Goiás

Lázaro Barbosa: Homem finge ser policial, dá entrevista e convoca equipe da polícia, durante buscas por serial killer de Brasília


Buscas pelo "serial killer de Brasília", Lázaro Barbosa, chegam a quase duas semanas.

Karina Costa Albuquerque Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Publicado em 21/06/2021 às 11:14
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Com quase duas semanas de buscas pelo suspeito Lázaro Barbosa, o "serial killer de Brasília", a polícia de Goiás recebeu reforços para a "caçada", no último final de semana. O homem é acusado de assassinar uma família em Ceilândia (DF) e cometer invasões, estupros e fazer vítimas reféns, em cidades e fazendas do entorno.

Infiltrado

Uma pessoa que fingiu ser policial se infiltrou entre as equipes e entrou em local restrito aos agentes que participam da ação, em Cocalzinho, Goiás (GO). O homem, que chegou a dar informações à imprensa e afirmou ser de outra equipe, foi detido na madrugada desse domingo (20).

Ele chegou a chamar uma equipe da Polícia Militar para fazer uma abordagem na região, pois ele tinha se separado da equipe dele.

Buscas

Os policiais temem que Barbosa consiga escapar, saindo do Estado e voltando sentido Distrito Federal. Barreiras em rodovias foram instaladas para averiguações em veículos.

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Cães farejadores que atuaram na tragédia de Brumadinho (MG) reforçaram as equipes. Um dos animais esteve em uma das fazendas onde supostamente Lázaro teria passado. As buscas na região foram intensificadas.

13 dias de buscas

A busca pelo foragido Lázaro Barbosa, 32 anos, suspeito de matar quatro pessoas, promover sequestros e invadir propriedades rurais no Distrito Federal, chegou ao 13º dia. Policiais militares de Goiás vasculham a área de cerca de 200 metros quadrados, no distrito de Cocalzinho, em busca de pistas na mata e às margens da BR-070, que corta a cidade, mas até agora, o "serial killer de Brasília" não foi encontrado.

Polícia aposta no cansaço

A Polícia aposta no desgaste emocional e no cansaço físico para tentar capturar o Lázaro Barbosa. "Ele está a cada dia mais cansado, mais acusado. Não deixa, de maneira nenhuma, de ser perigosíssimo, mas está nas últimas forças. Tenho quase certeza que cheguei a vê-lo, a 1 km de distância, do outro lado de um vale. A aparência dele não era de pessoa ferida", chegou a comentar com a imprensa o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Rodney Miranda.

Essas aparições do fugitivo, que teve seu perfil traçado como sendo de um psicopata, sugerem, portanto, maior aproximação da operação policial com a localidade exata do fugitivo.

Com o cerco policial se fechando, a tendência é que Lázaro sofra mais estresse, aponta Cássio Thyone, perito criminal aposentado da Polícia Civil do Distrito Federal e membro do conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. "Ele precisa dormir, se alimentar, vencer o próprio estresse psicológico. Tempo é o fator que favorece quem está tentando encontrar a pessoa e não quem está tentando fugir", complementa.

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Governador de Goiás

Apesar disso, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), declarou, no mesmo dia, que as buscas podem durar até um mês. "Eu pedi o máximo de cautela. Temos tempo. Não precisa atropelar [...] Ele está cercado, dentro da circunscrição e não vai escapar de ser capturado. Pode ter 10, 20, 30 dias", disse o governador.

Para o governador, "qualquer coisa que aconteça, vindo do sujeito, é muito explicável. Ele é assassino. Tudo depende de como é que ele vai se comportar, se vai reagir, ter processo de ansiedade, enfrentar ou continuar. Ele tem a característica do habitat. Ele sabe onde está pisando".

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Fake news

A Secretaria de Segurança de Goiás também aponta dificuldades de apuração do caso, pelo excesso de fake news. Os agentes têm recebido falsas informações sobre o suspeito, o que, segundo Miranda, tira tempo das investigações.

"É um problema sim. Não só essa fake news [de que Lázaro estaria em um cemitério], como outra de que ele já havia sido baleado, que já estava morto. Tudo isso atrapalha, porque não só a nossa Inteligência, como as unidades de operação, tem que checar. Às vezes a gente deixa de atender mais rapidamente uma informação procedente, para atender uma que não tem relevância", disse, na última 5ª feira.

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Os crimes

Lázaro é acusado de matar, a tiros e facadas, três pessoas na zona rural de Ceilândia no último dia 9 de junho. Os mortos eram Cláudio Vidal de Oliveira, de 48 anos, e os filhos Gustavo Marques Vidas, de 21 anos, e Carlos Eduardo Marques Vidal, de 15 anos.

O foragido também é apontado como responsável pelo sequestro da mulher de Cláudio, Cleonice Marques de Andrade. O corpo dela foi encontrado no dia 12 à beira de um córrego, próximo da casa onde a família morava. Na terça-feira (15), ele fez uma família refém em uma chácara e atirou em um policial, que foi atingido de raspão.

Lázaro também é investigado pela morte de um caseiro em Girassol, no dia 5 de junho, quatro dias antes do assassinato da família.

Quem é Lázaro Barbosa?

O homem mais procurado do Distrito Federal, atualmente, é o baiano Lázaro Barbosa Sousa, de 32 anos, nasceu no município de Barra do Mendes, na Bahia, a 500 km de Salvador. O suspeito é casado e tem dois filhos. Criado na mata, no passado, ele já ficou foragido da polícia da Bahia por 15 dias.

Em Barra do Mendes, ele cometeu ao menos dois assassinatos, depois mudou de estado para dar sequência a sua empreitada criminosa.

Lázaro Barbosa é serial killer?

Oficialmente, a polícia do Distrito Federal não trata Lázaro Barbosa de Sousa como um "serial killer". Ele é suspeito de assassinar quatro pessoas de uma mesma família, na semana passada, e está fugindo dos policiais, desde então. Na fuga, ele já trocou tiros e fez reféns. O termo "serial killer" para tratar este caso foi adotado por usuários das redes sociais, tecnicamente, de forma errada.

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