INQUéRITO

Caso Miguel: Sarí é indiciada por abandono de incapaz, seguido de morte

Resultado do inquérito foi apresentado pelo delegado Ramom Teixeira, responsável pela investigação. A pena para esse crime é de quatro a 12 anos anos de detenção

Caso Miguel: Sarí é indiciada por abandono de incapaz, seguido de morte

A pena para esse crime é de quatro a 12 anos anos de detenção - Foto: Yaci Ribeiro/JC Imagem

Nesta quarta-feira (01), a Polícia Civil de Pernambuco indiciou por abandono de incapaz com resultado de morte a ex-patroa da empregada doméstica, Mirtes Renata e primeira dama do município de Tamandaré, Sarí Corte Real pela queda do pequeno Miguel Otávio Santana da Silva, 5 anos, ocorrida no dia 2 junho. O resultado do inquérito foi comandada pelo delegado Ramon Teixeira, responsável pelas investigações, em coletiva de imprensa online. A pena para esse crime é de quatro a 12 anos anos de detenção.

"A conduta de permitir o fechamento da porta, claramente intencional, conduziu a criança à área de insegurança, diante dos vários riscos existentes no edifício. Com essa ação, diversas poderiam ser as formas de encontrar o resultado morte indesejável, mas previsível", disse Ramom.

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Na ocasião, o delegado ressaltou ainda que, apesar de ser um caso difícil, o inquérito buscou agir mas de forma isenta do que verdadeiramente ocorreu. "A gente sempre sempre zelou pela transparência, porque a sociedade merece e precisa de respostas para o que aconteceu. Desde o primeiro momento agimos com zelo, exclusivamente pautado pela técnica", afirmou.

No dia seguinte à queda, o delegado Ramon Teixeira chegou a autuar em flagrante a patroa da mãe do garoto, por homicídio culposo. O policial afirmou, na época, que Sarí foi negligente por deixar Miguel usar um elevador sozinho, mas não teve a intenção de matá-lo.

Além do delegado, participou também da coletiva o perito do Instituto de Criminalística (IC) André Amaral, um dos responsáveis pelo laudo pericial. "Com sincronias de imagens, conseguimos visualizar a dinâmica de tudo o que aconteceu. Do momento em que ele sai do elevador até o momento da queda. Foi possível, diante dessa cronometragem, afirmar que não havia a possibilidade da existência de outra pessoa no local, no momento da queda", falou Amaral. 

Ministério público

Com a conclusão do inquérito, o caso segue para o Ministério Público, a quem caberá fazer a denúncia. A promotoria poderá concordar ou não com o indiciamento feito pela polícia.

 

Perícia científica

Uma das peças mais importantes do inquérito é a perícia científica, realizada pelos peritos do Instituto de Criminalística. Na última sexta-feira, o delegado recebeu o laudo pericial feito no edifício. No documento, com mais de 80 páginas, os peritos constataram que Sarí Corte Real apertou o botão da cobertura, antes de deixar a criança sozinha no elevador. O laudo mostrou também que não houve participação direta de ninguém na queda de Miguel, depois que o menino desce do elevador no 9º andar.

'Nenhum arrependimento', diz Mirtes sobre Sarí

Em entrevista exclusiva à TV Jornal, na manhã desta terça-feira (30), Mirtes Renata, mãe de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, conversou sobre o que ouviu de Sarí Corte Real, patroa da empregada doméstica, após o depoimento da suspeita na Delegacia de Santo Amaro, na área central do Recife. De acordo com Mirtes, em nenhum momento, Sarí demostrou arrependimento. 

"Comecei a conversar com ela, pedi para ela olhar para a foto de Miguel. Em seguida, ela olhou. Mas sabe aquele olhar de tanto fez, tanto faz? Eles primeiro deixaram eu falar tudo o que tinha para falar e depois ela falou. Com um tom irônico, debochado, sem nenhum pingo de arrependimento em nada que fez", revelou.

 

Caso Miguel

Miguel era filho de Mirtes Renata Santana de Souza, empregada doméstica de um dos apartamentos do Condomínio Píer Maurício de Nassau, também conhecido como Torres Gêmeas, no bairro de Santo Antônio, área central do Recife.

A patroa dela, Sarí Côrte Real, esposa do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker (PSB), foi presa em flagrante, indiciada por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), e liberada após pagamento de fiança de R$ 20 mil.

O fato aconteceu na tarde da terça-feira, dia 2 de junho, quando Sarí mandou Mirtes passear o cachorro da família e se responsabilizou por olhar o garoto. 

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