VIOLêNCIA

Com novo crime, pelo menos 6 mulheres trans são mortas em Pernambuco, desde julho

A mulher trans assassinada mais recentemente foi Dandara, morta a tiros dentro de casa, em Paudalho


Com novo crime, pelo menos 6 mulheres trans são mortas em Pernambuco, desde julho

Kalyndra, Fabiana, Pérola e Dandara são algumas das vítimas - Foto: Reprodução

Atualizada às 16h52

Desde julho deste ano, Pernambuco já registrou seis assassinatos de mulheres transexuais. A mais recente vítima foi Kelly Alves. A vítima foi morta a tiros, dentro de casa, em Paudalho, na Zona da Mata de Pernambuco. Inicialmente, havia a informação de que a mulher se chamava Dandara. No entanto, familiares e amigos corrigiram a informação.

A polícia ainda não tem informações sobre autoria do crime ou motivação do assassinato de Kelly.

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Violência contra população LGBTQIA+ no Brasil

Há 12 anos, consecutivamente, o Brasil aparece no topo da lista dos países onde mais pessoas transexuais são mortas.

No ano passado, 237 LGBTQIA+ morreram no Brasil, de acordo com dados do Observatório de Mortes Violentas de LGBTQIA+ no Brasil, produzido pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). Deste total, 70% eram travestis ou mulheres transexuais. Ainda segundo o levantamento do GGB, do total de mortes, 94,5% foram assassinatos. 

Em entrevista à Rádio Jornal, em julho deste ano, após a morte de uma outra mulher trans no Estado, a pesquisadora do Observatório da Violência de Pernambuco, Dália Celeste, alertou para como as mortes de mulheres trans costumam ter requintes de crueldade. "O crime de transfobia é praticado sempre com grandes requintes de crueldade. Não basta matar [na cabeça dos agressores]. São inúmeras facadas, estrangulamentos, no caso da Roberta, ela foi queimada viva”, disse Dália.

“Nós precisamos educar as crianças, porque elas estão sendo ensinadas dentro dessa lógica de preconceito, que trans não devem ter dignidade. [O homem que mata uma trans] ele mata, porque ele não sabe lidar com o corpo que, desde a infância, foi ensinado a ele que é errado", completou a especialista, que também é uma mulher trans. 

De acordo com especialistas, a expectativa de vida de transexuais no Brasil é de apenas 35 anos. A expectativa de vida do brasileiro é mais que o dobro disso: 76,6 anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2019.

"O medo da morte é constante para a gente. [É possível fazer uma comparação com a pandemia], no caso das pessoas cis, o medo da morte pode ser uma novidade com o coronavírus, mas para a gente não é. A morte assombra a gente o tempo todo, desde muito antes da pandemia, que também está matando milhares de pessoas", declarou Robeyoncé Lima, primeira co-deputada travesti de Pernambuco, em entrevista ao site da Rádio Jornal

Veja quem são as vítimas 

Kalyndra Selva

Em 18 de junho, o corpo de Kalyndra Selva Guedes Nogueira da Hora, de apenas 26 anos, foi encontrado dentro da casa onde ela morada, na rua Rio Colorado, no Ipsep, zona sul do Recife. De acordo com a polícia, o corpo tinha sinais de asfixia e, provavelmente, foi encontrado dias após o crime. O principal suspeito do assassinato é o companheiro da mulher. 

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Roberta Silva

Na madrugada de 23 para 24 de junho, enquanto muitas famílias comemoravam o São João, o corpo da mulher trans, Roberta Silva, então com 32 anos, queimava. Vivendo nas ruas, ela foi atacada no Cais de Santa Rita, exatamente na região onde morava.

Antes de ser intubada, Roberta conversou com a co-deputada estadual Robeyoncé Lima (Psol/Juntas), no Hospital da Restauração, e disse que o crime foi motivado por discriminação. Um adolescente, de 17 anos, foi apreendido e cumpre medida socioeducativa. Roberta completou 33 anos de idade enquanto estava internada na unidade de saúde, onde morreu.

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), lamentou a morte de Roberta Silva e prometeu dar o nome da vítima a uma casa de acolhimento à população LGBTQIA+ que promete criar

Crismilly Pérola

No dia 5 de julho, o corpo da cabeleireira Crismilly Pérola Bombom, de 37 anos de idade, foi encontrado com um tiro, na rua das Orquídeas, na Várzea, Zona Oeste do Recife. A família acredita que a cabeleireira foi vítima de transfobia. Um mês antes de morrer, ela já havia sido vítima de um ataque transfóbico. Ninguém foi preso.

Fabiana da Silva

Em 7 de julho, Fabiana da Silva Lucas, de 30 anos de idade, foi morta com várias facadas, às margens da PE-160, em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste de Pernambuco. Antes de morrer, Fabiana havia perguntado onde era o banheiro, e foi surpreendida pelo criminoso, quando se aproximava do lugar indicado.

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Um homem, de 22 anos de idade, identificado apenas como "Gaúcho", foi espancado por moradores da região e internado no Hospital da Restauração, no Recife. Testemunhas descreveram Fabiana como uma mulher "tranquila" e que não se envolvia em confusões. 

Lorrane Souza

Em agosto, uma mulher trans identificada como Lorrane Souza foi morta com golpes de facão, no município de Petrolina, Sertão de Pernambuco. A vítima ainda chegou a ser socorrida para o Hospital Universitário da cidade, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito que golpeou a vítima com um facão foi preso, horas depois de cometer o crime. 

A mulher foi morta a golpes de facão
A mulher foi morta a golpes de facão
Reprodução/TV Jornal

Kelly Alves

Uma mulher trans foi assassinada em Paudalho, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. De acordo com informações da Polícia Militar, a mulher trans foi assassinada com vários disparos de arma de fogo, todos na cabeça dela, na comunidade Entra Apulso. A vítima, Kelly Alves, foi identificada inicialmente como Dandara. No entanto, familiares e amigos corrigiram a informação.

Ela não teve chances de defesa. Quando moradores e a polícia chegaram ao local, já estava morta. O Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife e a Polícia Civil de Pernambuco investigam o caso e, até agora, não têm informações quanto à autoria e motivação do crime.

A vítima foi identificada como Dandara
Vítima foi morta com vários tiros na cabeça
Reprodução/TV Jornal

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