provavelmente não será mais necessário a utilização de máscaras ao ar livre".
Flexibilização das máscaras
Também em entrevista ao SBT News, o secretário de saúde de São Paulo, Jeancarlo Gorinchteyn, reforça que a flexibilização da máscara no estado ocorrerá de forma escalonada:
"Primeiro em ambientes externos sem aglomeração, depois em ambientes com aglomeração. Aí passaremos pro ambiente interno".
Os transportes públicos, reforça, serão os últimos lugares liberados do uso do EPI.