TRANSPORTE

Pesquisa da NTU defende que não há relação entre uso de ônibus com aumento de casos do novo coronavírus

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos lançou uma nota técnica e concluiu que não existe ligação direta com o novo coronavírus

Pesquisa da NTU defende que não há relação entre uso de ônibus com aumento de casos do novo coronavírus

Transporte público lotado pode ajudar na propagação do novo coronavírus, afirma infectologista - Foto: Bruno Campos/TV Jornal

Entre o final do mês de fevereiro e março de 2020, o Brasil começou a se preocupar com os casos diários do novo coronavírus. Em relação aos meses do novo coronavírus no país, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos lançou uma nota técnica, nesta quarta-feira (16), para afirmar que não pode comprovar o aumento dos casos de coronavírus com o uso de transporte coletivo (ônibus).

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Em Pernambuco, por exemplo, o governo estadual considerou o mês de maio como o pico da pandemia e decretou o lockdown (isolamento social) em todo o Estado. Alguns meses depois, várias atividades estão voltando ao normal, mas ainda existe a preocupação com a possibilidade dos casos do novo coronavírus voltarem a crescer. 

Conclusões da NTU

A nota técnica da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos afirma que aponta que não há relação direta entre o transporte coletivo e o aumento do número de casos do novo coronavírus durante o decorrer dos meses da pandemia da covid-19. As informações foram compartilhadas com a imprensa e também publicadas no site da NTU.

  1. Suposta ligação entre o uso do transporte coletivo e o aumento dos registros de casos do novo coronavírus não pode ser comprovada; 
  2. Existe o risco de contágio do novo coronavírus no transporte público como em qualquer outro ambiente (supermercados, restaurantes, escritórios, etc.); 
  3. Estudos científicos existentes sobre propagação de vírus apontam para existência de variedade dos padrões de contágio e um alto nível de heterogeneidade entre eles;
  4. Risco de contágio do novo coronavírus pode ser substancialmente reduzido caso sejam adotadas medidas preventivas: o uso de máscaras; limpeza diária dos veículos; controle de pessoas assintomáticas; aumento dos níveis de ventilação. 
  5. Outras medidas viabilizadas pelo poder público: o Plano de retomada de atividades; gestão da demanda/Escalonamento das atividades laborais; promoção de iniciativas de distanciamento social o Medidas de higienização; campanhas informativas de conscientização

Recife e Região Metropolitana

De acordo com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, considerando os dados da imagem abaixo, dois momentos distintos são percebidos para o caso do sistema metropolitano de transporte coletivo por ônibus de Recife, que atende também outras 13 cidades. São eles: 

  • A partir da 14ª até a 22ª semana epidemiológica: estabilização das viagens realizadas em torno de 2 milhões de deslocamentos/semana e aumento dos casos confirmados do novo coronavírus; 
  • Da 23ª até a 30ª semana epidemiológica: crescimento da quantidade de viagens realizadas, atingindo mais de 3,0 milhões na 29ª semana, com queda do número de casos confirmados do novo coronavírus.

Levantamento da Urbana-PE

No mês de agosto, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) divulgou um levantamento semelhante e afirmou que o transporte público não era vetor do novo coronavírus. Na ocasião, a Urbana-PE teve como base as informações de um projeto da Prefeitura do Recife que mostra a relação entre a quantidade de pessoas que usa o transporte público na Região Metropolitana do Recife e o número de óbitos e casos de coronavírus, entre os dias 24 de maio até 31 de julho.

Infectologista discorda 

O infectologista, Bruno Ishigami, na época da pesquisa da Urbana-PE, discordou da conclusão e explicou sobre o papel da aglomerações nos transportes públicos na propagação o novo coronavírus, mesmo com a determinação dos órgãos de saúde, para manter o distanciamento social de mínimo 1,5 metro como medida de prevenção.

‘’A gente vive com ônibus superlotados e isso pode ser sim um fator importante (para o novo coronavírus). É uma área abafada, com muita gente, muita gente uma perto da outra, muitas superfícies de contato, mas desde que a gente consiga respeitar as medidas de distanciamento social, que a gente consiga garantir que os passageiros não fiquem um em cima do outro, garantir que os passageiros vão estar usando máscaras o tempo todo. Então assim, a gente ainda tem que ter muito cuidado’’, explicou o infectologista, Bruno Ishigami.

O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização.
  • Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).
  • Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95. 

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