Paralisação

Saiba quais categorias param na greve nacional nesta sexta

Os manifestantes são contra a proposta da reforma da Previdência, do Ministro Paulo Guedes

Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Publicado em 14/06/2019 às 7:25
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FOTO: Reprodução/TV Jornal
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Nesta sexta-feira (14), acontece uma greve tem todo o país. Os manifestantes são contra a proposta da reforma da Previdência, do Ministro Paulo Guedes, que teve seu relatório lido nessa quinta-feira (13), na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Segundo os manifestantes, a reforma tirará direitos dos aposentados.

Em Recife, os manifestantes se concentrarão na Rua do Sol, no cruzamento da Rua do Sol com a Avenida Guararapes, no Centro da Cidade, a partir das 14h. De acordo com a organização do protesto, o ato contará com a participação de várias categorias de "trabalhadoras e trabalhadores, organizações de mulheres, estudantis, negros, LGBT e populares".

A mobilização foi convocada nos protestos contra o contingenciamento de recursos para as universidades e institutos federais feito pelo Ministério da Educação. Mais de 10 categorias aderiram ao ato, promovido por nove centrais sindicais.

Veja quem aderiu à greve

  • professores;
  • metroviários – anunciaram paralisação por 24h a partir desta sexta (14). Segundo a CBTU Recife, as Linhas Centro e Sul do Metrô funcionarão das 5h às 9h e das 16h às 20h, horários de pico do sistema. A Linha Diesel (VLT) não terá operação
  • rodoviários - a oposição do Sindicato dos Rodoviários do Recife e Região Metropolitana (Sttrepe) prometeu fazer uma paralisação. Garagens amanheceram fechadas e o número de ônibus nas ruas está reduzido
  • funcionários dos Correios – paralisação por 24h a partir da 0h desta sexta (14);
  • enfermeiros;
  • bancários;
  • metalúrgicos;
  • químicos;
  • portuários;
  • trabalhadores rurais;
  • eletricitários;
  • urbanitários;
  • servidores públicos municipais, estaduais e federais;
  • Segundo o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Pernambuco, Paulo Rocha, a retirada de pontos polêmicos da proposta do governo Jair Bolsonaro (PSL) no relatório do deputado federal Samuel Moreira (PSDB-SP)não alteram a posição do movimento.

Os metroviários anunciaram que aderiram ao movimento e vão paralisar suas atividades por 24h, começando na meia-noite desta sexta. Em nota, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) Recife informou que as Linhas Centro e Sul do Metrô funcionarão das 5h às 9h e das 16h às 20h, horários de pico do sistema. A Linha Diesel (VLT) não terá operação.

O Sindicato dos Rodoviários do Recife e Região Metropolitana (Sttrepe) disse, em nota, apoiar o movimento, mas informou não há indicativo até o momento da publicação de que vá aderir a greve geral. A oposição à direção da entidade promete fazer uma paralisação.

Os funcionários dos Correios também vão paralisar suas atividades por 24h. Além da pauta da reforma previdenciária, ele protestam contra a privatização da estatal, sinalizada pelo presidente Bolsonaro.

O comércio da capital vai funcionar normalmente, segundo o Sindicato dos Lojistas do Comércio de Bens e Serviços do Recife (Sindilojas).

Universidades

E por causa da greve nacional, as reitorias da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade de Pernambuco (UPE) informaram que vão abonar as faltas dos servidores e dos estudantes hoje. As avaliações que estavam agendadas para esta sexta-feira também vão ser remarcadas. A UFPE disse ainda que o restaurante universitário não vai funcionar. Já a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) decidiu suspender todas as atividades.

Mudanças em benefícios

A exclusão das mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC), na aposentadoria rural e do regime de capitalização eram os principais pontos questionados pela oposição e pelo movimento sindical. A retirada desses pontos também ganhou o apoio de líderes partidários favoráveis à reforma.

“Vamos fazer a greve e depois vamos avaliar os próximos passo da luta. O governo fez um movimento que aponta para minimizar as questões, mas a reforma é tão perniciosa que a gente precisa tratar a miudeza. A greve está mantida e é uma decisão nacional. Faremos uma grande greve”, disse Paulo Rocha, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-PE), após participar de reunião com movimentos sociais.

Ele também falou de uma instabilidade do governo. “Veja que o governo diz uma coisa de manhã, outra de meio-dia, outra de noite e outra de madrugada”, criticou Rocha.

Para o dirigente sindical, uma proposta de reforma tributária teria prioridade sobre as mudanças no sistema previdenciário, no momento. “O que a gente entende é que neste momento precisa ser feita uma reforma tributária para resolver as questões, inclusive, com rebatimento na questão da Previdência”, pontuou.

Também integram o movimento a Força Sindical de Pernambuco, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Central Sindical e Popular Conlutas (CSP Conlutas), a Intersindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), a Nova Central e a UGT (União Geral dos Trabalhadores).

Confira a nota do Sindicato dos Rodoviários na íntegra

O Sindicato dos Rodoviários do Recife e RMR informa que até o presente momento não há indicativo de paralisação da categoria dos Rodoviários na greve geral desta sexta-feira, dia 14 de Junho.

O sindicato continua dialogando, com serenidade e responsabilidade, com toda a categoria dos trabalhadores rodoviários e informa ainda que apoia o movimento de luta das Centrais Sindicais desta sexta-feira, dia 14, e que é radicalmente CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA, por conta dos diversos pontos que prejudicam a nossa categoria, como por exemplo:

1. A PEC acaba com aposentadoria por tempo de contribuição e por idade, apenas estabelecendo que o trabalhador rodoviário terá que contribuir por 40 anos e ter no mínimo 65 anos de idade (homem) ou 62 anos (mulher) se quiser ter direito ao salário integral, salário este que será calculado por uma média salarial que vai considerar inclusive os MENORES SALÁRIOS recebidos ao longo da vida, o que hoje não acontece, já que os 20% menores salários são excluídos do cálculo;

2. Na sofrida profissão de rodoviário, com a alta rotatividade e desemprego, quem conseguirá contribuir e trabalhar ininterruptamente por 40 anos? Praticamente ninguém! No Brasil, a maioria dos aposentados não conseguem alcançar nem 20 anos de contribuição. Assim, as aposentadorias serão drasticamente reduzidas!

3. Só a partir de 20 anos de efetiva contribuição (além da idade mínima obrigatória), o trabalhador rodoviário que se aposentar terá direito a receber apenas 60% da média salarial, aumentando apenas 2% a cada ano que ultrapassar os 20 anos de contribuição;

4. A idade mínima obrigatória passa a ser de 65 anos para homem e 62 para mulheres, e ainda com aumento posterior a cada ano através de tabela progressiva de pontos;

5. O rodoviário que se aposentar e continuar trabalhando perderá o direito ao FGTS e da multa de 40% quando for demitido;

6. O rodoviário que se afastar por doença ou aposentadoria por invalidez só receberá 60% do salário de contribuição + 2% por cada ano que ultrapassar os 20 anos de emprego/contribuição, ou seja, menos de 60% no salário da ativa! Hoje, como sabemos, o benefício gira em torno de 90% a 100% do salário da ativa. Na prática, o empregado vai ser obrigado a trabalhar doente para não ter o salário reduzido;

Dentre outras tantas modificações em prejuízo dos trabalhadores rodoviários.