LEVANTAMENTO

Óleo: mais de 700 voluntários alegam problemas de saúde após contato

Resultado foi coletado por meio de uma plataforma digital. Os riscos provocados pelo contato com o óleo foram discutidos em reunião na Alepe

Óleo: mais de 700 voluntários alegam problemas de saúde após contato

Após contato com o óleo das praias, mais de 700 pessoas alegaram ter sofrido de problemas respiratórios e alergias - Foto: Reprodução / TV Jornal

Uma reunião na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), localizada no bairro da Boa Vista, área central do Recife, discutiu os riscos que o contato com o óleo podem provocar à saúde. Um levantamento feito por uma plataforma digital  no Estado mostrou que cerca de 700 voluntários disseram ter apresentado algum problema de saúde, após o contato com a substância.

Esse número representa 90% do total de pessoas cadastradas no estudo. As informações devem ser repassadas para o Governo do Estado para ajudar no monitoramento da saúde dessas pessoas, visto que a ajuda do voluntariado foi fundamental para retirar os litros de óleo espalhados pelas praias de Pernambuco.

Representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Comissão de Saúde da Ordem de Advogados do Brasil (OAB), da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ), da ONG Salve Maracaípe, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPRE) e voluntários participaram da reunião. 

Confira

 

>> Confira dados, locais, praias e rios atingidos pelo óleo em Pernambuco

>> Procurador do MPF critica Governo Federal sobre óleo no Nordeste

>> Ministro diz que somente praias não atingidas pelo óleo estão liberadas para banho

>> Governo divulga guia para voluntários que limpam óleo em praias do Nordeste

 

Danos por inalação

De acordo com o levantamento, só em Pernambuco, já são mais de 700 pessoas com algum problema de saúde, mas esse número pode aumentar, se somado aos pescadores e detentos, que também participaram da limpeza do óleo.

Segundo a médica Lia Giraldo, o contato físico pode ter prejudicado, até mesmo, quem portava itens de proteção de segurança. "luvas e botas não protegem completamente a pele. Outras partes do corpo ficam expostas e o principal é a inalação. O vapor entra pelas vias respiratórias e prejudica a saúde", explicou Giraldo. 

Monitoramento

Segundo Henrique Espírito Santo, idealizador da plataforma de monitoramento dos impactos do petróleo, é essencial que os voluntários sejam monitorados. "A nossa preocupação é que essas pessoas não sejam esquecidas. Elas precisam de um monitoramento e acolhimento de saúde, porque tiveram um contato com o óleo", afirmou. 

Protesto

Como forma de protesto, a fachada do Paço do Frevo, no bairro do Recife, se manifestou contra o vazamento de óleo no litoral nordestino. As paredes foram manchadas de tinta preta para alertar os visitantes sobre o desastre ambiental. 

 

Detalhe de tinta em alusão ao petróleo
Detalhe de tinta em alusão ao petróleo
Reprodução/TV Jornal
 
Fachadas pintadas com tinta preta, em protesto ao óleo que atinge o litoral nordestino
Fachadas pintadas com tinta preta, em protesto ao óleo que atinge o litoral nordestino
Reprodução / TV Jornal

Nota

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que só deve divulgar nesta quinta-feira (31) um balanço do número de pessoas atendidas nos hospitais, após o contato com o óleo. Já o Paço do Frevo, por meio de nota, destacou seu papel, enquanto espaço de cultura e cidadania, em expressar as preocupações com a urgente necessidade de medidas de enfrentamento e redução dos danos.

COMENTÁRIOS

Os comentários abaixo são de responsabilidade dos respectivos perfis do facebook.