Pandemia do novo coronavírus

Documentos revelam que Saúde usou dinheiro público para produzir milhares de medicamentos sem eficácia contra covid-19


De acordo com documentos obtidos pela Folha de São Paulo, Ministério da Saúde usou Fiocruz para produzir 4 milhões de comprimidos da cloroquina

Gabriel dos Santos Araujo Dias
Gabriel dos Santos Araujo Dias
Publicado em 11/02/2021 às 8:56
Isac Nóbrega/Presidência da República
FOTO: Isac Nóbrega/Presidência da República
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Mesmo sem ter nenhuma comprovação científica de que a cloroquina fosse eficaz no tratamento da covid-19, o governo federal gastou dinheiro público para que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) produzisse quatro milhões de comprimidos da droga. Até o momento, a comunidade médica nega que a cloroquina dê resultados positivos a pacientes, vítimas do novo coronavírus. O presidente Jair Bolsonaro, que não é médico, defende o uso do fármaco.

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, documentos com datas de 29 de junho e 6 de outubro de 2020 revelam que a Fiocruz produziu a Cloroquina e Tamiflu para pacientes com covid-19. O Tamiflu também não é eficaz contra covid, segundo os cientistas.

Dinheiro público

Segundo a reportagem, os documentos enviados ao Ministério Público Federal apontam que o governo gastou R$ 70,4 milhões para a produção dos medicamentos ineficazes. O dinheiro partiu de uma Medida Provisória editada em 2 de abril do ano passado que criou um crédito extraordinário de R$ 9,44 bilhões para que o governo combatesse a pandemia. No total, a Fiocruz recebeu R$ 457,3 milhões.

Questionada pela Folha, a Fiocruz disse que produziu a produção de cloroquina foi destinada para uso no tratamento da Malária e que o Tamiflu foi fabricada para tratar Influenza. O Ministério da Saúde também disse que o Tamiflu foi feito para tratar Influenza e disse que a compra da cloroquina não foi concretizada.

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